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Vozes algorítmicas: gênero e tecnologia na cosmopolítica da inteligência artificial
Vozes algorítmicas: gênero e tecnologia na cosmopolítica da inteligência artificial
Silva, Fábio Gomes; Bastos, Paulo Bernardino; Sogabe, Milton
Artigo:
Resumo A incorporação de assistentes de voz baseados em Inteligência Artificial (IA) ao cotidiano reafirma a centralidade do design de serviços na mediação entre humanos e tecnologias emergentes. Produtos como Alexa, Siri e ChatGPT não apenas executam comandos, mas se apresentam por meio de vozes e personas marcadamente femininas. Essa feminização algorítmica sugere uma continuidade de estereótipos de gênero históricos que associam o trabalho de cuidado, secretariado e assistência à figura feminina (Lee & Qiufan, 2022). Sob o prisma da cosmopolítica proposta por Stengers, cada escolha de design participa de disputas sobre quais entidades – humanas ou não – importam e como devem coexistir. Portanto, investigar nessa pesquisa que está em fase inicial de desenvolvimento, com levantamentos de discussões acerca da questão do gênero no design em artigos e ensaios publicados em revistas científicas que versam sobre o assunto, suas motivações sociotécnicas que levam empresas a “usar” vozes femininas é passo necessário para compreender as relações de poder, afeto e invisibilidade que permeiam a cultura da IA. 2. PROBLEMA E RELEVÂNCIA Apesar de inúmeras discussões sobre viés algorítmico, a predominância de personagens femininas sintetizadas em dispositivos de IA continua naturalizada sem aprofundamento crítico. Estudos de Belgueiman (2021) e Hui (2021) apontam que a interface vocal atua como zona de negociação simbólica onde expectativas culturais são codificadas em software. Entretanto, os projetos de design raramente explicitam tais tensões, perpetuando representações que reforçam a em Design — este trabalho se insere no eixo 3 (Teoria, História e Crítica do Design), pois problematiza as mediações sociotécnicas e propõe práticas de design que reconheçam ontologias múltiplas e relações de poder. 3. OBJETIVOS Objetivo Geral: Analisar criticamente a adoção de vozes e personas femininas em assistentes de voz comerciais, identificando suas motivações, efeitos e potenciais caminhos para um design mais inclusivo e plural. Propor diretrizes de design cosmopolítico que ampliem a diversidade de identidades algorítmicas. Objetivos Específicos: Investigar discursos corporativos e materiais promocionais que justificam a escolha de vozes femininas. 4. METODOLOGIA O estudo adota uma abordagem qualitativa, articulando análise documental de ensaios e artigos publicados em revistas científicas, cartografia semiótica e pesquisa de campo. Na primeira etapa, foram levantados exemplos aplicados em chatbots e personagens de marcas/empresas que adotam uma personificação feminina, principalmente no mercado nacional brasileiro. Em seguida, propõese uma discussão teórico-crítica acerca das narrativas sobre conforto, confiança e percepção de usuários, clientes e consumidores. Por fim, faz-se necessária a realização de uma leitura crítica dos guidelines de design das plataformas, a fim de identificar pressupostos de gênero e evidenciar o papel daqueles(as) que criam códigos para um suposto design de interface desses personagens de IA. A partir dessa triangulação de dados, pretende-se construir categorias analíticas relacionadas à submissão, empatia, autoridade vocal e personificação de IA. 5. RESULTADOS PRELIMINARES Um trabalho seminal para essa investigação surge da aplicação de pesquisa chefiada por Clifford Nass (2012) na Universidade de Stanford. Os dados coletados pela equipe sugerem correlação entre a escolha de vozes femininas e expectativas de cordialidade e rapidez no atendimento. Quarenta por cento das/os entrevistadas/os afirmaram sentir 'maior proximidade' com vozes femininas, enquanto 30% relataram não perceber diferença. Documentos de branding analisados descrevem a persona feminina como "amigável, prestativa e discreta" — atributos historicamente associados ao cuidado. Entretanto, participantes também relataram desconforto quando a voz adotava tom excessivamente infantilizado, indicando tensão entre acessibilidade e paternalismo. Esses dados publicados confirmam literatura sobre tecnologia e gênero, apontando necessidade de diversificar representações e oferecer opções de personalização que desafiem binarismos. 6. CONCLUSÕES Durante essa investigação de caráter preliminar de estudos que se encontra em etapa inicial de levantamento de dados, foi notável a evidência de feminização algorítmica de assistentes de voz refletindo continuidades patriarcais no design de serviços. Ao elencar os mecanismos sociotécnicos que sustentam essa escolha, este estudo contribui para a construção de diretrizes cosmopolíticas que valorizem multiplicidade de vozes e corpos algorítmicos. Busca-se clarificar como as empresas provedoras de conteúdo mostram seu alinhamento às diretrizes internacionais que ofereçam catálogos de vozes não binárias e regionais, além de documentar publicamente processos de escolha de gênero para promover transparência. Futuras pesquisas poderão incorporar experimentos práticos de co design com comunidades marginalizadas, ampliando a agência sobre as tecnologias que moldam o cotidiano.
Resumo A incorporação de assistentes de voz baseados em Inteligência Artificial (IA) ao cotidiano reafirma a centralidade do design de serviços na mediação entre humanos e tecnologias emergentes. Produtos como Alexa, Siri e ChatGPT não apenas executam comandos, mas se apresentam por meio de vozes e personas marcadamente femininas. Essa feminização algorítmica sugere uma continuidade de estereótipos de gênero históricos que associam o trabalho de cuidado, secretariado e assistência à figura feminina (Lee & Qiufan, 2022). Sob o prisma da cosmopolítica proposta por Stengers, cada escolha de design participa de disputas sobre quais entidades – humanas ou não – importam e como devem coexistir. Portanto, investigar nessa pesquisa que está em fase inicial de desenvolvimento, com levantamentos de discussões acerca da questão do gênero no design em artigos e ensaios publicados em revistas científicas que versam sobre o assunto, suas motivações sociotécnicas que levam empresas a “usar” vozes femininas é passo necessário para compreender as relações de poder, afeto e invisibilidade que permeiam a cultura da IA. 2. PROBLEMA E RELEVÂNCIA Apesar de inúmeras discussões sobre viés algorítmico, a predominância de personagens femininas sintetizadas em dispositivos de IA continua naturalizada sem aprofundamento crítico. Estudos de Belgueiman (2021) e Hui (2021) apontam que a interface vocal atua como zona de negociação simbólica onde expectativas culturais são codificadas em software. Entretanto, os projetos de design raramente explicitam tais tensões, perpetuando representações que reforçam a em Design — este trabalho se insere no eixo 3 (Teoria, História e Crítica do Design), pois problematiza as mediações sociotécnicas e propõe práticas de design que reconheçam ontologias múltiplas e relações de poder. 3. OBJETIVOS Objetivo Geral: Analisar criticamente a adoção de vozes e personas femininas em assistentes de voz comerciais, identificando suas motivações, efeitos e potenciais caminhos para um design mais inclusivo e plural. Propor diretrizes de design cosmopolítico que ampliem a diversidade de identidades algorítmicas. Objetivos Específicos: Investigar discursos corporativos e materiais promocionais que justificam a escolha de vozes femininas. 4. METODOLOGIA O estudo adota uma abordagem qualitativa, articulando análise documental de ensaios e artigos publicados em revistas científicas, cartografia semiótica e pesquisa de campo. Na primeira etapa, foram levantados exemplos aplicados em chatbots e personagens de marcas/empresas que adotam uma personificação feminina, principalmente no mercado nacional brasileiro. Em seguida, propõese uma discussão teórico-crítica acerca das narrativas sobre conforto, confiança e percepção de usuários, clientes e consumidores. Por fim, faz-se necessária a realização de uma leitura crítica dos guidelines de design das plataformas, a fim de identificar pressupostos de gênero e evidenciar o papel daqueles(as) que criam códigos para um suposto design de interface desses personagens de IA. A partir dessa triangulação de dados, pretende-se construir categorias analíticas relacionadas à submissão, empatia, autoridade vocal e personificação de IA. 5. RESULTADOS PRELIMINARES Um trabalho seminal para essa investigação surge da aplicação de pesquisa chefiada por Clifford Nass (2012) na Universidade de Stanford. Os dados coletados pela equipe sugerem correlação entre a escolha de vozes femininas e expectativas de cordialidade e rapidez no atendimento. Quarenta por cento das/os entrevistadas/os afirmaram sentir 'maior proximidade' com vozes femininas, enquanto 30% relataram não perceber diferença. Documentos de branding analisados descrevem a persona feminina como "amigável, prestativa e discreta" — atributos historicamente associados ao cuidado. Entretanto, participantes também relataram desconforto quando a voz adotava tom excessivamente infantilizado, indicando tensão entre acessibilidade e paternalismo. Esses dados publicados confirmam literatura sobre tecnologia e gênero, apontando necessidade de diversificar representações e oferecer opções de personalização que desafiem binarismos. 6. CONCLUSÕES Durante essa investigação de caráter preliminar de estudos que se encontra em etapa inicial de levantamento de dados, foi notável a evidência de feminização algorítmica de assistentes de voz refletindo continuidades patriarcais no design de serviços. Ao elencar os mecanismos sociotécnicos que sustentam essa escolha, este estudo contribui para a construção de diretrizes cosmopolíticas que valorizem multiplicidade de vozes e corpos algorítmicos. Busca-se clarificar como as empresas provedoras de conteúdo mostram seu alinhamento às diretrizes internacionais que ofereçam catálogos de vozes não binárias e regionais, além de documentar publicamente processos de escolha de gênero para promover transparência. Futuras pesquisas poderão incorporar experimentos práticos de co design com comunidades marginalizadas, ampliando a agência sobre as tecnologias que moldam o cotidiano.
Palavras-chave: inteligência artificial, design, gênero, personagens virtuais, cosmopolítica inteligência artificial, design, gênero, personagens virtuais, cosmopolítica
DOI: 10.5151/1JPPD-0072
Referências bibliográficas
- [1] BEIGUELMAN, Giselle. Políticas da imagem: vigilância e resistência na dadosfera. São Paulo: Ubu, 2021.
- [2] FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. Organização de Rafael Cardoso. Tradução de Raquel Abi-Sâmara. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
- [3] HUI, Yuk. Tecnodiversidade. Tradução de Humberto do Amaral. São Paulo: Ubu, 2021.
- [4] LEE, Kai-Fu; CHEN, Qiufan. 2041: como a inteligência artificial vai mudar sua vida nas próximas décadas. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2022.
- [5] MACHADO, Arlindo. Arte e mídia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.
- [6] NASS, Clifford; YEN, Corina. The man who lied to his laptop: what machines teach us about human relationships. New York: Current, 2012.
- [7] STENGERS, Isabelle. Cosmopolíticas I & II. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.
- [8] TAVARES, Mônica; PLAZA, Júlio. Processos criativos com os meios eletrônicos: poéticas digitais. São Paulo: Hucitec, 1998.
Como citar:
Silva, Fábio Gomes; Bastos, Paulo Bernardino; Sogabe, Milton; "Vozes algorítmicas: gênero e tecnologia na cosmopolítica da inteligência artificial", p-190-192.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0072
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TY - CONF T1 - Vozes algorítmicas: gênero e tecnologia na cosmopolítica da inteligência artificial JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 190 EP - 192 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0072 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/vozes-algoritmicas-genero-e-tecnologia-na-cosmopolitica-da-inteligencia-artificial KW - inteligência artificial, design, gênero, personagens virtuais, cosmopolítica ER -
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Fábio Gomes Silva, Paulo Bernardino Bastos, Milton Sogabe, Vozes algorítmicas: gênero e tecnologia na cosmopolítica da inteligência artificial, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 190-192, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0072 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/vozes-algoritmicas-genero-e-tecnologia-na-cosmopolitica-da-inteligencia-artificial) Palavras-chave:: inteligência artificial, design, gênero, personagens virtuais, cosmopolítica;