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Tipografia e resistência: um olhar sobre os cartazes feministas durante a Ditadura Brasileira
Tipografia e resistência: um olhar sobre os cartazes feministas durante a Ditadura Brasileira
Lopes, Julia Navarro; Piaia, Jade Samara; Henriques, Fernanda
Artigo:
Durante a ditadura civil-militar no Brasil, uma das formas de protesto adotada pela oposição foi a produção de materiais gráficos, com um protagonismo forte dos cartazes. Uma parte dessas criações voltou-se para questões relativas às mulheres, um dos grupos sociais que tomou a frente da luta pela anistia e pelo fim da ditadura no país. Apesar dessa relevância, a participação das mulheres é frequentemente apagada das narrativas oficiais, fato que acontece também no campo do design, em que as produções de mulheres são constantemente invisibilizadas (Buckley, 1986). Este estudo busca contribuir para reparar essa lacuna no processo historiográfico ao analisar cartazes com temáticas ligadas às mulheres. A figura 1 apresenta três desses cartazes: um do Movimento Feminino pela Anistia (MFPA), de Lila Galvão Figueiredo, do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais, de Ana Bosch e do III Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, de Marlene Rodrigues, respectivamente. _x000c_A pesquisa baseia-se nos métodos adotados pelos estudos da memória gráfica (Farias; Braga, 2018) para realizar o resgate desses artefatos gráficos e busca colaborar para a manutenção da memória coletiva desse período. O trabalho também apresenta um recorte específico sobre a tipografia dos cartazes, motivado pela escassez de estudos focados nas questões tipográficas e sua organização no contexto político. Esse fato foi verificado a partir de uma revisão sistemática (Lopes et al., 2025), que mostrou que há poucos estudos sobre a retórica e o potencial expressivo da tipografia em contextos políticos e ativistas. No entanto, os que existem adotam a semiótica como referência, o que reforça a escolha do método de análise desta pesquisa, baseada na mesma perspectiva teórica. Diante desse contexto, a pesquisa busca contribuir para o aumento dos estudos sobre os potenciais expressivos da tipografia. O intuito é observar os estilos de letras utilizados nos cartazes, suas diferenças e semelhanças e, a partir disso, analisar se eles seguem uma identidade específica e o que ela pode trazer de significados retóricos. O método empregado segue a proposta de Farias (2016) de utilizar a semiótica como base para a análise, cruzando os níveis micro, meso e macroscópico da tipografia com as dimensões semântica, sintática e pragmática. Os cartazes que estão sendo analisados foram encontrados no Centro de Documentação e Memória da Unesp (CEDEM) e no acervo do Centro Informação Mulher (CIM), considerado como um dos maiores acervos da América Latina sobre a história feminina e que está localizado atualmente no Arquivo Edgard Leuenroth da Unicamp (AEL). Além disso, apesar da dificuldade de encontrar a autoria dos materiais e de não conseguir contato com algumas das personagens por já terem falecido, também foram realizadas entrevistas semiestruturadas com algumas mulheres envolvidas na criação de cartazes naquela época e/ou que participaram do movimento feminino. Agradecimento O presente trabalho foi realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n° 2024/09207-1.
Durante a ditadura civil-militar no Brasil, uma das formas de protesto adotada pela oposição foi a produção de materiais gráficos, com um protagonismo forte dos cartazes. Uma parte dessas criações voltou-se para questões relativas às mulheres, um dos grupos sociais que tomou a frente da luta pela anistia e pelo fim da ditadura no país. Apesar dessa relevância, a participação das mulheres é frequentemente apagada das narrativas oficiais, fato que acontece também no campo do design, em que as produções de mulheres são constantemente invisibilizadas (Buckley, 1986). Este estudo busca contribuir para reparar essa lacuna no processo historiográfico ao analisar cartazes com temáticas ligadas às mulheres. A figura 1 apresenta três desses cartazes: um do Movimento Feminino pela Anistia (MFPA), de Lila Galvão Figueiredo, do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais, de Ana Bosch e do III Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, de Marlene Rodrigues, respectivamente. _x000c_A pesquisa baseia-se nos métodos adotados pelos estudos da memória gráfica (Farias; Braga, 2018) para realizar o resgate desses artefatos gráficos e busca colaborar para a manutenção da memória coletiva desse período. O trabalho também apresenta um recorte específico sobre a tipografia dos cartazes, motivado pela escassez de estudos focados nas questões tipográficas e sua organização no contexto político. Esse fato foi verificado a partir de uma revisão sistemática (Lopes et al., 2025), que mostrou que há poucos estudos sobre a retórica e o potencial expressivo da tipografia em contextos políticos e ativistas. No entanto, os que existem adotam a semiótica como referência, o que reforça a escolha do método de análise desta pesquisa, baseada na mesma perspectiva teórica. Diante desse contexto, a pesquisa busca contribuir para o aumento dos estudos sobre os potenciais expressivos da tipografia. O intuito é observar os estilos de letras utilizados nos cartazes, suas diferenças e semelhanças e, a partir disso, analisar se eles seguem uma identidade específica e o que ela pode trazer de significados retóricos. O método empregado segue a proposta de Farias (2016) de utilizar a semiótica como base para a análise, cruzando os níveis micro, meso e macroscópico da tipografia com as dimensões semântica, sintática e pragmática. Os cartazes que estão sendo analisados foram encontrados no Centro de Documentação e Memória da Unesp (CEDEM) e no acervo do Centro Informação Mulher (CIM), considerado como um dos maiores acervos da América Latina sobre a história feminina e que está localizado atualmente no Arquivo Edgard Leuenroth da Unicamp (AEL). Além disso, apesar da dificuldade de encontrar a autoria dos materiais e de não conseguir contato com algumas das personagens por já terem falecido, também foram realizadas entrevistas semiestruturadas com algumas mulheres envolvidas na criação de cartazes naquela época e/ou que participaram do movimento feminino. Agradecimento O presente trabalho foi realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Brasil. Processo n° 2024/09207-1.
Palavras-chave: Design ativismo, Cartazes, Tipografia, Mulheres Design ativismo, Cartazes, Tipografia, Mulheres
DOI: 10.5151/1JPPD-0083
Referências bibliográficas
- [1] FARIAS, Priscila; BRAGA, Marcos (org.). Dez ensaios sobre memória gráfica. São Paulo: Editora Blucher, 2018. 256 p.
- [2] BUCKLEY, C. Made in Patriarchy: Toward a Feminist Analysis of Women and Design. Design Issues, v. 3, n. 2, p. 3–14, 1986. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/1511480. Acesso em: 06 de out. 2025.
- [3] FARIAS, Priscila L. Semiótica e tipografia: apontamentos para um modelo de análise. In: MORAES, Dijon de; DIAS, Regina A.; SALES, Rosemary B. C.. (Org.). Cadernos de Estudos Avançados em Design: Design e Semiótica. Barbacena: EdUEMG, 2016, p. 45-46. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/323616471_Semiotica_e_tipografia_apontamentos_para_um_modelo_de_analise. Acesso em: 06 de out. 2025.
- [4] LOPES, Julia N.; HENRIQUES, Fernanda; PIAIA, Jade S.. A retórica tipográfica no contexto político: uma revisão sistemática. In: Anais do 12º Congresso Internacional de Design da Informação, São Paulo, v.13, n.1, p. 1805-1817, 2025. Disponível em: https://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/a-retrica-tipogrfica-no-contexto-poltico-uma-reviso-sistemtica-40169. Acesso em: 06 de out. 2025.
Como citar:
Lopes, Julia Navarro; Piaia, Jade Samara; Henriques, Fernanda; "Tipografia e resistência: um olhar sobre os cartazes feministas durante a Ditadura Brasileira", p-215-217.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0083
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TY - CONF T1 - Tipografia e resistência: um olhar sobre os cartazes feministas durante a Ditadura Brasileira JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 215 EP - 217 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0083 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/tipografia-e-resistencia-um-olhar-sobre-os-cartazes-feministas-durante-a-ditadura-brasileira KW - Design ativismo, Cartazes, Tipografia, Mulheres ER -
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Julia Navarro Lopes, Jade Samara Piaia, Fernanda Henriques, Tipografia e resistência: um olhar sobre os cartazes feministas durante a Ditadura Brasileira, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 215-217, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0083 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/tipografia-e-resistencia-um-olhar-sobre-os-cartazes-feministas-durante-a-ditadura-brasileira) Palavras-chave:: Design ativismo, Cartazes, Tipografia, Mulheres;