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Subversão estética sob a perspectiva queer no design de moda Brasileiro Contemporâneo
Subversão estética sob a perspectiva queer no design de moda Brasileiro Contemporâneo
Silva, Fellipe Cardoso; Moura, Mônica Cristina
Artigo:
Na contemporaneidade, a vestimenta torna-se linguagem do corpo atrelada à subjetividade de quem veste, relacionando-se à fatores identitários e de aspecto social. No entanto, a moda, ao mesmo tempo em que realiza um papel disruptivo na binariedade de gênero em relação ao vestuário, por vezes, também reitera. Partindo desta reflexão, esta pesquisa de mestrado em processo, tem como objetivo analisar como a subversão da estética pautada na heterocisnormatividade através da perspectiva queer é capaz de transgredir as noções binárias de gênero no design de moda brasileiro contemporâneo. Queer é uma palavra de origem inglesa que era utilizada para se referir pejorativamente àqueles que o estavam de acordo com as normas de gênero com base no sexo biológico e do desejo heterossexual. O que era inicialmente um insulto, foi ressignificado e utilizado para designar uma luta desviante e à margem, que na década de 80 se tornaria a nomenclatura para uma série de estudos pós-estruturalistas que questionavam as sólidas diferenciações binárias em torno do gênero enquanto naturais e a heterossexualidade enquanto norma. Segundo Butler (1990), a norma de gênero é composta por uma linearidade compreendida pelo sexo, gênero e o desejo heterossexual, na qual correspone à matriz de inteligibilidade de gênero. No entanto, ao mesmo tempo em que a norma é estabelecida, também é passível de promover sua própria subversão. Lauretis (1988) compreende que o gênero é fruto de diversas tecnologias sociais, tais quais o cinema e a moda, campo de estudo na qual esta pesquisa adentra, e são capazes de reiterar as práticas normativas de gênero. Moura (2018) identifica que o ato de projetar no design, quando aliado à sensibilidade de quem cria, é uma ferramenta política e de mudança social. Seguindo esta fundamentação teórica, o método utilizado é a abordagem metodológica qualitativa com revisão de literatura e estudo de caso de três designers de moda LGBTQIAP+. Para o estudo de caso, foram selecionadas designers de moda que se identificam enquanto pessoas LGBTQIAP+: Vicenta Perrota, Victor Sinistra e Sioduhi, que tensionam o campo da estética de moda, partindo de suas próprias subjetividades enquanto pessoas LBGTQIAP+, interseccionando suas criações com ancestralidade e proposta decolonial tanto na criação quanto nos elementos visuais de suas peças. Como resultado esperado, busca-se demonstrar como a estética de moda pode ser subvertida para além do aspecto binário do gênero e que ocorre através da subjetividade e sensibilidade do criador em relação ao artefato que desenvolve, por meio da matéria prima utilizada, da modelagem e da estética da peça, tornando o design de moda também um ato político e uma forma de resistência em corpos dissidentes. Através da análise inicial, nota-se que as criações dos designers questionam a cisheteronormatividade na moda através do campo material e visual, na qual foi articulado com o conceito de queerizar o design desenvolvido por Portinari (2017), na qual uma criação queer em design, seria o estranhamento da normatividade e o agenciamento de corpos dissidentes no campo do design.
Na contemporaneidade, a vestimenta torna-se linguagem do corpo atrelada à subjetividade de quem veste, relacionando-se à fatores identitários e de aspecto social. No entanto, a moda, ao mesmo tempo em que realiza um papel disruptivo na binariedade de gênero em relação ao vestuário, por vezes, também reitera. Partindo desta reflexão, esta pesquisa de mestrado em processo, tem como objetivo analisar como a subversão da estética pautada na heterocisnormatividade através da perspectiva queer é capaz de transgredir as noções binárias de gênero no design de moda brasileiro contemporâneo. Queer é uma palavra de origem inglesa que era utilizada para se referir pejorativamente àqueles que o estavam de acordo com as normas de gênero com base no sexo biológico e do desejo heterossexual. O que era inicialmente um insulto, foi ressignificado e utilizado para designar uma luta desviante e à margem, que na década de 80 se tornaria a nomenclatura para uma série de estudos pós-estruturalistas que questionavam as sólidas diferenciações binárias em torno do gênero enquanto naturais e a heterossexualidade enquanto norma. Segundo Butler (1990), a norma de gênero é composta por uma linearidade compreendida pelo sexo, gênero e o desejo heterossexual, na qual correspone à matriz de inteligibilidade de gênero. No entanto, ao mesmo tempo em que a norma é estabelecida, também é passível de promover sua própria subversão. Lauretis (1988) compreende que o gênero é fruto de diversas tecnologias sociais, tais quais o cinema e a moda, campo de estudo na qual esta pesquisa adentra, e são capazes de reiterar as práticas normativas de gênero. Moura (2018) identifica que o ato de projetar no design, quando aliado à sensibilidade de quem cria, é uma ferramenta política e de mudança social. Seguindo esta fundamentação teórica, o método utilizado é a abordagem metodológica qualitativa com revisão de literatura e estudo de caso de três designers de moda LGBTQIAP+. Para o estudo de caso, foram selecionadas designers de moda que se identificam enquanto pessoas LGBTQIAP+: Vicenta Perrota, Victor Sinistra e Sioduhi, que tensionam o campo da estética de moda, partindo de suas próprias subjetividades enquanto pessoas LBGTQIAP+, interseccionando suas criações com ancestralidade e proposta decolonial tanto na criação quanto nos elementos visuais de suas peças. Como resultado esperado, busca-se demonstrar como a estética de moda pode ser subvertida para além do aspecto binário do gênero e que ocorre através da subjetividade e sensibilidade do criador em relação ao artefato que desenvolve, por meio da matéria prima utilizada, da modelagem e da estética da peça, tornando o design de moda também um ato político e uma forma de resistência em corpos dissidentes. Através da análise inicial, nota-se que as criações dos designers questionam a cisheteronormatividade na moda através do campo material e visual, na qual foi articulado com o conceito de queerizar o design desenvolvido por Portinari (2017), na qual uma criação queer em design, seria o estranhamento da normatividade e o agenciamento de corpos dissidentes no campo do design.
Palavras-chave: Design contemporâneo, Design de Moda, Teoria Queer Design contemporâneo, Design de Moda, Teoria Queer
DOI: 10.5151/1JPPD-0075
Referências bibliográficas
- [1] BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade. 22 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990- 2022.
- [2] LAURETIS, Teresa. A Tecnologia do Gênero. In: BUARQUE DE HOLANDA, H (Org). Tendências e Impasses: O Feminismo como Crítica da Cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994, p.206-242.
- [3] MOURA, Mônica. Design para o sensível: Contemporaneidade, diversidade e ampliação da realidade. Estudos em design: Saberes e Processos, Bauru-SP, Canal6, 2018, p. 204 – 218.
- [4] PORTINARI, Denise. Queerizar o design. Arcos Design. Rio de Janeiro: PPD ESDI - UERJ. Edição especial Seminário Design.Com, Outubro 2017. p. 1-19. Disponível em: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/arcosdesign.
Como citar:
Silva, Fellipe Cardoso; Moura, Mônica Cristina; "Subversão estética sob a perspectiva queer no design de moda Brasileiro Contemporâneo", p-197-198.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0075
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Fellipe Cardoso Silva, Mônica Cristina Moura, Subversão estética sob a perspectiva queer no design de moda Brasileiro Contemporâneo, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 197-198, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0075 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/subversao-estetica-sob-a-perspectiva-queer-no-design-de-moda-brasileiro-contemporaneo) Palavras-chave:: Design contemporâneo, Design de Moda, Teoria Queer;