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Reflexões sobre o design de livros ilustrados voltados à Educação Sexual Infantil
Reflexões sobre o design de livros ilustrados voltados à Educação Sexual Infantil
Chiaperini, Lorena Couto; Domiciano, Cassia Leticia Carrara
Artigo:
Os livros infantis ilustrados constituem ferramentas pedagógicas capazes de auxiliar a formação cognitiva, emocional e social das crianças, contribuindo para a construção da compreensão de si e do mundo que as cerca. Destacam-se pela articulação integrada entre texto, imagem e design editorial, ampliando as possibilidades de leitura e interpretação do leitor, como observa Ramos (2011). Por meio das histórias infantis e das vivências dos personagens, as crianças aprendem a reconhecer e lidar com suas emoções. As narrativas oferecem um espaço simbólico seguro para explorar sentimentos ainda muito complexos, com os quais elas precisam aprender a lidar, como medo, alegria, tristeza e raiva. (Souza & Bernardino, 2011) Nesse contexto, é imprescindível notar que a abordagem de temáticas mais profundas e complexas pela literatura infantil de forma responsável, pode auxiliar na descoberta e compreensão de sofrimentos e situações com os quais a criança está lidando sozinha, muitas vezes com medo de relatar, como nos casos de violência e abuso sexual. Ao dar nome ao abuso, a literatura rompe o silêncio que muitas vezes o encobre, permitindo que as crianças o reconheçam como um problema real e grave. Em Como falar sobre sexualidade com as crianças (2024), Rocha defende que os livros de educação sexual infantil são uma excelente forma de introduzir o tema da sexualidade na infância. Segundo a autora, a leitura compartilhada desperta perguntas e trocas entre adultos e crianças, favorecendo aprendizados sobre corpo e proteção. Quando escolhidos com intencionalidade pedagógica e senso crítico, esses livros tornam-se ferramentas para o acesso a informações adequadas e conscientização. [...] somos convencidos, pela cultura em que vivemos e pelo discurso familiar tradicional que a sexualidade começa apenas na adolescência. Mas não é bem assim. Na verdade, a infância é o momento mais adequado para se transmitir conhecimento e iniciar a educação sexual, principalmente porque o sexo está fora do mundo da criança. (Rocha, 2024). Nesse processo de construção da conscientização na criança, o designer exerce um papel essencial, ainda que muitas vezes invisível. Salisbury (2013) destaca a desvalorização desse profissional na criação do livro infantil e enfatiza sua relevância ao afirmar que é de sua responsabilidade a construção de significados por meio da disposição, da harmonia e da ênfase gráfica, elementos que assumem papel central na comunicação e na experiência estética do leitor. Ao projetar, (o designer) tem sobre si responsabilidades para com esse público, em não apenas servir a sistemas e padrões pré-estabelecidos e perpetuados, mas participar da construção de novos conceitos, novas formas de pensar, novas maneiras de desenvolver os potenciais presentes na infância através do mundo material e imagético que as crianças acedem. (Domiciano, 2008). Com isso, a presente pesquisa em andamento busca contribuir para a construção de referenciais visuais e metodológicos que auxiliem designers na criação de livros infantis sobre educação sexual. A construção desses referenciais se dará por meio da análise gráfica de 12 livros infantis ilustrados disponíveis no mercado brasileiro que abordam a prevenção de abusos na infância, com o objetivo de identificar elementos visuais e editoriais recorrentes. A análise será realizada por meio de uma ferramenta desenvolvida para a pesquisa, fundamentada em Villas-Boas (2009), articulada à análise de conteúdo proposta por Bardin (2016), estruturada para identificação e sistematização de elementos como composição, tipografia, cores, ilustração e relação texto-imagem.
Os livros infantis ilustrados constituem ferramentas pedagógicas capazes de auxiliar a formação cognitiva, emocional e social das crianças, contribuindo para a construção da compreensão de si e do mundo que as cerca. Destacam-se pela articulação integrada entre texto, imagem e design editorial, ampliando as possibilidades de leitura e interpretação do leitor, como observa Ramos (2011). Por meio das histórias infantis e das vivências dos personagens, as crianças aprendem a reconhecer e lidar com suas emoções. As narrativas oferecem um espaço simbólico seguro para explorar sentimentos ainda muito complexos, com os quais elas precisam aprender a lidar, como medo, alegria, tristeza e raiva. (Souza & Bernardino, 2011) Nesse contexto, é imprescindível notar que a abordagem de temáticas mais profundas e complexas pela literatura infantil de forma responsável, pode auxiliar na descoberta e compreensão de sofrimentos e situações com os quais a criança está lidando sozinha, muitas vezes com medo de relatar, como nos casos de violência e abuso sexual. Ao dar nome ao abuso, a literatura rompe o silêncio que muitas vezes o encobre, permitindo que as crianças o reconheçam como um problema real e grave. Em Como falar sobre sexualidade com as crianças (2024), Rocha defende que os livros de educação sexual infantil são uma excelente forma de introduzir o tema da sexualidade na infância. Segundo a autora, a leitura compartilhada desperta perguntas e trocas entre adultos e crianças, favorecendo aprendizados sobre corpo e proteção. Quando escolhidos com intencionalidade pedagógica e senso crítico, esses livros tornam-se ferramentas para o acesso a informações adequadas e conscientização. [...] somos convencidos, pela cultura em que vivemos e pelo discurso familiar tradicional que a sexualidade começa apenas na adolescência. Mas não é bem assim. Na verdade, a infância é o momento mais adequado para se transmitir conhecimento e iniciar a educação sexual, principalmente porque o sexo está fora do mundo da criança. (Rocha, 2024). Nesse processo de construção da conscientização na criança, o designer exerce um papel essencial, ainda que muitas vezes invisível. Salisbury (2013) destaca a desvalorização desse profissional na criação do livro infantil e enfatiza sua relevância ao afirmar que é de sua responsabilidade a construção de significados por meio da disposição, da harmonia e da ênfase gráfica, elementos que assumem papel central na comunicação e na experiência estética do leitor. Ao projetar, (o designer) tem sobre si responsabilidades para com esse público, em não apenas servir a sistemas e padrões pré-estabelecidos e perpetuados, mas participar da construção de novos conceitos, novas formas de pensar, novas maneiras de desenvolver os potenciais presentes na infância através do mundo material e imagético que as crianças acedem. (Domiciano, 2008). Com isso, a presente pesquisa em andamento busca contribuir para a construção de referenciais visuais e metodológicos que auxiliem designers na criação de livros infantis sobre educação sexual. A construção desses referenciais se dará por meio da análise gráfica de 12 livros infantis ilustrados disponíveis no mercado brasileiro que abordam a prevenção de abusos na infância, com o objetivo de identificar elementos visuais e editoriais recorrentes. A análise será realizada por meio de uma ferramenta desenvolvida para a pesquisa, fundamentada em Villas-Boas (2009), articulada à análise de conteúdo proposta por Bardin (2016), estruturada para identificação e sistematização de elementos como composição, tipografia, cores, ilustração e relação texto-imagem.
Palavras-chave: Design Editorial; Livros infantis; Educação sexual; Prevenção de abusos; Livros ilustrados Design Editorial; Livros infantis; Educação sexual; Prevenção de abusos; Livros ilustrados
DOI: 10.5151/1JPPD-0126
Referências bibliográficas
- [1] BARDIN L. Análise de conteúdo. Edição revista e ampliada. São Paulo: Edições 70 Brasil; 2016.
- [2] DOMICIANO, Cassia Leticia Carrara. Livros infantis sem texto: dos pré-livros aos livros ilustrados. Portugal: Tese (Estudos da criança) – Comunicação Visual e expressão plásticas, 2008.
- [3] ROCHA, Leliane. Como falar sobre sexualidade com as crianças. Bauru: Astral Cultural, 2024.
- [4] RAMOS, Graça. A imagem nos livros infantis – caminhos para ler o texto visual. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.
- [5] SALISBURY, Martin; STYLES, Morag. Livro infantil ilustrado – a arte da narrativa visual. São Paulo: Rosari, 2013.
- [6] SOUZA, L. O; BERNARDINO, A. D. (2011). A contação de histórias como estratégia pedagógica na educação infantil e ensino fundamental. Cascavel: Revista de Educação, 2011.
- [7] VILLAS-BOAS, André. "Sobre análise gráfica, ou algumas estratégias didáticas para a difusão de um design crítico." Arcos Design, v. 4, n. 2, p.2–17, 2009.
Como citar:
Chiaperini, Lorena Couto; Domiciano, Cassia Leticia Carrara; "Reflexões sobre o design de livros ilustrados voltados à Educação Sexual Infantil", p-329-330.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0126
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Lorena Couto Chiaperini, Cassia Leticia Carrara Domiciano, Reflexões sobre o design de livros ilustrados voltados à Educação Sexual Infantil, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 329-330, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0126 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/reflexoes-sobre-o-design-de-livros-ilustrados-voltados-a-educacao-sexual-infantil) Palavras-chave:: Design Editorial; Livros infantis; Educação sexual; Prevenção de abusos; Livros ilustrados;