Blucher Design Proceedings
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Reconfigurações Disciplinares no Design
Reconfigurações Disciplinares no Design
Comparetti, Natalie Davantel; Sousa, Cyntia Santos Malaguti de
Artigo:
1. Contexto da pesquisa Nas últimas décadas, o campo do design, uma ciência social aplicada, tem se ampliado, integrando conceitos, métodos e práticas de diferentes áreas do conhecimento. Revisões ontológicas e epistemológicas apontam transformações disciplinares (Bremner & Rodgers, 2013) e uma tentativa de enfrentar o agravamento das crises contemporâneas, especialmente socioambiental, revelando uma tensão intrínseca à disciplina: contribuir tanto para solucionar quanto para produzir os problemas que aborda (Franzato, 2024). Esta dissertação insere-se no contexto em que os designers passam a buscar novos modos de fazer design e investiga a intersecção entre decolonialidade e design, com foco no desenvolvimento de visões de futuro que questionem e superem a reprodução de modelos colonialistas e a continuidade de um processo de dominação cultural em países como o Brasil. O estudo foca em abordagens teóricas e práticas na pesquisa e ensino de design, com o objetivo de estruturar um panorama do tema, identificando convergências, divergências e ênfases emergentes. A pesquisa adotou uma abordagem multimétodos, incluindo: entrevistas semiestruturadas com docentes e pesquisadores; mapeamento sistemático de teses, dissertações e artigos publicados (periódicos) nos últimos 15 anos e de artigos apresentados em eventos científicos consolidados da área, realizados nos últimos três anos; análise de currículos, disciplinas, laboratórios e grupos de pesquisa vinculados aos programas de pós-graduação stricto sensu em Design. 2. Discussões e transformações Observa-se crescente atenção ao tema em publicações e eventos. Nos anais do Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design – P&D Design (2018; 2024), registram-se 20 artigos sobre o assunto em 2024, frente a nove em 2018. Além disso, foram identificados nove programas de pós-graduação com currículos voltados à temática, destacando-se a reformulação do Programa da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) em 2024, por meio da linha de pesquisa “Design, Territorialidades e Antropoceno”, que propõe “[...] modos de imaginar, narrar, fabular, ficcionar e disputar caminhos para o porvir” (Escola Superior de Desenho Industrial, 2025). Com base nas fontes consultadas, a análise preliminar indica o interesse de parte dos atores do campo por uma reorientação de processos — da cocriação de cenários à decisão de não projetar, utilizando ferramentas como oficinas, cartografias, tarô e provótipos —, vinculados a termos que expressam finalidades simbólicas e subjetivas, como regeneração, sonho, reinvenção de mundos, futuro ancestral, novos imaginários, pluriversalidade e porvir. Revela-se, portanto, um processo de transformação no campo do design, em que se discute com maior intencionalidade a criação de novos modos de existir, presentes e futuros, para contextos locais, afastando-se do imaginário de futuro ficcional centrado em tecnologia e progresso associado à produção de artefatos, passando a focar-se nos processos e papéis do designer. Esta pesquisa conta com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior — Brasil (CAPES).
1. Contexto da pesquisa Nas últimas décadas, o campo do design, uma ciência social aplicada, tem se ampliado, integrando conceitos, métodos e práticas de diferentes áreas do conhecimento. Revisões ontológicas e epistemológicas apontam transformações disciplinares (Bremner & Rodgers, 2013) e uma tentativa de enfrentar o agravamento das crises contemporâneas, especialmente socioambiental, revelando uma tensão intrínseca à disciplina: contribuir tanto para solucionar quanto para produzir os problemas que aborda (Franzato, 2024). Esta dissertação insere-se no contexto em que os designers passam a buscar novos modos de fazer design e investiga a intersecção entre decolonialidade e design, com foco no desenvolvimento de visões de futuro que questionem e superem a reprodução de modelos colonialistas e a continuidade de um processo de dominação cultural em países como o Brasil. O estudo foca em abordagens teóricas e práticas na pesquisa e ensino de design, com o objetivo de estruturar um panorama do tema, identificando convergências, divergências e ênfases emergentes. A pesquisa adotou uma abordagem multimétodos, incluindo: entrevistas semiestruturadas com docentes e pesquisadores; mapeamento sistemático de teses, dissertações e artigos publicados (periódicos) nos últimos 15 anos e de artigos apresentados em eventos científicos consolidados da área, realizados nos últimos três anos; análise de currículos, disciplinas, laboratórios e grupos de pesquisa vinculados aos programas de pós-graduação stricto sensu em Design. 2. Discussões e transformações Observa-se crescente atenção ao tema em publicações e eventos. Nos anais do Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design – P&D Design (2018; 2024), registram-se 20 artigos sobre o assunto em 2024, frente a nove em 2018. Além disso, foram identificados nove programas de pós-graduação com currículos voltados à temática, destacando-se a reformulação do Programa da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) em 2024, por meio da linha de pesquisa “Design, Territorialidades e Antropoceno”, que propõe “[...] modos de imaginar, narrar, fabular, ficcionar e disputar caminhos para o porvir” (Escola Superior de Desenho Industrial, 2025). Com base nas fontes consultadas, a análise preliminar indica o interesse de parte dos atores do campo por uma reorientação de processos — da cocriação de cenários à decisão de não projetar, utilizando ferramentas como oficinas, cartografias, tarô e provótipos —, vinculados a termos que expressam finalidades simbólicas e subjetivas, como regeneração, sonho, reinvenção de mundos, futuro ancestral, novos imaginários, pluriversalidade e porvir. Revela-se, portanto, um processo de transformação no campo do design, em que se discute com maior intencionalidade a criação de novos modos de existir, presentes e futuros, para contextos locais, afastando-se do imaginário de futuro ficcional centrado em tecnologia e progresso associado à produção de artefatos, passando a focar-se nos processos e papéis do designer. Esta pesquisa conta com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior — Brasil (CAPES).
Palavras-chave: Design; Futuros; Decolonialidade; Pesquisa em Design; Ensino de Design Design; Futuros; Decolonialidade; Pesquisa em Design; Ensino de Design
DOI: 10.5151/1JPPD-0058
Referências bibliográficas
- [1] BREMNER, Craig; RODGERS, Paul. Design without discipline. Design Issues, v. 29, n. 3, p. 4-13, 2013.
- [2] CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN – P&D DESIGN, n. 13, 2018, Joinville. Anais. Joinville: Universidade da Região de Joinville, 2018. Disponível em: https://www.proceedings.blucher.com.br/article-list/ped2018-314/list#articles. Acesso em: 26 set. 2025.
- [3] CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN – P&D DESIGN, n. 15, 2024, Manaus. Anais. Manaus: Universidade Federal do Amazonas, 2024. Disponível em: https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/cadernoppgd/issue/view/690. Acesso em: 26 set. 2025.
- [4] ESCOLA SUPERIOR DE DESENHO INDUSTRIAL. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Design. Linha de pesquisa "Design, Territorialidades e Antropoceno". Disponível em: https://www.esdi.uerj.br/ppdesdi/programa/linhas-de-pesquisa/10983/design-territorialidades-e-antropoceno. Acesso em: 9 set. 2025.
- [5] FRANZATO, Carlo. Há design por vir?: dos cenários do design e das ecotopias. Arcos Design. Rio de Janeiro, v. 17, n. 2, p. 99-120, jul. 2024.
Como citar:
Comparetti, Natalie Davantel; Sousa, Cyntia Santos Malaguti de; "Reconfigurações Disciplinares no Design", p-156-157.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0058
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Natalie Davantel Comparetti, Cyntia Santos Malaguti de Sousa, Reconfigurações Disciplinares no Design, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 156-157, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0058 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/reconfiguracoes-disciplinares-no-design) Palavras-chave:: Design; Futuros; Decolonialidade; Pesquisa em Design; Ensino de Design;