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Proposição metodológica para estudo de materialidade e sentido em livros não-verbais para leitores cegos
Proposição metodológica para estudo de materialidade e sentido em livros não-verbais para leitores cegos
Lima, André Moreira de; Mazzilli, Clice de Toledo Sanjar
Artigo:
1. Caracterização geral da pesquisa Este trabalho aborda, de modo geral, os principais temas até então trabalhados pelo autor no curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Design da FAU-USP, em particular, o método e ferramentas de coleta escolhidas para obtenção de dados primários, bem como técnicas para tratamento destes. A pesquisa observa livros não-verbais – obras que questionam o uso de texto e comunicam por meio da materialidade do suporte, explorando elementos como textura, cor, formato e composição para construir narrativas interpretáveis pelo leitor. Um dos marcos para essa abordagem são as experimentações de Bruno Munari que, entre as décadas de 1940 e 1950, desenvolveu “livros ilegíveis”, questionando se seria possível comunicar apenas com recursos visuais e táteis, sem uso de palavras (Munari, 1981). A partir dessas experiências, Munari criou obras como Pré-livros (1952), Nella Notte Buia (1956) e Nella Nebbia di Milano (1968), nas quais o texto, quando presente, não se separa da dimensão material do objeto, consolidando abordagem em que o livro é entendido como comunicante sensorial – não apenas verbal. Essa abordagem inspirou diversos autores a explorarem o potencial narrativo da materialidade do livro, como Katsumi Komagata, em Little Eyes (1990); Keith Godard em Sounds: A Noisy Paper Book (1992); Laura Cattabianchi, e, Dans le bois (2023) e a adaptação tátil de Myriam Colin para Le Petit Chaperón Rouge (2008), originalmente criado por Warja Lavater como narrativa não-verbal. 2. Método de pesquisa Trata-se de um estudo exploratório de natureza qualitativa, com acentuado caráter fenomenológico. O método é estruturado em três objetivos específicos, cada um associado a conjuntos de dados, fontes, técnicas de coleta e tratamento. O primeiro consiste em levantar exemplares de livros não-verbais, sobretudo voltados a crianças com deficiência visual, identificando estratégias de design e escolhas materiais que influenciam a leitura sensorial. São observados materiais, encadernações, recortes e combinações formais em registros visuais ou observações diretas de exemplares, quando possível. A análise de dados busca identificar recorrências, organizando-as em categorias conceituais emergentes de convergências observadas. O segundo objetivo específico busca analisar aspectos semióticos de cinco exemplares, observando como materiais, composições e estratégias narrativas articulam a relação entre materialidade e mensagem. O corpus é formado por obras notáveis pela proposta experimental ou acessibilidade, analisadas a partir de registros ou observação direta. A análise semiótica baseia-se em Morris (1976), examinando sintaxe, semântica e pragmática, com auxílio de quadros analíticos. Por fim, o terceiro objetivo busca analisar interpretações e percepções sensoriais de crianças cegas ao interagirem com um exemplar selecionado, identificando convergências e divergências entre sentidos pretendidos e emergentes da leitura tátil. Para essa etapa, adota-se a pesquisa focalizada (Flick, 2009), que consiste na apresentação de um estímulo e posterior coleta de impressões de participantes por meio de perguntas semiestruturadas, guiadas por quatro critérios: não- direcionamento; especificidade; espectro; profundidade e contexto pessoal. As repostas são organizadas em quadros comparativos de análise de estímulo e interpretações, considerando dimensões semióticas e adaptado de Cardoso e Pacheco (2017). Aplicando este método, espera-se elucidar a dimensão pragmática dos artefatos estudados, investigando como leitores cegos interpretam os sentidos propostos pelo projeto, mesmo na ausência de suporte verbal. Busca-se, assim, contribuir para reflexões sobre acessibilidade e produção de sentido no campo do design.
1. Caracterização geral da pesquisa Este trabalho aborda, de modo geral, os principais temas até então trabalhados pelo autor no curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Design da FAU-USP, em particular, o método e ferramentas de coleta escolhidas para obtenção de dados primários, bem como técnicas para tratamento destes. A pesquisa observa livros não-verbais – obras que questionam o uso de texto e comunicam por meio da materialidade do suporte, explorando elementos como textura, cor, formato e composição para construir narrativas interpretáveis pelo leitor. Um dos marcos para essa abordagem são as experimentações de Bruno Munari que, entre as décadas de 1940 e 1950, desenvolveu “livros ilegíveis”, questionando se seria possível comunicar apenas com recursos visuais e táteis, sem uso de palavras (Munari, 1981). A partir dessas experiências, Munari criou obras como Pré-livros (1952), Nella Notte Buia (1956) e Nella Nebbia di Milano (1968), nas quais o texto, quando presente, não se separa da dimensão material do objeto, consolidando abordagem em que o livro é entendido como comunicante sensorial – não apenas verbal. Essa abordagem inspirou diversos autores a explorarem o potencial narrativo da materialidade do livro, como Katsumi Komagata, em Little Eyes (1990); Keith Godard em Sounds: A Noisy Paper Book (1992); Laura Cattabianchi, e, Dans le bois (2023) e a adaptação tátil de Myriam Colin para Le Petit Chaperón Rouge (2008), originalmente criado por Warja Lavater como narrativa não-verbal. 2. Método de pesquisa Trata-se de um estudo exploratório de natureza qualitativa, com acentuado caráter fenomenológico. O método é estruturado em três objetivos específicos, cada um associado a conjuntos de dados, fontes, técnicas de coleta e tratamento. O primeiro consiste em levantar exemplares de livros não-verbais, sobretudo voltados a crianças com deficiência visual, identificando estratégias de design e escolhas materiais que influenciam a leitura sensorial. São observados materiais, encadernações, recortes e combinações formais em registros visuais ou observações diretas de exemplares, quando possível. A análise de dados busca identificar recorrências, organizando-as em categorias conceituais emergentes de convergências observadas. O segundo objetivo específico busca analisar aspectos semióticos de cinco exemplares, observando como materiais, composições e estratégias narrativas articulam a relação entre materialidade e mensagem. O corpus é formado por obras notáveis pela proposta experimental ou acessibilidade, analisadas a partir de registros ou observação direta. A análise semiótica baseia-se em Morris (1976), examinando sintaxe, semântica e pragmática, com auxílio de quadros analíticos. Por fim, o terceiro objetivo busca analisar interpretações e percepções sensoriais de crianças cegas ao interagirem com um exemplar selecionado, identificando convergências e divergências entre sentidos pretendidos e emergentes da leitura tátil. Para essa etapa, adota-se a pesquisa focalizada (Flick, 2009), que consiste na apresentação de um estímulo e posterior coleta de impressões de participantes por meio de perguntas semiestruturadas, guiadas por quatro critérios: não- direcionamento; especificidade; espectro; profundidade e contexto pessoal. As repostas são organizadas em quadros comparativos de análise de estímulo e interpretações, considerando dimensões semióticas e adaptado de Cardoso e Pacheco (2017). Aplicando este método, espera-se elucidar a dimensão pragmática dos artefatos estudados, investigando como leitores cegos interpretam os sentidos propostos pelo projeto, mesmo na ausência de suporte verbal. Busca-se, assim, contribuir para reflexões sobre acessibilidade e produção de sentido no campo do design.
Palavras-chave: Design de livros, Livros não-verbais, Deficiência visual, Semiótica, Materialidade. Design de livros, Livros não-verbais, Deficiência visual, Semiótica, Materialidade.
DOI: 10.5151/1JPPD-0108
Referências bibliográficas
- [1] CARDOSO, C. E.; PACHECO, J. L. Método de Análise Semiótica na Perspectiva do Design. Design e Tecnologia, v. 7, n. 14, p. 91-107, 30 dez. 2017.
- [2] FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. São Paulo: Bookman, 2009.
- [3] MORRIS, Charles W. Fundamentos da teoria dos signos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1976.
- [4] MUNARI, Bruno. Das coisas nascem coisas. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1981.
Como citar:
Lima, André Moreira de; Mazzilli, Clice de Toledo Sanjar; "Proposição metodológica para estudo de materialidade e sentido em livros não-verbais para leitores cegos", p-279-280.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0108
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TY - CONF T1 - Proposição metodológica para estudo de materialidade e sentido em livros não-verbais para leitores cegos JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 279 EP - 280 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0108 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/proposicao-metodologica-para-estudo-de-materialidade-e-sentido-em-livros-nao-verbais-para-leitores-cegos KW - Design de livros, Livros não-verbais, Deficiência visual, Semiótica, Materialidade. ER -
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André Moreira de Lima, Clice de Toledo Sanjar Mazzilli, Proposição metodológica para estudo de materialidade e sentido em livros não-verbais para leitores cegos, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 279-280, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0108 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/proposicao-metodologica-para-estudo-de-materialidade-e-sentido-em-livros-nao-verbais-para-leitores-cegos) Palavras-chave:: Design de livros, Livros não-verbais, Deficiência visual, Semiótica, Materialidade.;