Blucher Design Proceedings
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Percepção tátil e usabilidade no vestuário impresso em 3D
Percepção tátil e usabilidade no vestuário impresso em 3D
Bem, Natani Aparecida do; Pasquarella, Luiz Carlos; Menezes, Marizilda dos Santos
Artigo:
1. Introdução A integração das inovações tecnológicas ao vestuário tem impulsionado o design de produto, destacando-se a impressão 3D como uma das principais transformações. Entre suas técnicas, a modelagem por deposição fundida (FDM) se sobressai pelo baixo custo e facilidade de aplicação, utilizando poliuretano termoplástico (TPU), material flexível e elástico ideal para produtos vestíveis (Spahiu; Ca Naj; Shehi, 2020). Na moda, o conforto percebido e a experiência sensorial são centrais na relação entre usuário e produto, pois textura e toque influenciam o julgamento dos consumidores (Nagamatsu, 2019). Assim, compreender como os usuários percebem o vestuário impresso em 3D é essencial para avaliar como o conforto afeta a usabilidade. Diante disso, este estudo, derivado da tese de doutorado já defendida, teve como objetivo verificar a percepção tátil dos usuários e seu impacto na aceitação de produtos de vestuário impressos em 3D. 2. Metodologia A pesquisa, de natureza exploratória e experimental, utilizou amostragem não probabilística com 32 participantes do curso de Moda da [omitido para revisão por pares], com idades entre 18 e 24 anos, seguindo as diretrizes éticas com aprovação pelo Comitê de Ética (CAAE 82341024.6.0000.0104). Foram comparadas duas jaquetas de mesmo modelo: uma impressa em 3D na técnica FDM, com filamento de TPU (Vestuário 3D), e outra confeccionada em renda de poliéster (Vestuário Controle). A percepção sensorial foi avaliada por Protocolo de Diferencial Semântico (DS), composto por pares de adjetivos opostos em escala Likert de sete pontos, base consistente para a coleta de dados subjetivos em testes de usabilidade (Albert e Tullis, 2023). A Figura 1 apresenta o roteiro da coleta de dados. Os dados foram analisados por estatística descritiva, obtendo-se mediana (Md), média (Me) e desvio padrão (d.p.) para cada par de adjetivos, considerando o nível de percepção das participantes (variável dependente) em relação aos objetos de estudo (variável independente). Para verificar diferenças significativas entre as variáveis, utilizou-se o software JASP 019.3.0, aplicando-se o teste de Shapiro-Wilk para os pressupostos normalidade e, diante da não conformidade (p≤0,05), o teste não paramétrico de Wilcoxon (p≤0,05) para comparação dos resultados (pareados) das variáveis independentes, totalizando cinco comparações dos critérios avaliados. 3. Resultados e discussão Os resultados (Figura 2), indicaram diferenças significativas na percepção entre os dois tipos de vestuário. O vestuário 3D foi avaliado como mais confortável (W=311.000; z=2.4710; p=0,013), cômodo (W=260.500; z=2.159; p=0,030), agradável (W=233.000; z=2.889; p=0,004) e adequado (W=108.000; z=2.068; p=0,032) em relação ao vestuário controle. No par “Inutilizável–Utilizável”, não houve diferença significativa (p>0,05), embora o vestuário 3D tenha apresentado médias superiores. Esses achados indicam que, quantitativamente, o vestuário 3D foi mais confortável e usável, embora ambos apresentem limitações distintas. A análise confirma que a percepção tátil influencia diretamente a aceitação do produto, reforçando a importância da escolha adequada de material, fator que afeta o desempenho sensorial (Ashby; Johnson, 2011). 4. Considerações Finais Embora o conforto tenha sido bem avaliado no vestuário 3D, ainda existem percepções ambíguas quanto ao uso prolongado. O vestuário controle apresentou menor aceitação, possivelmente em função das propriedades do material. Assim, a aceitação do vestuário 3D depende do equilíbrio entre matéria-prima e desempenho ergonômico. Recomenda-se aprofundar experimentos com outros materiais e parâmetros de impressão, integrando critérios técnicos, ergonômicos e estéticos no processo de design.
1. Introdução A integração das inovações tecnológicas ao vestuário tem impulsionado o design de produto, destacando-se a impressão 3D como uma das principais transformações. Entre suas técnicas, a modelagem por deposição fundida (FDM) se sobressai pelo baixo custo e facilidade de aplicação, utilizando poliuretano termoplástico (TPU), material flexível e elástico ideal para produtos vestíveis (Spahiu; Ca Naj; Shehi, 2020). Na moda, o conforto percebido e a experiência sensorial são centrais na relação entre usuário e produto, pois textura e toque influenciam o julgamento dos consumidores (Nagamatsu, 2019). Assim, compreender como os usuários percebem o vestuário impresso em 3D é essencial para avaliar como o conforto afeta a usabilidade. Diante disso, este estudo, derivado da tese de doutorado já defendida, teve como objetivo verificar a percepção tátil dos usuários e seu impacto na aceitação de produtos de vestuário impressos em 3D. 2. Metodologia A pesquisa, de natureza exploratória e experimental, utilizou amostragem não probabilística com 32 participantes do curso de Moda da [omitido para revisão por pares], com idades entre 18 e 24 anos, seguindo as diretrizes éticas com aprovação pelo Comitê de Ética (CAAE 82341024.6.0000.0104). Foram comparadas duas jaquetas de mesmo modelo: uma impressa em 3D na técnica FDM, com filamento de TPU (Vestuário 3D), e outra confeccionada em renda de poliéster (Vestuário Controle). A percepção sensorial foi avaliada por Protocolo de Diferencial Semântico (DS), composto por pares de adjetivos opostos em escala Likert de sete pontos, base consistente para a coleta de dados subjetivos em testes de usabilidade (Albert e Tullis, 2023). A Figura 1 apresenta o roteiro da coleta de dados. Os dados foram analisados por estatística descritiva, obtendo-se mediana (Md), média (Me) e desvio padrão (d.p.) para cada par de adjetivos, considerando o nível de percepção das participantes (variável dependente) em relação aos objetos de estudo (variável independente). Para verificar diferenças significativas entre as variáveis, utilizou-se o software JASP 019.3.0, aplicando-se o teste de Shapiro-Wilk para os pressupostos normalidade e, diante da não conformidade (p≤0,05), o teste não paramétrico de Wilcoxon (p≤0,05) para comparação dos resultados (pareados) das variáveis independentes, totalizando cinco comparações dos critérios avaliados. 3. Resultados e discussão Os resultados (Figura 2), indicaram diferenças significativas na percepção entre os dois tipos de vestuário. O vestuário 3D foi avaliado como mais confortável (W=311.000; z=2.4710; p=0,013), cômodo (W=260.500; z=2.159; p=0,030), agradável (W=233.000; z=2.889; p=0,004) e adequado (W=108.000; z=2.068; p=0,032) em relação ao vestuário controle. No par “Inutilizável–Utilizável”, não houve diferença significativa (p>0,05), embora o vestuário 3D tenha apresentado médias superiores. Esses achados indicam que, quantitativamente, o vestuário 3D foi mais confortável e usável, embora ambos apresentem limitações distintas. A análise confirma que a percepção tátil influencia diretamente a aceitação do produto, reforçando a importância da escolha adequada de material, fator que afeta o desempenho sensorial (Ashby; Johnson, 2011). 4. Considerações Finais Embora o conforto tenha sido bem avaliado no vestuário 3D, ainda existem percepções ambíguas quanto ao uso prolongado. O vestuário controle apresentou menor aceitação, possivelmente em função das propriedades do material. Assim, a aceitação do vestuário 3D depende do equilíbrio entre matéria-prima e desempenho ergonômico. Recomenda-se aprofundar experimentos com outros materiais e parâmetros de impressão, integrando critérios técnicos, ergonômicos e estéticos no processo de design.
Palavras-chave: Impressão 3D; conforto tátil; usabilidade; vestuário. Impressão 3D; conforto tátil; usabilidade; vestuário.
DOI: 10.5151/1JPPD-0025
Referências bibliográficas
- [1] ALBERT, B.; TULLIS, T. Measuring the User Experience: collecting, analyzing, and presenting usability metrics. 3.ed. Waltham, Morgan Kaufmann. 2023. 320p.
- [2] ASHBY, Michael; JOHNSON, kara. Materiais e design: arte e ciência na seleção de materiais no design de produto. Rio de janeiro: Elsevier, 2011. 360p.
- [3] NAGAMATSU, Rosimeiri Naomi. Avaliação das propriedades de conforto de um produto têxtil tridimensional por meio da metodologia de análise sensorial e instrumental no Brasil. 2019. 253p. Tese (Doutorado) - Universidade do Minho, Portugal, 2019.
- [4] SPAHIU, Tatjana; CANAJ, Eriseta; SHEHI, Ermira. 3D printing for clothing production. Journal of Engineered Fibers and Fabrics, v. 15, p.1-8, 2020. DOI:10.1177/1558925020948216.
Como citar:
Bem, Natani Aparecida do; Pasquarella, Luiz Carlos; Menezes, Marizilda dos Santos; "Percepção tátil e usabilidade no vestuário impresso em 3D", p-67-70.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0025
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Natani Aparecida do Bem, Luiz Carlos Pasquarella, Marizilda dos Santos Menezes, Percepção tátil e usabilidade no vestuário impresso em 3D, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 67-70, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0025 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/percepcao-tatil-e-usabilidade-no-vestuario-impresso-em-3d) Palavras-chave:: Impressão 3D; conforto tátil; usabilidade; vestuário.;