Blucher Design Proceedings
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Observação participante como método de pesquisa sobre ensino de design
Observação participante como método de pesquisa sobre ensino de design
Efrem, Rafael; Braga, Marcos da Costa
Artigo:
1. Introdução No segundo semestre de 2024, o primeiro autor iniciou o processo de observação participante para sua pesquisa de doutorado, cujo objetivo geral é compreender que conteúdos e práticas de ensino o(a) professor(a) pode manejar para engajar os(as) estudantes de Cursos Superiores de Tecnologia em Design Gráfico (CSTDG) na(s) disciplina(s) de História do Design. Ao todo, foram realizadas observações participantes em três instituições públicas federais, em três estados, com três professoras e um professor e sete turmas observadas: duas na primeira instituição, uma na segunda e quatro na última. Na primeira instituição, o tempo de observação foi de dois semestres, um semestre completo com cada turma; na segunda instituição, três meses e, na terceira, apenas um mês. Tendo em vista as diferenças de tempo dedicado a cada observação e as mudanças subjetivas causadas no primeiro autor no próprio processo das observações, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a observação participante como método para pesquisas sobre ensino de design em nível superior a partir da experiência deste autor, uma vez que as observações permitiram aprofundamento tal na realidade estudada – o ensino da disciplina de História do Design em Cursos Superiores de Tecnologia em Design Gráfico – que não seria possível de outra forma. Este resumo se movimenta na lógica de um pequeno relato de experiência entrelaçado com o referencial teórico sobre pesquisa qualitativa e observação participante (Marques, 2016; Minayo, 2007; Velho, 1978; Yin, 2016), colocando questões sobre ética, fronteiras do método, dialética contexto-observador(a) e necessidade de novos referenciais teóricos. 2. Observar participando Na primeira instituição, a professora a ser observada colocou duas questões ao pesquisador: qual o tipo de observação pretendida e como ela deveria apresentá-lo, se como um aluno novato, um professor da instituição ou um pesquisador externo. Dada a familiaridade com o objeto de estudo (Velho, 1978) e com o local – por se tratar do seu próprio ambiente de trabalho –, o primeiro autor sabia que não seria capaz de realizar uma observação não-participante. Eticamente, este autor também sabia que esconder suas intenções não era a melhor forma de conseguir a confiança da turma (Marques, 2016; Yin, 2016), por isso era melhor ser apresentado como professor ‘da casa’ afastado para o doutorado. O primeiro autor decidiu comportar-se então de forma amistosa para angariar a simpatia dos(as) estudantes. A presença do pesquisador alterou significativamente a dinâmica do contexto na primeira instituição (Minayo, 2007), por ser parte do acordo que o primeiro autor desse ao menos uma aula, o que aconteceu mais de uma vez, chegando talvez a sobrepor o método da observação participante com o da pesquisa-ação. Na segunda instituição, o autor não ministrou nenhuma aula, mas aplicou uma atividade que levou o professor a recalibrar o processo avaliativo. O impacto da presença do primeiro autor nas turmas da terceira instituição foi consideravelmente menor, mas houve um amadurecimento deste na maneira de coletar os dados no diário de campo e no processo de análise ao passar a limpo as anotações para outro suporte. Ao observar uma das professoras da terceira instituição, colocou-se como imperiosa a necessidade de estudar a dimensão performática do ato de ensinar, não prevista no levantamento bibliográfico inicial. 3. Considerações Com a observação participante, o(a) pesquisador(a), ao entrar em campo, altera o contexto e é necessariamente alterado por ele. Observa e é observado(a). Enriquece a pesquisa em design com a pluralidade dos dados que não seriam obtidos de outra forma e se enriquece enquanto sujeito no processo.
1. Introdução No segundo semestre de 2024, o primeiro autor iniciou o processo de observação participante para sua pesquisa de doutorado, cujo objetivo geral é compreender que conteúdos e práticas de ensino o(a) professor(a) pode manejar para engajar os(as) estudantes de Cursos Superiores de Tecnologia em Design Gráfico (CSTDG) na(s) disciplina(s) de História do Design. Ao todo, foram realizadas observações participantes em três instituições públicas federais, em três estados, com três professoras e um professor e sete turmas observadas: duas na primeira instituição, uma na segunda e quatro na última. Na primeira instituição, o tempo de observação foi de dois semestres, um semestre completo com cada turma; na segunda instituição, três meses e, na terceira, apenas um mês. Tendo em vista as diferenças de tempo dedicado a cada observação e as mudanças subjetivas causadas no primeiro autor no próprio processo das observações, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a observação participante como método para pesquisas sobre ensino de design em nível superior a partir da experiência deste autor, uma vez que as observações permitiram aprofundamento tal na realidade estudada – o ensino da disciplina de História do Design em Cursos Superiores de Tecnologia em Design Gráfico – que não seria possível de outra forma. Este resumo se movimenta na lógica de um pequeno relato de experiência entrelaçado com o referencial teórico sobre pesquisa qualitativa e observação participante (Marques, 2016; Minayo, 2007; Velho, 1978; Yin, 2016), colocando questões sobre ética, fronteiras do método, dialética contexto-observador(a) e necessidade de novos referenciais teóricos. 2. Observar participando Na primeira instituição, a professora a ser observada colocou duas questões ao pesquisador: qual o tipo de observação pretendida e como ela deveria apresentá-lo, se como um aluno novato, um professor da instituição ou um pesquisador externo. Dada a familiaridade com o objeto de estudo (Velho, 1978) e com o local – por se tratar do seu próprio ambiente de trabalho –, o primeiro autor sabia que não seria capaz de realizar uma observação não-participante. Eticamente, este autor também sabia que esconder suas intenções não era a melhor forma de conseguir a confiança da turma (Marques, 2016; Yin, 2016), por isso era melhor ser apresentado como professor ‘da casa’ afastado para o doutorado. O primeiro autor decidiu comportar-se então de forma amistosa para angariar a simpatia dos(as) estudantes. A presença do pesquisador alterou significativamente a dinâmica do contexto na primeira instituição (Minayo, 2007), por ser parte do acordo que o primeiro autor desse ao menos uma aula, o que aconteceu mais de uma vez, chegando talvez a sobrepor o método da observação participante com o da pesquisa-ação. Na segunda instituição, o autor não ministrou nenhuma aula, mas aplicou uma atividade que levou o professor a recalibrar o processo avaliativo. O impacto da presença do primeiro autor nas turmas da terceira instituição foi consideravelmente menor, mas houve um amadurecimento deste na maneira de coletar os dados no diário de campo e no processo de análise ao passar a limpo as anotações para outro suporte. Ao observar uma das professoras da terceira instituição, colocou-se como imperiosa a necessidade de estudar a dimensão performática do ato de ensinar, não prevista no levantamento bibliográfico inicial. 3. Considerações Com a observação participante, o(a) pesquisador(a), ao entrar em campo, altera o contexto e é necessariamente alterado por ele. Observa e é observado(a). Enriquece a pesquisa em design com a pluralidade dos dados que não seriam obtidos de outra forma e se enriquece enquanto sujeito no processo.
Palavras-chave: Observação participante; Pesquisa qualitativa; Pedagogia do Design; Ensino de História do Design; Educação Superior Tecnológica Observação participante; Pesquisa qualitativa; Pedagogia do Design; Ensino de História do Design; Educação Superior Tecnológica
DOI: 10.5151/1JPPD-0100
Referências bibliográficas
- [1] MARQUES, Janote Pires. A "observação participante" na pesquisa de campo em Educação. Educação em foco, v. 19, n. 28, p. 263-284, 2016. Doi: <https://doi.org/10.24934/eef.v19i28.1221>. Acesso em: 27 jul. 2024.
- [2] MINAYO, Maria Cecília de Souza. Trabalho de campo: Contexto de observação, interação e descoberta. In: DESLANDES, Suelly Ferreira; GOMES, Romeu; MINAYO, Maria Cecília de Souza (Org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2007. pp. 61-78.
- [3] VELHO, Gilberto. Observando o Familiar. In: NUNES, Edson de Oliveira. (Org.). A Aventura Sociológica: Objetividade, Paixão, Improviso e Método na Pesquisa Social. Zahar Editores: Rio de Janeiro, 1978. pp. 36-46.
- [4] YIN, Robert K. Pesquisa qualitativa do início ao fim. Trad. Daniel Bueno. Porto Alegre: Penso, 2016.
Como citar:
Efrem, Rafael; Braga, Marcos da Costa; "Observação participante como método de pesquisa sobre ensino de design", p-259-260.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0100
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Rafael Efrem, Marcos da Costa Braga, Observação participante como método de pesquisa sobre ensino de design, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 259-260, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0100 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/observacao-participante-como-metodo-de-pesquisa-sobre-ensino-de-design) Palavras-chave:: Observação participante; Pesquisa qualitativa; Pedagogia do Design; Ensino de História do Design; Educação Superior Tecnológica;