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Memória, história e cultura: mapeamento de revistas de ideias e cultura (1928-1939) no norte do país
Memória, história e cultura: mapeamento de revistas de ideias e cultura (1928-1939) no norte do país
Siqueira, Leonardo Coelho; Braga, Marcos da Costa
Artigo:
Este texto apresenta um relato de pesquisa de campo a acervos na metade norte do país, mais especificamente no Amazonas, Pará e Maranhão. Aqui será pontuada uma breve reflexão sobre documentação histórica no Brasil, bem como sua preservação e conservação nos acervos/arquivos. O período investigado (1928-1939) é marcado por uma efervescência política, cultural e social no Brasil. Neste cenário, pode-se observar diversas manifestações que espelhavam projetos de identidade cultural nacionais (Siqueira, 2023; Bresciani in Hardman, 1988). Sabendo-se que a revista possuía importante papel comunicacional perante a sociedade da época, buscou-se compreender e mapear capas de revistas que poderiam, em alguma medida, ter representado os elementos de identidade cultural abordados pela Antropofagia. Cabe esclarecer que se busca capas de revistas sob os seguintes critérios: (1) ser uma capa produzida no período de 1928 a 1939; (2) possuir circulação regional ou nacional; (3) possuir elementos identificados da Antropofagia; (4) possuir ilustração. Os elementos da Antropofagia são categorizados conforme defino em Siqueira (2023): (1) Raça e Etnia; (2) Tropicalidade, fauna e flora; (3) Festividades e costumes; (4) Regionalismos, lendas e folclore nacionais. Em um primeiro momento, se identificou que não possuímos números de revistas indexados, armazenados e organizados digitalmente - o que confirmou um pressuposto. Sabendo disso e em contato com arquivos dos estados supracitados, foram identificados aqueles que poderiam possuir essa memória documentada. No Amazonas, localizou-se 8 bibliotecas e acervos, 12 espaços e centros culturais, 9 museus e 1 teatro. Destes, 4 bibliotecas e acervos, 5 espaços e centros culturais, 4 museus e 1 teatro poderiam ter algum material que interessaria à pesquisa em curso. Porém, não foram identificadas revistas amazonenses que atendessem aos critérios estipulados para a seleção das mesmas. Por outro lado, pode-se perceber que há revistas no período circulando nos níveis local, nacional e internacional. Contudo, vale destacar que a maior parte dos arquivos visitados foram compostos por doações e não possuem caráter de documentação da memória, tampouco uma lógica sistematizada e indexada de sua organização física e/ou digital. Por fim, ressalta-se que os números localizados se restringem aos espaços: Biblioteca Arthur Reis do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, Biblioteca Setorial do Museu Amazônico e Centro de Documentação e Memória da Amazônia. Os demais espaços não possuíam nenhuma revista do período catalogada e indexada em seus acervos no período de consulta (outubro de 2024). Já no estado do Pará, foram diagnosticados títulos paraenses do período, porém, em números isolados, o que não permite uma análise assertiva de seus elementos visuais e os indícios seriam insuficientes para uma contribuição sólida para a pesquisa em curso. Das 9 bibliotecas e acervos, 6 espaços e centros culturais, 4 museus e 3 teatros, apenas 2 bibliotecas poderiam ter algum material de interesse à pesquisa, sendo elas: a Biblioteca Pública Arthur Vianna e a Biblioteca Museu da UFPA. Aqui vale a ressalva de que esses dois arquivos paraenses estavam cuidados e organizados, devidamente catalogados, indexados e em processo de digitalização. A grande dificuldade aqui foi que os acervos paraenses são alimentados, também, de doações e recebem materiais já deteriorados. Mesmo com setores específicos de restauro e higienização frequente, muitas revistas são recebidas com perdas de informações em suas capas e miolos, indispensáveis para investigação em curso. Realização em março de 2025. Por fim: o Maranhão. A cultura se limita à vivência e, infelizmente, não há registro de sua memória. Para a busca de revistas maranhenses, foram consultadas 14 bibliotecas e acervos, 12 centros e espaços culturais, 6 museus e 3 teatros. Porém, apenas 3 bibliotecas e acervos, 6 centros e espaços culturais e 1 teatro sinalizaram positivamente para a documentação ou contexto de pesquisa. Porém, de tudo observado, apenas um número foi encontrado dentro do recorte da pesquisa e não obedecia aos critérios de seleção. Este número estaria localizado na Biblioteca Pública Benedito Leite. Novamente, é observado um problema na preservação e conservação dos números, além de um ambiente sem preparo e higiene necessária para manter as memórias dessas revistas vivas. Coletas em março de 2025. Conclui-se, portanto, a importância da conservação e memória em acervos brasileiros para estudos que tangem à memória gráfica e ao design gráfico nacional. Atravessamos momentos complexos para a preservação da memória e da cultura impressa em nosso país, o que fica evidente nas pesquisas de campo relatadas aqui.
Este texto apresenta um relato de pesquisa de campo a acervos na metade norte do país, mais especificamente no Amazonas, Pará e Maranhão. Aqui será pontuada uma breve reflexão sobre documentação histórica no Brasil, bem como sua preservação e conservação nos acervos/arquivos. O período investigado (1928-1939) é marcado por uma efervescência política, cultural e social no Brasil. Neste cenário, pode-se observar diversas manifestações que espelhavam projetos de identidade cultural nacionais (Siqueira, 2023; Bresciani in Hardman, 1988). Sabendo-se que a revista possuía importante papel comunicacional perante a sociedade da época, buscou-se compreender e mapear capas de revistas que poderiam, em alguma medida, ter representado os elementos de identidade cultural abordados pela Antropofagia. Cabe esclarecer que se busca capas de revistas sob os seguintes critérios: (1) ser uma capa produzida no período de 1928 a 1939; (2) possuir circulação regional ou nacional; (3) possuir elementos identificados da Antropofagia; (4) possuir ilustração. Os elementos da Antropofagia são categorizados conforme defino em Siqueira (2023): (1) Raça e Etnia; (2) Tropicalidade, fauna e flora; (3) Festividades e costumes; (4) Regionalismos, lendas e folclore nacionais. Em um primeiro momento, se identificou que não possuímos números de revistas indexados, armazenados e organizados digitalmente - o que confirmou um pressuposto. Sabendo disso e em contato com arquivos dos estados supracitados, foram identificados aqueles que poderiam possuir essa memória documentada. No Amazonas, localizou-se 8 bibliotecas e acervos, 12 espaços e centros culturais, 9 museus e 1 teatro. Destes, 4 bibliotecas e acervos, 5 espaços e centros culturais, 4 museus e 1 teatro poderiam ter algum material que interessaria à pesquisa em curso. Porém, não foram identificadas revistas amazonenses que atendessem aos critérios estipulados para a seleção das mesmas. Por outro lado, pode-se perceber que há revistas no período circulando nos níveis local, nacional e internacional. Contudo, vale destacar que a maior parte dos arquivos visitados foram compostos por doações e não possuem caráter de documentação da memória, tampouco uma lógica sistematizada e indexada de sua organização física e/ou digital. Por fim, ressalta-se que os números localizados se restringem aos espaços: Biblioteca Arthur Reis do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, Biblioteca Setorial do Museu Amazônico e Centro de Documentação e Memória da Amazônia. Os demais espaços não possuíam nenhuma revista do período catalogada e indexada em seus acervos no período de consulta (outubro de 2024). Já no estado do Pará, foram diagnosticados títulos paraenses do período, porém, em números isolados, o que não permite uma análise assertiva de seus elementos visuais e os indícios seriam insuficientes para uma contribuição sólida para a pesquisa em curso. Das 9 bibliotecas e acervos, 6 espaços e centros culturais, 4 museus e 3 teatros, apenas 2 bibliotecas poderiam ter algum material de interesse à pesquisa, sendo elas: a Biblioteca Pública Arthur Vianna e a Biblioteca Museu da UFPA. Aqui vale a ressalva de que esses dois arquivos paraenses estavam cuidados e organizados, devidamente catalogados, indexados e em processo de digitalização. A grande dificuldade aqui foi que os acervos paraenses são alimentados, também, de doações e recebem materiais já deteriorados. Mesmo com setores específicos de restauro e higienização frequente, muitas revistas são recebidas com perdas de informações em suas capas e miolos, indispensáveis para investigação em curso. Realização em março de 2025. Por fim: o Maranhão. A cultura se limita à vivência e, infelizmente, não há registro de sua memória. Para a busca de revistas maranhenses, foram consultadas 14 bibliotecas e acervos, 12 centros e espaços culturais, 6 museus e 3 teatros. Porém, apenas 3 bibliotecas e acervos, 6 centros e espaços culturais e 1 teatro sinalizaram positivamente para a documentação ou contexto de pesquisa. Porém, de tudo observado, apenas um número foi encontrado dentro do recorte da pesquisa e não obedecia aos critérios de seleção. Este número estaria localizado na Biblioteca Pública Benedito Leite. Novamente, é observado um problema na preservação e conservação dos números, além de um ambiente sem preparo e higiene necessária para manter as memórias dessas revistas vivas. Coletas em março de 2025. Conclui-se, portanto, a importância da conservação e memória em acervos brasileiros para estudos que tangem à memória gráfica e ao design gráfico nacional. Atravessamos momentos complexos para a preservação da memória e da cultura impressa em nosso país, o que fica evidente nas pesquisas de campo relatadas aqui.
Palavras-chave: acervos, memória, historiografia, design gráfico brasileiro, cultura impressa acervos, memória, historiografia, design gráfico brasileiro, cultura impressa
DOI: 10.5151/1JPPD-0085
Referências bibliográficas
- [1] BRESCIANI, Stella. Forjar a identidade brasileira nos anos 1920-1940. In: HARDMAN, Francisco. Morte e progresso: cultura brasileira como apagamento de rastros. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1998.
- [2] SIQUEIRA, Leonardo. Design gráfico brasileiro e a antropofagia: um estudo histórico-analítico das capas de revistas de ideias e de cultura paulistas (1928-1939). 2023. Dissertação (Mestrado em Design) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023. doi:10.11606/D.16.2023.tde-12012024-120815. Acesso em: 2025-10-02.
Como citar:
Siqueira, Leonardo Coelho; Braga, Marcos da Costa; "Memória, história e cultura: mapeamento de revistas de ideias e cultura (1928-1939) no norte do país", p-220-221.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0085
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TY - CONF T1 - Memória, história e cultura: mapeamento de revistas de ideias e cultura (1928-1939) no norte do país JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 220 EP - 221 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0085 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/memoria-historia-e-cultura-mapeamento-de-revistas-de-ideias-e-cultura-1928-1939-no-norte-do-pais KW - acervos, memória, historiografia, design gráfico brasileiro, cultura impressa ER -
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Leonardo Coelho Siqueira, Marcos da Costa Braga, Memória, história e cultura: mapeamento de revistas de ideias e cultura (1928-1939) no norte do país, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 220-221, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0085 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/memoria-historia-e-cultura-mapeamento-de-revistas-de-ideias-e-cultura-1928-1939-no-norte-do-pais) Palavras-chave:: acervos, memória, historiografia, design gráfico brasileiro, cultura impressa;