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Memória gráfica musical: as capas de disco do rock brasileiro dos anos 1980
Memória gráfica musical: as capas de disco do rock brasileiro dos anos 1980
Moretto, Paulo Eduardo; Farias, Priscila Lena
Artigo:
Nos anos 1980, em meio a intensas transformações sociopolíticas, econômicas e culturais, a juventude assumiu protagonismo e o rock consolidou-se como uma das principais expressões da cena urbana, assegurando às capas de discos um lugar definitivo no imaginário coletivo daquela geração. A tese Capas de disco do rock brasileiro dos anos 1980: uma análise visual, cultural e histórica (Moretto, 2023) teve por objetivo identificar elementos visuais recorrentes nestes artefatos e interpretá-los em relação ao contexto histórico, cultural e estético, com base nas relações do design gráfico com a cultura musical e visual da época. A formação do corpus teve início com a identificação de 160 discos de rock brasileiro dos anos 1980 na Discoteca Oneyda Alvarenga (Centro Cultural São Paulo - CCSP), mas as restrições de acesso ao material exigiram a adoção de estratégias alternativas. Para viabilizar o início das _x000c_análises, elaborou-se um acervo digital preliminar com 83 capas, reunidas a partir de publicações especializadas e de sites de bandas. Em seguida, formou-se um acervo físico, reunido ao longo de quatro anos em sebos e feiras de vinil na cidade de São Paulo, totalizando 155 discos produzidos entre 1979 e 1994 por 60 bandas e mais de 20 gravadoras (Figura 1). Esse conjunto possibilitou a observação detalhada de aspectos visuais, materiais e produtivos, superando as limitações do acervo digital inicial. As capas foram sistematicamente catalogadas em planilhas, considerando-se as características de suas composições visuais, assim como de seus elementos pictóricos e verbais, o que permitiu identificar aspectos recorrentes e singulares. A análise resultante também possibilitou estabelecer diálogos com referências visuais e culturais que marcaram a década. Um modelo de análise visual voltado ao estudo de conjuntos numerosos de artefatos gráficos foi concebido de modo a ser aplicável não apenas às capas de discos investigadas, mas também a outros suportes, como livros e cartazes. O modelo foi estruturado a partir das três dimensões da semiótica (sintática, semântica e pragmática), organizadas em quatro níveis de leitura: (1) caracterização dos elementos visuais constitutivos das peças gráficas; (2) análise da composições visuais; (3) consideração sobre a materialidade das capas entendidas como objetos tridimensionais; e (4) observação do corpus como conjunto, identificando características recorrentes. Essa estrutura possibilita iniciar a análise pela descrição morfológica e sintática dos elementos visuais, seguindo para a interpretação de seus potenciais comunicacionais em contextos socioculturais (dimensão semântica) e finalizar avaliando sua efetividade comunicacional (dimensão pragmática). A aplicação deste modelo (Tabela 1), seja em análises parciais de grupos e subgrupos com características comuns, seja na observação do corpus como um todo, permite um entendimento mais aprofundado das linguagens visuais utilizadas, de seus conteúdos e técnicas, bem como das relações entre tais produções gráficas e a cultura visual de um determinado momento histórico (Moretto e Farias, 2011). _x000c_A constituição de acervos, ou a reorganização daqueles já existentes, tem se mostrado como uma necessidade recorrente nas pesquisas no campo da memória gráfica (Farias e Braga, 2018), especialmente em países onde o Estado e a sociedade não assumiram previamente essa responsabilidade. Paralelamente, o desenvolvimento de um método de análise visual e de critérios de avaliação desse ferramental mostra-se fundamental para o campo do design gráfico, tanto no âmbito acadêmico quanto na prática profissional. Esses dois aspectos foram duas das principais contribuições desta pesquisa. Agradecimentos O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
Nos anos 1980, em meio a intensas transformações sociopolíticas, econômicas e culturais, a juventude assumiu protagonismo e o rock consolidou-se como uma das principais expressões da cena urbana, assegurando às capas de discos um lugar definitivo no imaginário coletivo daquela geração. A tese Capas de disco do rock brasileiro dos anos 1980: uma análise visual, cultural e histórica (Moretto, 2023) teve por objetivo identificar elementos visuais recorrentes nestes artefatos e interpretá-los em relação ao contexto histórico, cultural e estético, com base nas relações do design gráfico com a cultura musical e visual da época. A formação do corpus teve início com a identificação de 160 discos de rock brasileiro dos anos 1980 na Discoteca Oneyda Alvarenga (Centro Cultural São Paulo - CCSP), mas as restrições de acesso ao material exigiram a adoção de estratégias alternativas. Para viabilizar o início das _x000c_análises, elaborou-se um acervo digital preliminar com 83 capas, reunidas a partir de publicações especializadas e de sites de bandas. Em seguida, formou-se um acervo físico, reunido ao longo de quatro anos em sebos e feiras de vinil na cidade de São Paulo, totalizando 155 discos produzidos entre 1979 e 1994 por 60 bandas e mais de 20 gravadoras (Figura 1). Esse conjunto possibilitou a observação detalhada de aspectos visuais, materiais e produtivos, superando as limitações do acervo digital inicial. As capas foram sistematicamente catalogadas em planilhas, considerando-se as características de suas composições visuais, assim como de seus elementos pictóricos e verbais, o que permitiu identificar aspectos recorrentes e singulares. A análise resultante também possibilitou estabelecer diálogos com referências visuais e culturais que marcaram a década. Um modelo de análise visual voltado ao estudo de conjuntos numerosos de artefatos gráficos foi concebido de modo a ser aplicável não apenas às capas de discos investigadas, mas também a outros suportes, como livros e cartazes. O modelo foi estruturado a partir das três dimensões da semiótica (sintática, semântica e pragmática), organizadas em quatro níveis de leitura: (1) caracterização dos elementos visuais constitutivos das peças gráficas; (2) análise da composições visuais; (3) consideração sobre a materialidade das capas entendidas como objetos tridimensionais; e (4) observação do corpus como conjunto, identificando características recorrentes. Essa estrutura possibilita iniciar a análise pela descrição morfológica e sintática dos elementos visuais, seguindo para a interpretação de seus potenciais comunicacionais em contextos socioculturais (dimensão semântica) e finalizar avaliando sua efetividade comunicacional (dimensão pragmática). A aplicação deste modelo (Tabela 1), seja em análises parciais de grupos e subgrupos com características comuns, seja na observação do corpus como um todo, permite um entendimento mais aprofundado das linguagens visuais utilizadas, de seus conteúdos e técnicas, bem como das relações entre tais produções gráficas e a cultura visual de um determinado momento histórico (Moretto e Farias, 2011). _x000c_A constituição de acervos, ou a reorganização daqueles já existentes, tem se mostrado como uma necessidade recorrente nas pesquisas no campo da memória gráfica (Farias e Braga, 2018), especialmente em países onde o Estado e a sociedade não assumiram previamente essa responsabilidade. Paralelamente, o desenvolvimento de um método de análise visual e de critérios de avaliação desse ferramental mostra-se fundamental para o campo do design gráfico, tanto no âmbito acadêmico quanto na prática profissional. Esses dois aspectos foram duas das principais contribuições desta pesquisa. Agradecimentos O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
Palavras-chave: Memória gráfica, Formação de acervos, Análise visual, Capas de disco, Rock brasileiro dos anos 1980 Memória gráfica, Formação de acervos, Análise visual, Capas de disco, Rock brasileiro dos anos 1980
DOI: 10.5151/1JPPD-0099
Referências bibliográficas
- [1] FARIAS, Priscila L.; BRAGA, Marcos da C.. O que é memória gráfica. In: FARIAS, Priscila; BRAGA, Marcos da Costa (orgs.). Dez ensaios sobre memória gráfica. São Paulo: Blücher, 2018.
- [2] MORETTO, Paulo E.. Capas de disco do rock brasileiro dos anos 1980: uma análise visual, cultural e histórica. 2023. Tese (Doutorado em Design) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023. DOI: 10.11606/T.16.2023.tde-12122023-111907.
- [3] MORETTO, Paulo E.; FARIAS, Priscila L.. Capas de discos de rock brasileiro dos anos 1980: proposta de modelo de análise visual de conjuntos de artefatos gráficos. In: Anais do 10º CIDI | Congresso Internacional de Design da Informação, p. 1516-1527. São Paulo: Blucher, 2021.
Como citar:
Moretto, Paulo Eduardo; Farias, Priscila Lena; "Memória gráfica musical: as capas de disco do rock brasileiro dos anos 1980", p-256-258.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0099
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TY - CONF T1 - Memória gráfica musical: as capas de disco do rock brasileiro dos anos 1980 JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 256 EP - 258 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0099 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/memoria-grafica-musical-as-capas-de-disco-do-rock-brasileiro-dos-anos-1980 KW - Memória gráfica, Formação de acervos, Análise visual, Capas de disco, Rock brasileiro dos anos 1980 ER -
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Paulo Eduardo Moretto, Priscila Lena Farias, Memória gráfica musical: as capas de disco do rock brasileiro dos anos 1980, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 256-258, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0099 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/memoria-grafica-musical-as-capas-de-disco-do-rock-brasileiro-dos-anos-1980) Palavras-chave:: Memória gráfica, Formação de acervos, Análise visual, Capas de disco, Rock brasileiro dos anos 1980;