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Levantamento historiográfico do ensino têxtil no Sesc Pompeia: estabelecendo um recorte para a pesquisa
Levantamento historiográfico do ensino têxtil no Sesc Pompeia: estabelecendo um recorte para a pesquisa
Carvalho, João Victor B. S.; Barbosa, Lara Leite
Artigo:
Introdução As Oficinas de Criatividade do Sesc Pompeia são cursos livres dedicados a diversas disciplinas, como cerâmica, marcenaria, fotografia, pintura, gravura e têxtil, ofertados semestral e regularmente desde 1982. A oficina têxtil, onde se leciona tecelagem e tapeçaria, apresenta uma rica história atrelada a instituições que constituem o circuito paulistano de arte e design têxtil, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo), o Centro Paulista de Tapeçaria, o Liceu de Artes e Ofícios e o Museu da Casa Brasileira. Apesar disso, as lacunas historiográficas em torno dessa oficina indicam um objeto de estudo ainda não investigado pelos campos da história do design e da história da arte. Entende-se que parte disso se deve a uma história hegemônica, em que artefatos têxteis, bem como os espaços e as trajetórias envolvidos em sua elaboração costumam ser menos documentados e investigados em relação a outras disciplinas desses campos, especialmente trajetórias de mulheres (Almeida, 2022; Buckley, 2025), estabelecendo narrativas balizadas por categorias como gênero, raça, classe etc. (Scott, 1986) e as assimetrias suscitadas por elas. 2. Levantamentos e considerações sobre o recorte da pesquisa Portanto, preencher essas lacunas constitui o objetivo inicial desta pesquisa: investigar as tensões entre design, arte e artesanato no ensino têxtil das oficinas do Sesc Pompéia entre 1976 e 2026, considerando os artefatos têxteis ali produzidos, as trajetórias envolvidas em sua elaboração e as exposições por meio das quais se deu sua circulação. Foram realizados dois mapeamentos nos primeiros meses, sobre as trajetórias e exposições envolvidas no problema investigado. Ambos partiram de entrevistas semiestruturadas conforme as diretrizes de Alberti (2005), realizadas inicialmente com Tiyoko Tomikawa e Juan Ojea, dois dos professores da oficina, em 2022. Em 2025, entrevistas realizadas com Ana Cordeiro expandiram consideravelmente o mapeamento, cuja versão mais atualizada inclui vinte e nove trajetórias, entre professores, alunos, curadores e coordenadores envolvidos com a oficina. Além das entrevistas, foram realizados levantamentos nos acervos particulares de Ana Cordeiro e Mara Doratiotto, também ex-professoras das oficinas e, no caso de Mara, ex-aluna. Foram 410 páginas de itens do acervo de Ana e 323 do acervo de Mara digitalizadas, entre documentos, impressos institucionais, e imagens do cotidiano da oficina têxtil. Tendo em vista o grande número de trajetórias mapeadas e o volume expressivo de dados iconográficos e documentais levantados inicialmente, surgiu a necessidade de se estabelecer um recorte mais situado para a pesquisa. Pensando nesse recorte, um caminho possível é o de discutir apenas as trajetórias femininas levantadas, entendendo que a pesquisa parte da articulação da literatura sobre gênero à literatura de história do design, aprofundando questões específicas dessas trajetórias e estabelecendo uma narrativa. Um outro ponto relevante é que, a partir da leitura de Alpers (2009) no campo da sociologia da arte, fica evidente o desafio que a reconstituição de uma trajetória a partir de uma análise formal dos artefatos apresenta. Transpor a análise que a autora faz para os artefatos têxteis das oficinas do Sesc Pompeia seria um problema de pesquisa em si, o que demandaria outro referencial teórico e outros métodos, o que pode criar fragilidades metodológicas. Assim, os artefatos deixam de ser uma preocupação da pesquisa no momento. Finalmente, como um esboço de um objetivo melhor situado, tem-se que esta pesquisa buscará investigar a participação feminina no ensino têxtil das oficinas do Sesc Pompeia entre 1976 e 2026, buscando situar essas trajetórias a partir da articulação entre design, arte e artesanato.
Introdução As Oficinas de Criatividade do Sesc Pompeia são cursos livres dedicados a diversas disciplinas, como cerâmica, marcenaria, fotografia, pintura, gravura e têxtil, ofertados semestral e regularmente desde 1982. A oficina têxtil, onde se leciona tecelagem e tapeçaria, apresenta uma rica história atrelada a instituições que constituem o circuito paulistano de arte e design têxtil, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo), o Centro Paulista de Tapeçaria, o Liceu de Artes e Ofícios e o Museu da Casa Brasileira. Apesar disso, as lacunas historiográficas em torno dessa oficina indicam um objeto de estudo ainda não investigado pelos campos da história do design e da história da arte. Entende-se que parte disso se deve a uma história hegemônica, em que artefatos têxteis, bem como os espaços e as trajetórias envolvidos em sua elaboração costumam ser menos documentados e investigados em relação a outras disciplinas desses campos, especialmente trajetórias de mulheres (Almeida, 2022; Buckley, 2025), estabelecendo narrativas balizadas por categorias como gênero, raça, classe etc. (Scott, 1986) e as assimetrias suscitadas por elas. 2. Levantamentos e considerações sobre o recorte da pesquisa Portanto, preencher essas lacunas constitui o objetivo inicial desta pesquisa: investigar as tensões entre design, arte e artesanato no ensino têxtil das oficinas do Sesc Pompéia entre 1976 e 2026, considerando os artefatos têxteis ali produzidos, as trajetórias envolvidas em sua elaboração e as exposições por meio das quais se deu sua circulação. Foram realizados dois mapeamentos nos primeiros meses, sobre as trajetórias e exposições envolvidas no problema investigado. Ambos partiram de entrevistas semiestruturadas conforme as diretrizes de Alberti (2005), realizadas inicialmente com Tiyoko Tomikawa e Juan Ojea, dois dos professores da oficina, em 2022. Em 2025, entrevistas realizadas com Ana Cordeiro expandiram consideravelmente o mapeamento, cuja versão mais atualizada inclui vinte e nove trajetórias, entre professores, alunos, curadores e coordenadores envolvidos com a oficina. Além das entrevistas, foram realizados levantamentos nos acervos particulares de Ana Cordeiro e Mara Doratiotto, também ex-professoras das oficinas e, no caso de Mara, ex-aluna. Foram 410 páginas de itens do acervo de Ana e 323 do acervo de Mara digitalizadas, entre documentos, impressos institucionais, e imagens do cotidiano da oficina têxtil. Tendo em vista o grande número de trajetórias mapeadas e o volume expressivo de dados iconográficos e documentais levantados inicialmente, surgiu a necessidade de se estabelecer um recorte mais situado para a pesquisa. Pensando nesse recorte, um caminho possível é o de discutir apenas as trajetórias femininas levantadas, entendendo que a pesquisa parte da articulação da literatura sobre gênero à literatura de história do design, aprofundando questões específicas dessas trajetórias e estabelecendo uma narrativa. Um outro ponto relevante é que, a partir da leitura de Alpers (2009) no campo da sociologia da arte, fica evidente o desafio que a reconstituição de uma trajetória a partir de uma análise formal dos artefatos apresenta. Transpor a análise que a autora faz para os artefatos têxteis das oficinas do Sesc Pompeia seria um problema de pesquisa em si, o que demandaria outro referencial teórico e outros métodos, o que pode criar fragilidades metodológicas. Assim, os artefatos deixam de ser uma preocupação da pesquisa no momento. Finalmente, como um esboço de um objetivo melhor situado, tem-se que esta pesquisa buscará investigar a participação feminina no ensino têxtil das oficinas do Sesc Pompeia entre 1976 e 2026, buscando situar essas trajetórias a partir da articulação entre design, arte e artesanato.
Palavras-chave: Ensino têxtil; História das mulheres; Gênero Ensino têxtil; História das mulheres; Gênero
DOI: 10.5151/1JPPD-0082
Referências bibliográficas
- [1] ALBERTI, Verena. Manual de história oral. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005.
- [2] ALMEIDA, Ana Julia Melo. Mulheres e profissionalização no design: trajetórias e artefatos têxteis nos museus-escolas MASP e MAM Rio. Tese (doutorado) defendida no Programa de Pós-Graduação em Design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2022.
- [3] ALPERS, Svetlana. O projeto de Rembrandt. O ateliê e o mercado. São Paulo: Cia das Letras, 2009.
- [4] BUCKLEY, Cheryl. Design no patriarcado. Apresentação de Bibiana Oliveira Serpa. São Paulo: Clube do Livro do Design; Bikini Books, 2025. 240 pp.
- [5] SCOTT, Joan. Gender: A Useful Category of Historical Analysis. The American Historical Review, vol. 91, n. 5, 1986, p. 1053-1075.
Como citar:
Carvalho, João Victor B. S.; Barbosa, Lara Leite; "Levantamento historiográfico do ensino têxtil no Sesc Pompeia: estabelecendo um recorte para a pesquisa", p-213-214.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0082
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TY - CONF T1 - Levantamento historiográfico do ensino têxtil no Sesc Pompeia: estabelecendo um recorte para a pesquisa JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 213 EP - 214 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0082 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/levantamento-historiografico-do-ensino-textil-no-sesc-pompeia-estabelecendo-um-recorte-para-a-pesquisa KW - Ensino têxtil; História das mulheres; Gênero ER -
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João Victor B. S. Carvalho, Lara Leite Barbosa, Levantamento historiográfico do ensino têxtil no Sesc Pompeia: estabelecendo um recorte para a pesquisa, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 213-214, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0082 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/levantamento-historiografico-do-ensino-textil-no-sesc-pompeia-estabelecendo-um-recorte-para-a-pesquisa) Palavras-chave:: Ensino têxtil; História das mulheres; Gênero;