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Grau de adensamento e esgarçamento da estrutura produtiva

Morceiro, Paulo César; Guilhoto, Joaquim José Martins;

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A industrialização brasileira por substituição de importações proporcionou níveis elevados de adensamento produtivo, contudo, esses níveis reduziram-se após a abertura comercial. Porém, os estudos existentes utilizaram desagregação setorial que não permite identificar nichos produtivos adensados ou esgarçados dentre dos setores manufatureiros. Este trabalho mapeou e analisou, pela primeira vez para o Brasil, o grau de adensamento produtivo de todas as 258 classes industriais a partir de dados inéditos obtidos do IBGE. Assim, o estudo identificou os nichos mais e menos adensados, possíveis alvos das políticas públicas. Resultados relevam que as classes de baixa e média-baixa tecnologia continuam predominantemente adensadas, porém, metade das classes industriais de alta e média-alta tecnologia possui esgarçamento produtivo moderado a elevado, sendo algumas classes tecnológicas já maquiladoras. Conclui-se que o esgarçamento das classes industriais mais tecnológicas pode retardar o desenvolvimento brasileiro, sobretudo quanto à Ciência, Tecnologia e Inovação.

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Palavras-chave: Adensamento produtivo; desenvolvimento industrial; insumos intermediários; desindustrialização; indústria maquiladora,

Palavras-chave:

DOI: 10.5151/iv-enei-2019-1.1-035

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Como citar:

Morceiro, Paulo César; Guilhoto, Joaquim José Martins; "Grau de adensamento e esgarçamento da estrutura produtiva", p. 37-52 . In: Anais do IV Encontro Nacional de Economia Industrial e Inovação. São Paulo: Blucher, 2019.
ISSN 2357-7592, DOI 10.5151/iv-enei-2019-1.1-035

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