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Gestão de Resíduos Têxteis em Bauru
Gestão de Resíduos Têxteis em Bauru
Verdelli, Caio Matheus de Almeida; Duarte, Adriana Yumi Sato
Artigo:
1. Resumo Quando bilhões de pessoas optam por descartar suas roupas, seja no âmbito doméstico ou institucional, surge uma questão inevitável: qual o destino de todo esse volume de resíduos sólidos? Com a intensificação do consumo impulsionado pelo fast fashion e pela facilidade de acesso a peças de baixo custo, o descarte têxtil se consolidou como um dos principais desafios socioambientais da atualidade. De acordo com a Abrema (2025), mais de 92 milhões de toneladas de vestuário são escartadas anualmente no mundo, e as projeções apontam que esse número poderá dobrar até 2030. Diante desse cenário, é de urgência questionar o destino de tamanha quantidade de roupas que perdem sua utilidade. O município de Bauru não possui monitoramento específico de resíduos têxteis e envia todo o seu lixo ao aterro de Piratininga. Conforme a Câmara Municipal de Bauru (2021), o antigo aterro municipal foi desativado após atingir sua capacidade máxima e segue em processo de decomposição por cerca de vinte anos, permanecendo sob monitoramento da Emdurb conforme normas ambientais. Assim, a reativação do aterro de Bauru é considerada inviável, mas discute-se na Câmara Municipal o uso de terrenos vizinhos, novos licenciamentos ambientais e Parcerias Público-Privadas para gestão de resíduos, dado que o município gasta cerca de R$8 milhões anuais para destinar lixo a Piratininga. Apenas 3% das cerca de 300 toneladas diárias de resíduos coletados são recicladas; o restante é gerido pela Emdurb (Câmara Municipal de Bauru, 2021). Apesar da disponibilidade de dados sobre resíduos urbanos, não há menção específica ao descarte têxtil nem no portal oficial da prefeitura, nem no Plano Municipal de Saneamento Básico de Bauru (2016). O documento, com 159 páginas, aborda legislações, diagnósticos e classificações de resíduos sólidos, mas não traz registros sobre “têxtil” ou “vestuário”. A palavra “roupa” aparece apenas no termo “guarda-roupas”, e o termo “tecido” é citado quatro vezes, sendo duas em referência a “tecido adiposo” e duas relacionadas a resíduos de vestuário, estas incluídas na categoria genérica “Diversos”, que agrupa madeira, tecidos, isopor e brinquedos. O próprio plano reconhece que classificações mais específicas poderiam aprimorar o controle e a gestão dos resíduos locais. Em contrapartida à gestão dos aterros, a atuação da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (ASCAM) destaca-se pela integração entre sustentabilidade e inclusão social. Criada em 2018, reúne as cooperativas, responsáveis pela coleta seletiva e gestão de ecopontos. Em sete meses, coletou mais de 2 milhões de quilos de recicláveis, reforçando seu papel na PNRS (ASCAM, 2025). Em 2021, lançou campanha permanente de educação ambiental e apoiou os projetos Reuse e Crisálida, voltados ao reaproveitamento de materiais e roupas. Entre 2020 e 2021, o Reuse reaproveitou 1.947 itens e o Crisálida recebeu mais de cinco mil peças. A crescente preocupação com os impactos do descarte têxtil evidencia a necessidade de políticas públicas integradas e gestão eficiente voltadas ao reaproveitamento de materiais. Nesse contexto, o Design assume um papel estratégico ao transformar resíduos em recursos por meio de práticas como o upcycling e o desenvolvimento de sistemas de reaproveitamento, contribuindo para a extensão do ciclo de vida dos materiais e a redução do descarte. As iniciativas da ASCAM, em Bauru, demonstram o potencial de articulação entre sustentabilidade, inclusão social e inovação; contudo, a ausência de dados específicos sobre resíduos têxteis revela uma lacuna na governança municipal. Sem diagnósticos técnicos e informações consistentes, torna-se inviável mensurar impactos, definir metas e implementar estratégias eficazes, reforçando a urgência de abordagens sistêmicas nas quais o Design atue como mediador entre políticas públicas, circularidade e transformação socioambiental.
1. Resumo Quando bilhões de pessoas optam por descartar suas roupas, seja no âmbito doméstico ou institucional, surge uma questão inevitável: qual o destino de todo esse volume de resíduos sólidos? Com a intensificação do consumo impulsionado pelo fast fashion e pela facilidade de acesso a peças de baixo custo, o descarte têxtil se consolidou como um dos principais desafios socioambientais da atualidade. De acordo com a Abrema (2025), mais de 92 milhões de toneladas de vestuário são escartadas anualmente no mundo, e as projeções apontam que esse número poderá dobrar até 2030. Diante desse cenário, é de urgência questionar o destino de tamanha quantidade de roupas que perdem sua utilidade. O município de Bauru não possui monitoramento específico de resíduos têxteis e envia todo o seu lixo ao aterro de Piratininga. Conforme a Câmara Municipal de Bauru (2021), o antigo aterro municipal foi desativado após atingir sua capacidade máxima e segue em processo de decomposição por cerca de vinte anos, permanecendo sob monitoramento da Emdurb conforme normas ambientais. Assim, a reativação do aterro de Bauru é considerada inviável, mas discute-se na Câmara Municipal o uso de terrenos vizinhos, novos licenciamentos ambientais e Parcerias Público-Privadas para gestão de resíduos, dado que o município gasta cerca de R$8 milhões anuais para destinar lixo a Piratininga. Apenas 3% das cerca de 300 toneladas diárias de resíduos coletados são recicladas; o restante é gerido pela Emdurb (Câmara Municipal de Bauru, 2021). Apesar da disponibilidade de dados sobre resíduos urbanos, não há menção específica ao descarte têxtil nem no portal oficial da prefeitura, nem no Plano Municipal de Saneamento Básico de Bauru (2016). O documento, com 159 páginas, aborda legislações, diagnósticos e classificações de resíduos sólidos, mas não traz registros sobre “têxtil” ou “vestuário”. A palavra “roupa” aparece apenas no termo “guarda-roupas”, e o termo “tecido” é citado quatro vezes, sendo duas em referência a “tecido adiposo” e duas relacionadas a resíduos de vestuário, estas incluídas na categoria genérica “Diversos”, que agrupa madeira, tecidos, isopor e brinquedos. O próprio plano reconhece que classificações mais específicas poderiam aprimorar o controle e a gestão dos resíduos locais. Em contrapartida à gestão dos aterros, a atuação da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (ASCAM) destaca-se pela integração entre sustentabilidade e inclusão social. Criada em 2018, reúne as cooperativas, responsáveis pela coleta seletiva e gestão de ecopontos. Em sete meses, coletou mais de 2 milhões de quilos de recicláveis, reforçando seu papel na PNRS (ASCAM, 2025). Em 2021, lançou campanha permanente de educação ambiental e apoiou os projetos Reuse e Crisálida, voltados ao reaproveitamento de materiais e roupas. Entre 2020 e 2021, o Reuse reaproveitou 1.947 itens e o Crisálida recebeu mais de cinco mil peças. A crescente preocupação com os impactos do descarte têxtil evidencia a necessidade de políticas públicas integradas e gestão eficiente voltadas ao reaproveitamento de materiais. Nesse contexto, o Design assume um papel estratégico ao transformar resíduos em recursos por meio de práticas como o upcycling e o desenvolvimento de sistemas de reaproveitamento, contribuindo para a extensão do ciclo de vida dos materiais e a redução do descarte. As iniciativas da ASCAM, em Bauru, demonstram o potencial de articulação entre sustentabilidade, inclusão social e inovação; contudo, a ausência de dados específicos sobre resíduos têxteis revela uma lacuna na governança municipal. Sem diagnósticos técnicos e informações consistentes, torna-se inviável mensurar impactos, definir metas e implementar estratégias eficazes, reforçando a urgência de abordagens sistêmicas nas quais o Design atue como mediador entre políticas públicas, circularidade e transformação socioambiental.
Palavras-chave: Resíduos têxteis; sustentabilidade; design de moda Resíduos têxteis; sustentabilidade; design de moda
DOI: 10.5151/1JPPD-0036
Referências bibliográficas
- [1] ABREMA. Na era da moda rápida e barata, 80% do descarte têxtil vira lixo. [S. l.], 20 jan. 2025. Disponível em: https://www.abrema.org.br/2025/01/20/na-era-da-moda-rapida-e-barata-80-do-descarte-textil-vira-lixo/. Acesso em: 9 out. 2025.
- [2] ASCAM. Home. Bauru, SP, [s. d.]. Disponível em: https://ascam.org.br/. Acesso em: 9 out. 2025.
- [3] CÂMARA MUNICIPAL DE BAURU. Vereadores visitam Aterro Sanitário Municipal. Bauru: Portal da Câmara Municipal de Bauru, 19 mar. 2021. Disponível em: https://www.bauru.sp.leg.br/imprensa/noticias/vereadores-visitam-aterro-sanitario-municipal/. Acesso em: 9 out. 2025.
- [4] BAURU (Município). Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Plano Municipal de Saneamento Básico. Bauru, SP, [s. d.]. Disponível em: https://www2.bauru.sp.gov.br/semma/plano_saneamento.aspx. Acesso em: 9 out. 2025.
Como citar:
Verdelli, Caio Matheus de Almeida; Duarte, Adriana Yumi Sato; "Gestão de Resíduos Têxteis em Bauru", p-96-97.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0036
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Caio Matheus de Almeida Verdelli, Adriana Yumi Sato Duarte, Gestão de Resíduos Têxteis em Bauru, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 96-97, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0036 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/gestao-de-residuos-texteis-em-bauru) Palavras-chave:: Resíduos têxteis; sustentabilidade; design de moda;