Blucher Design Proceedings
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Design gráfico inclusivo e deficiência visual: Desenvolvimento de materiais didáticos táteis
Design gráfico inclusivo e deficiência visual: Desenvolvimento de materiais didáticos táteis
Bueno, Tayná Pereira; Henriques, Fernanda
Artigo:
A presença de crianças com deficiência visual em salas de aula regulares tem se ampliado no Brasil, refletindo avanços nas políticas de inclusão escolar. Entretanto, a disponibilidade de materiais didáticos acessíveis ainda é limitada, sobretudo no que se refere à qualidade gráfica, tátil e interativa desses recursos. Muitos professores relatam dificuldades para adaptar conteúdos visuais e utilizar recursos acessíveis, o que compromete a efetividade da inclusão educacional. A escassez de formação específica e de materiais pedagógicos inclusivos constitui um dos principais desafios enfrentados no contexto escolar (MARTINS; SILVA, 2016; REGIANI; MÓL, 2013; VILARONGA; CAIADO, 2013). Nesse contexto, o design gráfico inclusivo apresenta-se como um campo estratégico para a produção de materiais educativos acessíveis. Enquanto área dedicada à organização da informação e à mediação entre conteúdo e usuário, o design pode contribuir para a criação de recursos que ampliem o acesso à informação para pessoas com deficiência visual. Embora tecnologias assistivas, como a audiodescrição, representem avanços importantes, o tato permanece como um canal sensorial fundamental na apreensão de conteúdos visuais. Ventorino (2009) e Caiado (2003) reiteram que é um erro supervalorizar o canal visual de maneira autossuficiente e que o sentido háptico, assim como outros sentidos, não pode ser dissociado dos processos psíquicos. Em consonância com essa perspectiva, Bispo e Simões (2006) afirmam que o desenvolvimento de produtos acessíveis deve considerar diretrizes relacionadas à legibilidade, percepção tátil, contraste visual, organização espacial e interação sensorial. Nesse contexto, destaca-se a impressão 3D, na qual possibilita a adaptação de conteúdos visuais complexos — como mapas, esquemas científicos, representações arquitetônicas e obras de arte — para exploração tátil (LEMKE; ZUCHI SIPLE; BAR DE FIGUEIREDO, 2016). Além de favorecer a produção de objetos leves e portáteis, essa tecnologia apresenta potencial de escalabilidade e relativa acessibilidade econômica, ampliando as possibilidades de aplicação em contextos educacionais. Este estudo sintetiza uma pesquisa que busca identificar conteúdos de natureza visual presentes na grade curricular destinada a estudantes com deficiência visual e traduzi-los para o formato tátil. Desenvolvido em parceria com o Instituto Benjamin Constant, o projeto pretende fortalecer a articulação entre universidade e instituições de referência em inclusão, contribuindo para práticas pedagógicas mais acessíveis a estudantes cegos ou com baixa visão. Portanto, a investigação adota como referencial metodológico a Design-Based Research (DBR), abordagem voltada à criação e avaliação de soluções educacionais em contextos reais, estruturada em ciclos de diagnóstico, concepção, implementação, avaliação e refinamento (MCKENNEY; REEVES, 2012).
A presença de crianças com deficiência visual em salas de aula regulares tem se ampliado no Brasil, refletindo avanços nas políticas de inclusão escolar. Entretanto, a disponibilidade de materiais didáticos acessíveis ainda é limitada, sobretudo no que se refere à qualidade gráfica, tátil e interativa desses recursos. Muitos professores relatam dificuldades para adaptar conteúdos visuais e utilizar recursos acessíveis, o que compromete a efetividade da inclusão educacional. A escassez de formação específica e de materiais pedagógicos inclusivos constitui um dos principais desafios enfrentados no contexto escolar (MARTINS; SILVA, 2016; REGIANI; MÓL, 2013; VILARONGA; CAIADO, 2013). Nesse contexto, o design gráfico inclusivo apresenta-se como um campo estratégico para a produção de materiais educativos acessíveis. Enquanto área dedicada à organização da informação e à mediação entre conteúdo e usuário, o design pode contribuir para a criação de recursos que ampliem o acesso à informação para pessoas com deficiência visual. Embora tecnologias assistivas, como a audiodescrição, representem avanços importantes, o tato permanece como um canal sensorial fundamental na apreensão de conteúdos visuais. Ventorino (2009) e Caiado (2003) reiteram que é um erro supervalorizar o canal visual de maneira autossuficiente e que o sentido háptico, assim como outros sentidos, não pode ser dissociado dos processos psíquicos. Em consonância com essa perspectiva, Bispo e Simões (2006) afirmam que o desenvolvimento de produtos acessíveis deve considerar diretrizes relacionadas à legibilidade, percepção tátil, contraste visual, organização espacial e interação sensorial. Nesse contexto, destaca-se a impressão 3D, na qual possibilita a adaptação de conteúdos visuais complexos — como mapas, esquemas científicos, representações arquitetônicas e obras de arte — para exploração tátil (LEMKE; ZUCHI SIPLE; BAR DE FIGUEIREDO, 2016). Além de favorecer a produção de objetos leves e portáteis, essa tecnologia apresenta potencial de escalabilidade e relativa acessibilidade econômica, ampliando as possibilidades de aplicação em contextos educacionais. Este estudo sintetiza uma pesquisa que busca identificar conteúdos de natureza visual presentes na grade curricular destinada a estudantes com deficiência visual e traduzi-los para o formato tátil. Desenvolvido em parceria com o Instituto Benjamin Constant, o projeto pretende fortalecer a articulação entre universidade e instituições de referência em inclusão, contribuindo para práticas pedagógicas mais acessíveis a estudantes cegos ou com baixa visão. Portanto, a investigação adota como referencial metodológico a Design-Based Research (DBR), abordagem voltada à criação e avaliação de soluções educacionais em contextos reais, estruturada em ciclos de diagnóstico, concepção, implementação, avaliação e refinamento (MCKENNEY; REEVES, 2012).
Palavras-chave: Design gráfico inclusivo; sentido tátil; Educação inclusiva; Impressão 3D; Materiais táteis, Design gráfico inclusivo; sentido tátil; Educação inclusiva; Impressão 3D; Materiais táteis,
DOI: 10.5151/1JPPD-0140
Referências bibliográficas
- [1] BISPO, R. L.; SIMÕES, C. R. F. Design gráfico e inclusão: reflexões iniciais sobre o design centrado no usuário com deficiência visual. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN – P&D DESIGN, 2006, São Paulo. Anais do P&D Design 2006. São Paulo: FAU-USP, 2006.
- [2] CAIADO, K. R. M. Aluno deficiente visual na escola: lembranças e depoimentos. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2006.
- [3] LEMKE, R.; ZUCHI SIPLE, I.; BAR DE FIGUEIREDO, E. Objetos de aprendizagem para o ensino de cálculo: potencialidades de tecnologias 3D. RENOTE – Revista Novas Tecnologias na Educação, v. 14, n. 1, 2016.
- [4] MARTINS, M. J. F.; SILVA, A. R. Educação inclusiva e formação docente: desafios no cotidiano escolar. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 22, n. 4, p. 515–532, 2016.
- [5] MCKENNEY, S.; REEVES, T. C. Conducting educational design research. Abingdon: Routledge, 2012.
- [6] NUNES, S.; LOMÔNACO, J. F. B. O aluno cego: preconceitos e potencialidades. Psicologia Escolar e Educacional, v. 14, n. 1, p. 55–64, jan./jun. 2010.
- [7] REGIANI, A. M.; MÓL, L. B. As barreiras atitudinais e a formação docente na perspectiva da educação inclusiva. Revista Educação Especial, v. 26, n. 46, p. 715–728, 2013.
- [8] VENTORINI, S. E. Deficiência visual, práticas pedagógicas e material didático. Organização: Sílvia Elena Ventorini; Patrícia Assis da Silva; Gisa Fernanda Siega Rocha. São João del-Rei: Agência Carcará, 2016.
- [9] VILARONGA, C. A. R.; CAIADO, K. R. M. Processos de escolarização de pessoas com deficiência visual. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 19, n. 1, p. 61–78, mar. 2013. Acesso em: 15 mar. 2020.
Como citar:
Bueno, Tayná Pereira; Henriques, Fernanda; "Design gráfico inclusivo e deficiência visual: Desenvolvimento de materiais didáticos táteis", p-365-366.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0140
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Tayná Pereira Bueno, Fernanda Henriques, Design gráfico inclusivo e deficiência visual: Desenvolvimento de materiais didáticos táteis, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 365-366, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0140 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-grafico-inclusivo-e-deficiencia-visual-desenvolvimento-de-materiais-didaticos-tateis) Palavras-chave:: Design gráfico inclusivo; sentido tátil; Educação inclusiva; Impressão 3D; Materiais táteis,;