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Design, Emoção e Salas de Aula: Análise da Expressão Emocional de Estudantes do Ensino Médio
Design, Emoção e Salas de Aula: Análise da Expressão Emocional de Estudantes do Ensino Médio
Raposo, Felipe; Portugal, Cristina
Artigo:
1. Introdução O Design Emocional reconhece que a interação humana com artefatos e ambientes transcende a mera funcionalidade, sendo profundamente marcada por laços afetivos e simbólicos (Löbach, 2001). Nesse contexto, a sala de aula, como um ambiente que molda o desenvolvimento cognitivo e social (Bronfenbrenner, 1979), não é um espaço neutro; sua configuração e estética são percebidas pelos usuários, evocando respostas emocionais que podem afetar o processo de ensino-aprendizagem (Elali, 2003). A presente pesquisa, um recorte da dissertação "Salas de aula, design e emoção: uma investigação sobre a expressão emocional de estudantes do ensino médio" (Raposo, 2025), teve como objetivo analisar a expressão emocional de estudantes do 2o ano do Ensino Médio de uma escola pública estadual em Bauru/SP, Brasil, em relação ao ambiente de sua sala de aula. 2. Metodologia O estudo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) (CAAE no 82911924.7.0000.5663), adotou uma perspectiva quali-quantitativa, exploratória e descritiva. A amostra intencional foi composta por 30 estudantes (15 do sexo masculino e 15 do feminino) do 2o ano do Ensino Médio de uma escola de tempo integral, garantindo uma distribuição equânime. A coleta de dados foi realizada presencialmente com os participantes, utilizando um questionário digital. O cerne metodológico foi o Product Emotion Measurement Instrument (PrEMO), desenvolvido por Desmet (2002), uma escala de autorrelato não verbal que utiliza 14 expressões faciais animadas para medir emoções discretas. O ambiente da sala de aula foi avaliado de forma holística como o "produto" em questão. Para cada uma das 14 emoções apresentadas aos 30 participantes, a medição foi feita por meio de uma escala Likert tridimensional (sinto muito, sinto um pouco, não sinto). Essencialmente, a abordagem PrEMO foi complementada por um campo de resposta aberta, permitindo aos estudantes justificar suas escolhas emocionais e os elementos do ambiente que as motivaram. 3. Resultados e Discussão 3.1. Predominância de Emoções Negativas As emoções negativas foram as mais sentidas, evidenciando uma falha na infraestrutura. O Tédio foi a emoção mais expressa. Os respondentes relacionaram o tédio à rigidez da rotina, à uniformidade e falta de inovação. A Raiva foi a segunda mais prevalente (empatada com a Alegria), diretamente associada às condições precárias, fatores que desrespeitam o direito ao bem-estar e comprometem o foco (Evans, 2003). As emoções positivas foram frequentemente qualificadas como de baixa intensidade e atribuídas à interação entre pares. Isso indica que o fator humano funciona como um mecanismo de enfrentamento, compensando o déficit do projeto ambiental. 3.2. Implicações do Layout A análise das respostas sugere que o layout tradicional contribui indiretamente para a expressão negativa. À luz da teoria de Gibson (1979), compreende-se que o ambiente da sala de aula não é um receptáculo isolado, mas um ecossistema de affordances — oportunidades de ação fornecidas pelos elementos físicos, como mobiliário e equipamentos. A inflexibilidade do espaço relatada pelos usuários restringe as affordances para atividades colaborativas e de convivência.Consequentemente, a privação dessas oportunidades no ambiente escolar potencializa a percepção de emoções negativas, como tédio e raiva. 4. Conclusão O estudo demonstrou que a expressão emocional dos estudantes é um reflexo direto da qualidade do ambiente de aprendizado. As emoções negativas, vinculadas à precariedade física e à rotina, são fatores que merecem atenção urgente das políticas públicas, pois a emoção afeta o aprendizado e o engajamento. O Design deve ser ativamente empregado para criar ambientes flexíveis e confortáveis, em alinhamento com uma visão humanista da educação.
1. Introdução O Design Emocional reconhece que a interação humana com artefatos e ambientes transcende a mera funcionalidade, sendo profundamente marcada por laços afetivos e simbólicos (Löbach, 2001). Nesse contexto, a sala de aula, como um ambiente que molda o desenvolvimento cognitivo e social (Bronfenbrenner, 1979), não é um espaço neutro; sua configuração e estética são percebidas pelos usuários, evocando respostas emocionais que podem afetar o processo de ensino-aprendizagem (Elali, 2003). A presente pesquisa, um recorte da dissertação "Salas de aula, design e emoção: uma investigação sobre a expressão emocional de estudantes do ensino médio" (Raposo, 2025), teve como objetivo analisar a expressão emocional de estudantes do 2o ano do Ensino Médio de uma escola pública estadual em Bauru/SP, Brasil, em relação ao ambiente de sua sala de aula. 2. Metodologia O estudo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) (CAAE no 82911924.7.0000.5663), adotou uma perspectiva quali-quantitativa, exploratória e descritiva. A amostra intencional foi composta por 30 estudantes (15 do sexo masculino e 15 do feminino) do 2o ano do Ensino Médio de uma escola de tempo integral, garantindo uma distribuição equânime. A coleta de dados foi realizada presencialmente com os participantes, utilizando um questionário digital. O cerne metodológico foi o Product Emotion Measurement Instrument (PrEMO), desenvolvido por Desmet (2002), uma escala de autorrelato não verbal que utiliza 14 expressões faciais animadas para medir emoções discretas. O ambiente da sala de aula foi avaliado de forma holística como o "produto" em questão. Para cada uma das 14 emoções apresentadas aos 30 participantes, a medição foi feita por meio de uma escala Likert tridimensional (sinto muito, sinto um pouco, não sinto). Essencialmente, a abordagem PrEMO foi complementada por um campo de resposta aberta, permitindo aos estudantes justificar suas escolhas emocionais e os elementos do ambiente que as motivaram. 3. Resultados e Discussão 3.1. Predominância de Emoções Negativas As emoções negativas foram as mais sentidas, evidenciando uma falha na infraestrutura. O Tédio foi a emoção mais expressa. Os respondentes relacionaram o tédio à rigidez da rotina, à uniformidade e falta de inovação. A Raiva foi a segunda mais prevalente (empatada com a Alegria), diretamente associada às condições precárias, fatores que desrespeitam o direito ao bem-estar e comprometem o foco (Evans, 2003). As emoções positivas foram frequentemente qualificadas como de baixa intensidade e atribuídas à interação entre pares. Isso indica que o fator humano funciona como um mecanismo de enfrentamento, compensando o déficit do projeto ambiental. 3.2. Implicações do Layout A análise das respostas sugere que o layout tradicional contribui indiretamente para a expressão negativa. À luz da teoria de Gibson (1979), compreende-se que o ambiente da sala de aula não é um receptáculo isolado, mas um ecossistema de affordances — oportunidades de ação fornecidas pelos elementos físicos, como mobiliário e equipamentos. A inflexibilidade do espaço relatada pelos usuários restringe as affordances para atividades colaborativas e de convivência.Consequentemente, a privação dessas oportunidades no ambiente escolar potencializa a percepção de emoções negativas, como tédio e raiva. 4. Conclusão O estudo demonstrou que a expressão emocional dos estudantes é um reflexo direto da qualidade do ambiente de aprendizado. As emoções negativas, vinculadas à precariedade física e à rotina, são fatores que merecem atenção urgente das políticas públicas, pois a emoção afeta o aprendizado e o engajamento. O Design deve ser ativamente empregado para criar ambientes flexíveis e confortáveis, em alinhamento com uma visão humanista da educação.
Palavras-chave: Design Emocional; Design de Interiores; Ambiente Escolar; Ensino Médio; PrEMO. Design Emocional; Design de Interiores; Ambiente Escolar; Ensino Médio; PrEMO.
DOI: 10.5151/1JPPD-0014
Referências bibliográficas
- [1] BRONFENBRENNER, U. The ecology of human development: Experiments by nature and design. Harvard university press, 1979.
- [2] DESMET, P. M. A. Designing Emotions. Delft: Universidade Tecnológica de Delft, 2002.
- [3] ELALI, G. A. O ambiente da escola: uma discussão sobre a relação escola–natureza em educação infantil. 2003. Disponível em: <https://tinyurl.com/5x93emb4>. Acesso em: 30 de maio de 2024.
- [4] EVANS, G. W. The environment of childhood poverty. American Psychologist, v. 58, n. 2, p. 186-200, 2003.
- [5] GIBSON, J. J. The ecological approach to visual perception. Boston: Houghton Mifflin, 1979.
- [6] LAURANS, G.; DESMET, P. M. A. Developing 14 animated characters for non-verbal self-report of categorical emotions. Journal of Design Research, v. 15, n. 3-4, p. 214-233, 2017.
- [7] LÖBACH, B. Design industrial. São Paulo: Edgard Blücher, 2001.
- [8] RAPOSO, F. P. Salas de aula, design e emoção: uma investigação sobre a expressão emocional de estudantes do ensino médio. 2025. Dissertação (Mestrado em Design) – Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2025.
Como citar:
Raposo, Felipe; Portugal, Cristina; "Design, Emoção e Salas de Aula: Análise da Expressão Emocional de Estudantes do Ensino Médio", p-38-40.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0014
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Felipe Raposo, Cristina Portugal, Design, Emoção e Salas de Aula: Análise da Expressão Emocional de Estudantes do Ensino Médio, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 38-40, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0014 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-emocao-e-salas-de-aula-analise-da-expressao-emocional-de-estudantes-do-ensino-medio) Palavras-chave:: Design Emocional; Design de Interiores; Ambiente Escolar; Ensino Médio; PrEMO.;