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Design e Territórios Criativos: Métodos e Processos em Projetos Culturais
Design e Territórios Criativos: Métodos e Processos em Projetos Culturais
Melara, Lucas Furio; Barata, Tomas Queiroz Ferreira
Artigo:
1. Apresentação A presente pesquisa observa como projetos de design e cultura, no contexto de marcas-território, indicações geográficas (IG) e territórios criativos, contribuem para a transição de um cenário de crises interconectadas de pobreza, clima e saúde, denominado de sindemia global (The Lancet, 2019) para o de Proximidade Habitável (Manzini, 2024), que propõe comunidades intencionais, autônomas e organizadas em uma democracia centrada em projetos locais. A investigação explora a conexão entre design e cultura como mediadora entre economia, sustentabilidade e participação comunitária. O objetivo geral é realizar um estudo qualitativo e exploratório para investigar as contribuições metodológicas e instrumentais do design em projetos culturais territorializados. Os objetivos específicos pautam o estudo dos casos por meio de revisão de literatura, questionários a especialistas, identificação de relações conceituais entre design, cultura e território e a referenciação de métodos e processos de design, avaliando projetos sob critérios sociais, de governança, econômicos e ambientais. 2. Métodos e Desenvolvimento A avaliação dos estudos de caso foi estruturada em três fases (pré-produção, execução e pós-produção) e utiliza como referência critérios ESG da norma ABNT PR 2030 com indicadores específicos para cada dimensão. Sobre o caso do Selo de Indicação Geográfica de Procedência (IGP) do queijo da Canastra, a pesquisa observou a produção do queijo como base para um planejamento estratégico de economia criativa. No caso da Marca-Território "Dá Gosto Ser do Ribeira", a pesquisa analisou um plano estratégico de economia criativa que abrange 22 municípios e valoriza as culturas locais (caiçara, indígena, quilombola e japonesa), envolvendo cerca de 100 entrevistas em profundidade e oficinas com 250 cidadãos. A pesquisa também examinou o processo que levou Birigui a ser reconhecida como polo produtor de calçados infantis em 2023, revelando que este projeto teve uma característica mais técnica e institucional. O caso do Território Criativo - Kariri Criativo foi analisado como um projeto piloto para uma política de Estado, lançado pelo Ministério da Cultura e pelo Governo do Ceará 3. Resultados Parciais e Discussões A análise comparativa dos quatro casos revelou que o nível de participação comunitária e a aplicação do pensamento sistêmico estão diretamente ligados à sustentabilidade e ao impacto dos projetos. Os casos do Queijo da Canastra e "Dá Gosto Ser do Ribeira" destacam-se por adotarem modelos de inovação híbridos, com a maioria no envolvimento da comunidade nas decisões, apresentando índices significativos de retorno sobre o investimento (200% e 240%, respectivamente) e de apropriação local. Em contraste, o Selo de Birigui, com um modelo mais verticalizado (top-down) e menor envolvimento comunitário, apresentou dificuldades na adesão e no aproveitamento do selo, ainda que com retorno de investimento positivo (130%). Os projetos com maior participação também demonstraram maior maturidade em acessibilidade, responsabilidade social, ambiental e governança. Por meio de tabelas comparativas, debate-se que projetos de design e cultura, ao mobilizarem metodologias participativas e ferramentas do design sistêmico, fortalecem os territórios e criam respostas aos desafios da sindemia global.
1. Apresentação A presente pesquisa observa como projetos de design e cultura, no contexto de marcas-território, indicações geográficas (IG) e territórios criativos, contribuem para a transição de um cenário de crises interconectadas de pobreza, clima e saúde, denominado de sindemia global (The Lancet, 2019) para o de Proximidade Habitável (Manzini, 2024), que propõe comunidades intencionais, autônomas e organizadas em uma democracia centrada em projetos locais. A investigação explora a conexão entre design e cultura como mediadora entre economia, sustentabilidade e participação comunitária. O objetivo geral é realizar um estudo qualitativo e exploratório para investigar as contribuições metodológicas e instrumentais do design em projetos culturais territorializados. Os objetivos específicos pautam o estudo dos casos por meio de revisão de literatura, questionários a especialistas, identificação de relações conceituais entre design, cultura e território e a referenciação de métodos e processos de design, avaliando projetos sob critérios sociais, de governança, econômicos e ambientais. 2. Métodos e Desenvolvimento A avaliação dos estudos de caso foi estruturada em três fases (pré-produção, execução e pós-produção) e utiliza como referência critérios ESG da norma ABNT PR 2030 com indicadores específicos para cada dimensão. Sobre o caso do Selo de Indicação Geográfica de Procedência (IGP) do queijo da Canastra, a pesquisa observou a produção do queijo como base para um planejamento estratégico de economia criativa. No caso da Marca-Território "Dá Gosto Ser do Ribeira", a pesquisa analisou um plano estratégico de economia criativa que abrange 22 municípios e valoriza as culturas locais (caiçara, indígena, quilombola e japonesa), envolvendo cerca de 100 entrevistas em profundidade e oficinas com 250 cidadãos. A pesquisa também examinou o processo que levou Birigui a ser reconhecida como polo produtor de calçados infantis em 2023, revelando que este projeto teve uma característica mais técnica e institucional. O caso do Território Criativo - Kariri Criativo foi analisado como um projeto piloto para uma política de Estado, lançado pelo Ministério da Cultura e pelo Governo do Ceará 3. Resultados Parciais e Discussões A análise comparativa dos quatro casos revelou que o nível de participação comunitária e a aplicação do pensamento sistêmico estão diretamente ligados à sustentabilidade e ao impacto dos projetos. Os casos do Queijo da Canastra e "Dá Gosto Ser do Ribeira" destacam-se por adotarem modelos de inovação híbridos, com a maioria no envolvimento da comunidade nas decisões, apresentando índices significativos de retorno sobre o investimento (200% e 240%, respectivamente) e de apropriação local. Em contraste, o Selo de Birigui, com um modelo mais verticalizado (top-down) e menor envolvimento comunitário, apresentou dificuldades na adesão e no aproveitamento do selo, ainda que com retorno de investimento positivo (130%). Os projetos com maior participação também demonstraram maior maturidade em acessibilidade, responsabilidade social, ambiental e governança. Por meio de tabelas comparativas, debate-se que projetos de design e cultura, ao mobilizarem metodologias participativas e ferramentas do design sistêmico, fortalecem os territórios e criam respostas aos desafios da sindemia global.
Palavras-chave: Cultura, Design Sistêmico, Design Social, Proximidade, Território. Cultura, Design Sistêmico, Design Social, Proximidade, Território.
DOI: 10.5151/1JPPD-0054
Referências bibliográficas
- [1] BASTOS, Letícia Silva; CONSONI, Flávia Luciane; MESQUITA, Fernando Campos. Growth and productive sophistication of Minas Artisanal Cheese from Canastra: an analysis based on innovative processes in natural resources. Sociedade & Natureza, [S. l.], v. 36, n. 1, 2024. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/sociedadenatureza/article/view/69754. Acesso em: 25 jul. 2025.
- [2] BISTAGNINO, Luigi; Campagnaro, Cristian. Systemic Design. In: Michalos, A.C. (org.). Encyclopedia of Quality of Life and Well-Being Research. Dordrecht, Holanda: Springer, 2014.
- [3] BRASIL. Ministério da Cultura. Plano da Secretaria da Economia Criativa: Políticas, Diretrizes e Ações (2011-2014). Brasília: Ministério da Cultura, 2011. Disponível em: https://bit.ly/4ePkki7. Acesso em 20/05/2025.
- [4] MANZINI, Ezio. Proximidade habitável: ideias para a cidade que cuida. São Paulo: Editora Blucher, 2024.
- [5] SWINBURN, Boyd et al. A Sindemia Global da Obesidade, Desnutrição e Mudanças Climáticas: relatório da comissão Lancet. 2019. Londres, Reino Unido: THE LANCET. Disponível em https://bit.ly/3ROvA4o. Acesso em 21/02/2025.
Como citar:
Melara, Lucas Furio; Barata, Tomas Queiroz Ferreira; "Design e Territórios Criativos: Métodos e Processos em Projetos Culturais", p-144-145.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0054
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Lucas Furio Melara, Tomas Queiroz Ferreira Barata, Design e Territórios Criativos: Métodos e Processos em Projetos Culturais, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 144-145, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0054 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-e-territorios-criativos-metodos-e-processos-em-projetos-culturais) Palavras-chave:: Cultura, Design Sistêmico, Design Social, Proximidade, Território.;