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Design de Superfície Sustentável: Reinterpretando a Madeira Amazônica
Design de Superfície Sustentável: Reinterpretando a Madeira Amazônica
Pereira, Helder Alexandre Amorim; Barata, Tomas Queiroz Ferreira
Artigo:
Design de superfície e sustentabilidade O design de superfície, entendido como o campo projetual voltado à configuração estética e tátil das camadas perceptíveis de um material, assume papel estratégico na valorização de madeiras amazônicas provenientes de queda natural ou submersão prolongada em rios e igarapés. Segundo Schwartz (2008), as superfícies são elementos únicos, que estão presentes na transição, delimitação e geração de produtos diversos, seja revestindo ou como parte efetiva do produto, independentemente de sua natureza. A adoção de práticas sustentáveis de coleta e transformação, a exemplo do uso de madeiras caídas ou “pescadas”, insere-se na lógica da economia circular (figura1), na qual o resíduo torna- se insumo de valor, estendendo o ciclo de vida da matéria-prima e reduzindo impactos ambientais segundo Pires e Martins (2020). Novas perspectivas, trazem consigo a evolução dos processos de produção e deixa claro a necessidade de transformação de um paradigma baseado no uso indiscriminado de recursos como fontes de vantagens competitivas em outro que, ao utilizar de forma adequada os recursos, evita seu esgotamento e ainda os substitui por outros que não causem danos ao ambiente (Santos, 2012). A economia circular objetiva manter os produtos gerados em alto nível de utilidade e valor todo o tempo, conciliando o desenvolvimento com a dissociação do consumo de recursos finito, aprimorando o desenvolvimento bem como otimizando a produção de recursos sem potencializar riscos sistêmicos e danosos ao meio ambiente e a populações originais conforme definição da Fundação Ellen Macarthur Foundation (2015). Na fase de experimentação material, o foco está na exploração técnica da madeira reaproveitada. Diversas tecnologias, sendo estas tradicionais e digitais, podem ser integradas para gerar superfícies de alto valor estético e tátil. A modularidade é uma etapa onde a repetição consolida o caráter funcional e sistêmico do projeto. Tal modularidade favorece não apenas a flexibilidade estética, mas também a manutenção e reutilização das peças, reforçando o princípio da sustentabilidade por meio da longevidade do produto. Autores como Ruthschilling (2013) enfatizam que o design de superfície ultrapassa o campo decorativo e assume caráter projetual, responsável por qualificar a experiência sensorial e simbólica dos materiais. Papanek (2017) reforça a necessidade do designer atuar como agente de transformação social e ambiental, propondo soluções que conciliem beleza, ética e funcionalidade. Pelo exposto, evidencia-se a importância do reaproveitamento de madeiras tropicais como meio de valorizar o patrimônio florestal amazônico e reduzir o desperdício de recursos. O presente estudo permite que a sabedoria dos povos originários e a urgência da preservação, em uma reinterpretação cultural e ambiental, expresse a materialidade e a identidade cultural de um povo Segundo (Santos, 2014), ressignificando a madeira amazônica, para que deixe de ser vista como um mero substrato físico para tornar-se suporte de narrativas visuais que evocam a memória da floresta. Conclusões preliminares Diante do exposto, verifica-se que o design de superfície, articulado aos princípios da economia circular, constitui estratégia projetual pertinente para a valorização de madeiras amazônicas provenientes de queda natural ou submersão. Ao integrar experimentação material, tecnologias tradicionais e digitais e soluções modulares, o projeto amplia o ciclo de vida da matéria-prima e reduz impactos ambientais, em consonância com os fundamentos difundidos pela Fundação Ellen MacArthur. Observou-se ainda que a abordagem projetual contribui para a ressignificação simbólica da madeira amazônica, fortalecendo sua dimensão cultural e identitária. Como perspectivas, o estudo aponta para o aprofundamento de testes de desempenho, ampliação das aplicações em escala produtiva e consolidação de parcerias locais, visando estruturar cadeias sustentáveis baseadas no reaproveitamento de recursos florestais. Assim, reafirma-se o potencial do design de superfície como mediador entre inovação, sustentabilidade e valorização do patrimônio natural amazônico.
Design de superfície e sustentabilidade O design de superfície, entendido como o campo projetual voltado à configuração estética e tátil das camadas perceptíveis de um material, assume papel estratégico na valorização de madeiras amazônicas provenientes de queda natural ou submersão prolongada em rios e igarapés. Segundo Schwartz (2008), as superfícies são elementos únicos, que estão presentes na transição, delimitação e geração de produtos diversos, seja revestindo ou como parte efetiva do produto, independentemente de sua natureza. A adoção de práticas sustentáveis de coleta e transformação, a exemplo do uso de madeiras caídas ou “pescadas”, insere-se na lógica da economia circular (figura1), na qual o resíduo torna- se insumo de valor, estendendo o ciclo de vida da matéria-prima e reduzindo impactos ambientais segundo Pires e Martins (2020). Novas perspectivas, trazem consigo a evolução dos processos de produção e deixa claro a necessidade de transformação de um paradigma baseado no uso indiscriminado de recursos como fontes de vantagens competitivas em outro que, ao utilizar de forma adequada os recursos, evita seu esgotamento e ainda os substitui por outros que não causem danos ao ambiente (Santos, 2012). A economia circular objetiva manter os produtos gerados em alto nível de utilidade e valor todo o tempo, conciliando o desenvolvimento com a dissociação do consumo de recursos finito, aprimorando o desenvolvimento bem como otimizando a produção de recursos sem potencializar riscos sistêmicos e danosos ao meio ambiente e a populações originais conforme definição da Fundação Ellen Macarthur Foundation (2015). Na fase de experimentação material, o foco está na exploração técnica da madeira reaproveitada. Diversas tecnologias, sendo estas tradicionais e digitais, podem ser integradas para gerar superfícies de alto valor estético e tátil. A modularidade é uma etapa onde a repetição consolida o caráter funcional e sistêmico do projeto. Tal modularidade favorece não apenas a flexibilidade estética, mas também a manutenção e reutilização das peças, reforçando o princípio da sustentabilidade por meio da longevidade do produto. Autores como Ruthschilling (2013) enfatizam que o design de superfície ultrapassa o campo decorativo e assume caráter projetual, responsável por qualificar a experiência sensorial e simbólica dos materiais. Papanek (2017) reforça a necessidade do designer atuar como agente de transformação social e ambiental, propondo soluções que conciliem beleza, ética e funcionalidade. Pelo exposto, evidencia-se a importância do reaproveitamento de madeiras tropicais como meio de valorizar o patrimônio florestal amazônico e reduzir o desperdício de recursos. O presente estudo permite que a sabedoria dos povos originários e a urgência da preservação, em uma reinterpretação cultural e ambiental, expresse a materialidade e a identidade cultural de um povo Segundo (Santos, 2014), ressignificando a madeira amazônica, para que deixe de ser vista como um mero substrato físico para tornar-se suporte de narrativas visuais que evocam a memória da floresta. Conclusões preliminares Diante do exposto, verifica-se que o design de superfície, articulado aos princípios da economia circular, constitui estratégia projetual pertinente para a valorização de madeiras amazônicas provenientes de queda natural ou submersão. Ao integrar experimentação material, tecnologias tradicionais e digitais e soluções modulares, o projeto amplia o ciclo de vida da matéria-prima e reduz impactos ambientais, em consonância com os fundamentos difundidos pela Fundação Ellen MacArthur. Observou-se ainda que a abordagem projetual contribui para a ressignificação simbólica da madeira amazônica, fortalecendo sua dimensão cultural e identitária. Como perspectivas, o estudo aponta para o aprofundamento de testes de desempenho, ampliação das aplicações em escala produtiva e consolidação de parcerias locais, visando estruturar cadeias sustentáveis baseadas no reaproveitamento de recursos florestais. Assim, reafirma-se o potencial do design de superfície como mediador entre inovação, sustentabilidade e valorização do patrimônio natural amazônico.
Palavras-chave: Design; Superfície; Madeira; Sustentabilidade; Modularidade Design; Superfície; Madeira; Sustentabilidade; Modularidade
DOI: 10.5151/1JPPD-0046
Referências bibliográficas
- [1] COSTA, B. G. R. da; LAVERDE, A. Relações entre tecnologia e sustentabilidade no estudo da pré-fabricação e reuso da madeira. Uberlândia: [s.n.], 2024.
- [2] FUNDAÇÃO Ellen MacArthur. O compromisso global 2024. [S.l.]: Fundação Ellen MacArthur, 2024.
- [3] PAPANEK, Victor. Design para o mundo real: ecologia humana e mudança social. São Paulo: Blucher, 2017.
- [4] PIRES, Gilson Scholl; MARTINS, Cyntia Meireles. Economia circular e os avanços da temática: um estudo bibliográfico. In: COLÓQUIO ORGANIZAÇÕES, DESENVOLVIMENTO E SUSTENTABILIDADE, 11., 2020, Belém. Anais [...]. Belém: [s.n.], 2020.
- [5] RUTHSCHILLING, Evelise. Design de superfície: um campo em expansão. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2013.
- [6] SANTOS, Maria Cecília Loschiavo dos (coord.). Design, resíduo & dignidade. Colaboração de Maria Cecília Loschiavo dos Santos, Stuart Walker e Sylmara Lopes Francelino Gonçalves Dias. São Paulo: Editora Olhares, 2014.
- [7] SCHWARTZ, Ada Raquel Doederdlein. Design de superfície: por uma visão geométrica e tridimensional. 2008. Tese (Doutorado em Artes) – Faculdade de Artes, Artes e Comunicação, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2008.
Como citar:
Pereira, Helder Alexandre Amorim; Barata, Tomas Queiroz Ferreira; "Design de Superfície Sustentável: Reinterpretando a Madeira Amazônica", p-120-123.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0046
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TY - CONF T1 - Design de Superfície Sustentável: Reinterpretando a Madeira Amazônica JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 120 EP - 123 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0046 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-de-superficie-sustentavel-reinterpretando-a-madeira-amazonica KW - Design; Superfície; Madeira; Sustentabilidade; Modularidade ER -
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Helder Alexandre Amorim Pereira, Tomas Queiroz Ferreira Barata, Design de Superfície Sustentável: Reinterpretando a Madeira Amazônica, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 120-123, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0046 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-de-superficie-sustentavel-reinterpretando-a-madeira-amazonica) Palavras-chave:: Design; Superfície; Madeira; Sustentabilidade; Modularidade;