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Descolonizando o design expositivo: os desfiles de escolas de samba e o caso da X-9 Santista
Descolonizando o design expositivo: os desfiles de escolas de samba e o caso da X-9 Santista
Nunes, Cynthia Maria Rocha; Arantes, Priscila Almeida Cunha
Artigo:
1. Resumo Expandido Esta pesquisa investiga os desfiles das escolas de samba como práticas de design expositivo, compreendendo-os como narrativas visuais, sonoras e performativas de curta duração, articuladas em um espaço efêmero: a avenida. Ao deslocar o olhar do design expositivo dos museus e galerias para o Carnaval, propõe-se um enquadramento que reconhece a potência estética, política e pedagógica dessas manifestações, forjadas em contextos populares e afro-diaspóricos. Nesse sentido, os desfiles não apenas exibem criações artísticas, mas também constroem projetos coletivos de memória, resistência e pedagogia social, reconfigurando as fronteiras do que pode ser considerado design. O Carnaval brasileiro emerge da confluência entre tradições africanas, festas coloniais e resistências culturais, consolidando-se como expressão coletiva das camadas populares urbanas (SIMAS; MUSSA, 2023). Desde o Rio de Janeiro até cidades como Santos, no litoral de São Paulo, o desfile de escola de samba estrutura-se como encruzilhada de saberes — conceito proposto por Simas e Rufino (2020) —, onde espiritualidade, política, memória e invenção estética se entrecruzam. A avenida torna-se espaço expositivo efêmero, no qual artesãos, bordadeiras, escultores e carnavalescos mobilizam práticas projetuais de alta complexidade técnica e narrativa (GUIMARÃES, 2025). Para Cossio e Cattani (2010), o design de exposição constitui uma associação entre design e educação. Nesse sentido, os desfiles operam também como pedagogia popular: as escolas de samba funcionam como comunidades ligadas à ancestralidade, levando ao público conhecimentos historicamente marginalizados (SIMAS; RUFINO, 2020). A pesquisa adota como referência empírica a X-9 Santista, fundada em 1944 e pioneira na Baixada Santista. Sua trajetória é marcada por enredos contra-hegemônicos — "Na corte do Maracatu!" (1974), "O Grito heróico de um povo" (2017) e "Meu Nome é Favela" (2024) —, que evidenciam como a avenida pode converter-se em espaço de visibilidade de narrativas marginalizadas. O referencial teórico articula três eixos: (1) o samba como linguagem estética, histórica e política (SIMAS; MUSSA, 2023); (2) o design expositivo como prática narrativa e sensorial (COSSIO; _x000c_ Cynthia NUNES, Priscila ARANTES Os desfiles de Carnaval como design expositivo: aproximações a partir da X-9 Santista CATTANI, 2010); e (3) a encruzilhada como chave metodológica que conecta saberes coletivos, ancestralidade e pedagogia (SIMAS; RUFINO, 2020). A pesquisa encontra-se em fase de levantamento de dados, conjugando revisão bibliográfica, análise de registros audiovisuais e fotográficos dos desfiles da X-9, estudo de sinopses e enredos, e entrevistas semiestruturadas com carnavalescos e membros da comunidade. A relevância do estudo reside em propor um deslocamento epistemológico: reconhecer os desfiles carnavalescos como formas legítimas de exposição que articulam narrativas coletivas e saberes afro-diaspóricos. Com isso, amplia-se a compreensão do design expositivo para além das instituições formais de arte e museu, valorizando práticas culturais frequentemente invisibilizadas. Ao reconhecer o Carnaval como encante e como pedagogia popular (RUFINO, 2019), reafirma-se a centralidade das práticas culturais brasileiras na construção de pensamento crítico, estético e político.
1. Resumo Expandido Esta pesquisa investiga os desfiles das escolas de samba como práticas de design expositivo, compreendendo-os como narrativas visuais, sonoras e performativas de curta duração, articuladas em um espaço efêmero: a avenida. Ao deslocar o olhar do design expositivo dos museus e galerias para o Carnaval, propõe-se um enquadramento que reconhece a potência estética, política e pedagógica dessas manifestações, forjadas em contextos populares e afro-diaspóricos. Nesse sentido, os desfiles não apenas exibem criações artísticas, mas também constroem projetos coletivos de memória, resistência e pedagogia social, reconfigurando as fronteiras do que pode ser considerado design. O Carnaval brasileiro emerge da confluência entre tradições africanas, festas coloniais e resistências culturais, consolidando-se como expressão coletiva das camadas populares urbanas (SIMAS; MUSSA, 2023). Desde o Rio de Janeiro até cidades como Santos, no litoral de São Paulo, o desfile de escola de samba estrutura-se como encruzilhada de saberes — conceito proposto por Simas e Rufino (2020) —, onde espiritualidade, política, memória e invenção estética se entrecruzam. A avenida torna-se espaço expositivo efêmero, no qual artesãos, bordadeiras, escultores e carnavalescos mobilizam práticas projetuais de alta complexidade técnica e narrativa (GUIMARÃES, 2025). Para Cossio e Cattani (2010), o design de exposição constitui uma associação entre design e educação. Nesse sentido, os desfiles operam também como pedagogia popular: as escolas de samba funcionam como comunidades ligadas à ancestralidade, levando ao público conhecimentos historicamente marginalizados (SIMAS; RUFINO, 2020). A pesquisa adota como referência empírica a X-9 Santista, fundada em 1944 e pioneira na Baixada Santista. Sua trajetória é marcada por enredos contra-hegemônicos — "Na corte do Maracatu!" (1974), "O Grito heróico de um povo" (2017) e "Meu Nome é Favela" (2024) —, que evidenciam como a avenida pode converter-se em espaço de visibilidade de narrativas marginalizadas. O referencial teórico articula três eixos: (1) o samba como linguagem estética, histórica e política (SIMAS; MUSSA, 2023); (2) o design expositivo como prática narrativa e sensorial (COSSIO; _x000c_ Cynthia NUNES, Priscila ARANTES Os desfiles de Carnaval como design expositivo: aproximações a partir da X-9 Santista CATTANI, 2010); e (3) a encruzilhada como chave metodológica que conecta saberes coletivos, ancestralidade e pedagogia (SIMAS; RUFINO, 2020). A pesquisa encontra-se em fase de levantamento de dados, conjugando revisão bibliográfica, análise de registros audiovisuais e fotográficos dos desfiles da X-9, estudo de sinopses e enredos, e entrevistas semiestruturadas com carnavalescos e membros da comunidade. A relevância do estudo reside em propor um deslocamento epistemológico: reconhecer os desfiles carnavalescos como formas legítimas de exposição que articulam narrativas coletivas e saberes afro-diaspóricos. Com isso, amplia-se a compreensão do design expositivo para além das instituições formais de arte e museu, valorizando práticas culturais frequentemente invisibilizadas. Ao reconhecer o Carnaval como encante e como pedagogia popular (RUFINO, 2019), reafirma-se a centralidade das práticas culturais brasileiras na construção de pensamento crítico, estético e político.
Palavras-chave: Carnaval, design expositivo, encruzilhada, X-9 Santista, cultura afro-diaspórica Carnaval, design expositivo, encruzilhada, X-9 Santista, cultura afro-diaspórica
DOI: 10.5151/1JPPD-0070
Referências bibliográficas
- [1] COSSIO, Gustavo; CATTANI, Airton. Exposição como projeto: aproximações entre museografia, curadoria e design. In: SEMINÁRIO ARQUIMUSEUS, 5., 2010, Recife. Anais... Recife: Arqiomuseus, 2010. Disponível em: <https://arquimuseus.arq.br/anais-seminario_2010/eixo_ii/p2-artigo_gustavo_cossio_airton_cattani.pdf>. Acesso em: 04 mar. 2026.
- [2] GUIMARÃES, Miguel Pinto. Abre-alas: pra tudo se acabar na quarta-feira. In: DUARTE, Luisa; GUIMARÃES, Miguel Pinto (Orgs.). Pra tudo se acabar na quarta-feira: grandes criadores do Carnaval. Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2025. p. 15–30.
- [3] MUSSA, Alberto; SIMAS, Luiz Antonio. Sambas de enredo: história e arte. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2023.
- [4] RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.
- [5] SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Encantamento: sobre política de vida. Rio de Janeiro: Mórula, 2020.
Como citar:
Nunes, Cynthia Maria Rocha; Arantes, Priscila Almeida Cunha; "Descolonizando o design expositivo: os desfiles de escolas de samba e o caso da X-9 Santista", p-186-187.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0070
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TY - CONF T1 - Descolonizando o design expositivo: os desfiles de escolas de samba e o caso da X-9 Santista JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 186 EP - 187 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0070 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/descolonizando-o-design-expositivo-os-desfiles-de-escolas-de-samba-e-o-caso-da-x-9-santista KW - Carnaval, design expositivo, encruzilhada, X-9 Santista, cultura afro-diaspórica ER -
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Cynthia Maria Rocha Nunes, Priscila Almeida Cunha Arantes, Descolonizando o design expositivo: os desfiles de escolas de samba e o caso da X-9 Santista, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 186-187, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0070 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/descolonizando-o-design-expositivo-os-desfiles-de-escolas-de-samba-e-o-caso-da-x-9-santista) Palavras-chave:: Carnaval, design expositivo, encruzilhada, X-9 Santista, cultura afro-diaspórica;