Blucher Design Proceedings
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Das associações profissionais às associações de ensino e pesquisa: trajetória para a organização docente no campo do Design
Das associações profissionais às associações de ensino e pesquisa: trajetória para a organização docente no campo do Design
Ferreira, Eduardo Camillo K.; Braga, Marcos da Costa
Artigo:
Os marcos da institucionalização da pesquisa stricto sensu em Design são relativamente bem reconhecidos: a Revista Estudos em Design (1993), o Mestrado na PUC Rio (1994) e o P&D Design (1994). Para chegar a esse ponto, entretanto, há um longo histórico de organização dos docentes. O objetivo deste trabalho, desdobramento de mestrado concluído, é, via revisão narrativa de literatura, delinear a organização docente de Design desde as associações profissionais até as associações de ensino e pesquisa nos anos 1980/90. Trata-se de pesquisa histórica, qualitativa e exploratória, apoiada na dimensão da História Social e abordagem da Micro-História. Durante as décadas de 1960 e 1970 foi a Associação Brasileira de Desenho Industrial – ABDI e a Associação Profissional dos Desenhistas Industriais de Nível Superior do Rio de Janeiro – Apdins-RJ que pautaram o ensino, por meio da participação docente. A ABDI foi fundada em 1963, momento de institucionalização do design, com expressiva participação de docentes da Esdi e Fauusp (Braga, 2016). A ABDI tinha como objetivo estabelecer a profissão, ocupar mercado e regulamentar o campo para garantir atuação. Sua abordagem, todavia, tinha um viés cultural, aberta a qualquer pessoa interessada em Desenho Industrial, independentemente de sua formação original ou campo de atuação. Nesse período, a questão do ensino é tema recorrente: em 1964 acontece o ciclo de conferências na Fiesp, na fala “A formação do Desenhista Industrial”. Em 1964 e 1965 transcorreu o 1º Seminário de Ensino de Desenho Industrial (Ferreira, 2018, p. 77-80). Nos anos 1970, a organização profissional segmenta-se, e emerge na Apdins-RJ um núcleo interessado em representar especificamente aqueles agentes com formação superior em Desenho Industrial, criando uma linha demarcativa com os demais campos concorrentes. Desde sua constituição, um dos assuntos prioritários da associação foi o Currículo Mínimo (Ferreira, 2018, p. 109). De fato, a Apdins-RJ teve participação protagonista na escrita e condução da proposta de Currículo Mínimo de 1979, tendo influenciado como associação (Ferreira, 2018, p. 119-127). Ambas as associações abarcavam profissionais de mercado, estudantes e professores. Naquele período era comum a prática docente paralela à atuação no mercado de projetos, sendo ainda rara a busca por titulação acadêmica. A profissionalização como docente foi um fenômeno aprofundado ao longo dos anos 1980. Esse dado nos é revelado pelo Cadastramento Nacional de Desenhistas Industriais realizado pelo CNPq em 1983 (Ferreira, 2018, p. 143), quando observou-se que um dos mercados de trabalho que mais absorviam formados em Desenho Industrial era efetivamente o mercado de Ensino: aproximadamente 25% dos 1.219 respondentes exerciam atividade docente, revelando uma situação quase autofágica. Esse cenário convive com o declínio das associações profissionais de amplo espectro: a ABDI deixa de atuar nos anos 1980, e a Apdins-RJ perde muito de sua força a partir de 1985. Por outro lado, o associativismo docente ganha força: em 1984 acontece o 1º Encontro dos Diretores de Escolas Superiores de Desenho Industrial, organizado pela Esdi e patrocinado pelo MEC. É dele que sai a proposta de criação da Associação Brasileira das Entidades de Ensino de Desenho Industrial – ABEDI, que não se concretiza. Ainda assim, esse movimento revela um processo de autonomização do grupo profissional docente, que ganha massa crítica de pessoas (19 escolas participaram do Encontro de 1984) e força econômica suficiente (com patrocínio federal) para emancipar-se do fórum profissional. A força desse grupo prova-se em outro fórum docente: o workshop O Ensino de Design nos anos 1990, organizado pelo LDP/DI e de onde saiu a Carta de Canasvieiras, que estabeleceu a criação da Associação Brasileira de Ensino do Design – ABEnD. Em 1992, a ABEnD reorganiza-se em Associação de Ensino de Design – AEnD-BR. Nesse mesmo ano, um grupo carioca buscou instaurar um núcleo da associação no Rio de Janeiro, a AEnD-RJ. Esse grupo acaba por viabilizar a criação da Revista Estudos em Design, primeiro ato concreto da organização docente em direção à institucionalização da Pesquisa stricto sensu em Design (Ferreira, Braga, Freitas, 2025).
Os marcos da institucionalização da pesquisa stricto sensu em Design são relativamente bem reconhecidos: a Revista Estudos em Design (1993), o Mestrado na PUC Rio (1994) e o P&D Design (1994). Para chegar a esse ponto, entretanto, há um longo histórico de organização dos docentes. O objetivo deste trabalho, desdobramento de mestrado concluído, é, via revisão narrativa de literatura, delinear a organização docente de Design desde as associações profissionais até as associações de ensino e pesquisa nos anos 1980/90. Trata-se de pesquisa histórica, qualitativa e exploratória, apoiada na dimensão da História Social e abordagem da Micro-História. Durante as décadas de 1960 e 1970 foi a Associação Brasileira de Desenho Industrial – ABDI e a Associação Profissional dos Desenhistas Industriais de Nível Superior do Rio de Janeiro – Apdins-RJ que pautaram o ensino, por meio da participação docente. A ABDI foi fundada em 1963, momento de institucionalização do design, com expressiva participação de docentes da Esdi e Fauusp (Braga, 2016). A ABDI tinha como objetivo estabelecer a profissão, ocupar mercado e regulamentar o campo para garantir atuação. Sua abordagem, todavia, tinha um viés cultural, aberta a qualquer pessoa interessada em Desenho Industrial, independentemente de sua formação original ou campo de atuação. Nesse período, a questão do ensino é tema recorrente: em 1964 acontece o ciclo de conferências na Fiesp, na fala “A formação do Desenhista Industrial”. Em 1964 e 1965 transcorreu o 1º Seminário de Ensino de Desenho Industrial (Ferreira, 2018, p. 77-80). Nos anos 1970, a organização profissional segmenta-se, e emerge na Apdins-RJ um núcleo interessado em representar especificamente aqueles agentes com formação superior em Desenho Industrial, criando uma linha demarcativa com os demais campos concorrentes. Desde sua constituição, um dos assuntos prioritários da associação foi o Currículo Mínimo (Ferreira, 2018, p. 109). De fato, a Apdins-RJ teve participação protagonista na escrita e condução da proposta de Currículo Mínimo de 1979, tendo influenciado como associação (Ferreira, 2018, p. 119-127). Ambas as associações abarcavam profissionais de mercado, estudantes e professores. Naquele período era comum a prática docente paralela à atuação no mercado de projetos, sendo ainda rara a busca por titulação acadêmica. A profissionalização como docente foi um fenômeno aprofundado ao longo dos anos 1980. Esse dado nos é revelado pelo Cadastramento Nacional de Desenhistas Industriais realizado pelo CNPq em 1983 (Ferreira, 2018, p. 143), quando observou-se que um dos mercados de trabalho que mais absorviam formados em Desenho Industrial era efetivamente o mercado de Ensino: aproximadamente 25% dos 1.219 respondentes exerciam atividade docente, revelando uma situação quase autofágica. Esse cenário convive com o declínio das associações profissionais de amplo espectro: a ABDI deixa de atuar nos anos 1980, e a Apdins-RJ perde muito de sua força a partir de 1985. Por outro lado, o associativismo docente ganha força: em 1984 acontece o 1º Encontro dos Diretores de Escolas Superiores de Desenho Industrial, organizado pela Esdi e patrocinado pelo MEC. É dele que sai a proposta de criação da Associação Brasileira das Entidades de Ensino de Desenho Industrial – ABEDI, que não se concretiza. Ainda assim, esse movimento revela um processo de autonomização do grupo profissional docente, que ganha massa crítica de pessoas (19 escolas participaram do Encontro de 1984) e força econômica suficiente (com patrocínio federal) para emancipar-se do fórum profissional. A força desse grupo prova-se em outro fórum docente: o workshop O Ensino de Design nos anos 1990, organizado pelo LDP/DI e de onde saiu a Carta de Canasvieiras, que estabeleceu a criação da Associação Brasileira de Ensino do Design – ABEnD. Em 1992, a ABEnD reorganiza-se em Associação de Ensino de Design – AEnD-BR. Nesse mesmo ano, um grupo carioca buscou instaurar um núcleo da associação no Rio de Janeiro, a AEnD-RJ. Esse grupo acaba por viabilizar a criação da Revista Estudos em Design, primeiro ato concreto da organização docente em direção à institucionalização da Pesquisa stricto sensu em Design (Ferreira, Braga, Freitas, 2025).
Palavras-chave: Pesquisa em Design; Organização Docente do Design; História do Design no Brasil Pesquisa em Design; Organização Docente do Design; História do Design no Brasil
DOI: 10.5151/1JPPD-0071
Referências bibliográficas
- [1] BRAGA, Marcos da Costa. ABDI e APDINS-RJ. 2. ed. São Paulo: Editora Blucher, 2016
- [2] FERREIRA, Eduardo C. K. Os Currículos Mínimos de Desenho Industrial. São Paulo: Editora Blucher, 2018
- [3] FERREIRA, Eduardo C. K.; BRAGA, Marcos da Costa; FREITAS, Sydney. Estudos em Design: origens e criação do primeiro periódico científico em design do Brasil. Estudos em Design, v. 32 n.1. Rio de Janeiro, 2025 (no prelo)
Como citar:
Ferreira, Eduardo Camillo K.; Braga, Marcos da Costa; "Das associações profissionais às associações de ensino e pesquisa: trajetória para a organização docente no campo do Design", p-188-189.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0071
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TY - CONF T1 - Das associações profissionais às associações de ensino e pesquisa: trajetória para a organização docente no campo do Design JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 188 EP - 189 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0071 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/das-associacoes-profissionais-as-associacoes-de-ensino-e-pesquisa-trajetoria-para-a-organizacao-docente-no-campo-do-design KW - Pesquisa em Design; Organização Docente do Design; História do Design no Brasil ER -
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Eduardo Camillo K. Ferreira, Marcos da Costa Braga, Das associações profissionais às associações de ensino e pesquisa: trajetória para a organização docente no campo do Design, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 188-189, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0071 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/das-associacoes-profissionais-as-associacoes-de-ensino-e-pesquisa-trajetoria-para-a-organizacao-docente-no-campo-do-design) Palavras-chave:: Pesquisa em Design; Organização Docente do Design; História do Design no Brasil;