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Cidades inteligentes, utopias tecnológicas: o novo design da colonização

Smart cities, technological utopias: the new design of colonization

Deak, Andre; Beiguelman, Giselle;

Resumo:

A ideia de cidades inteligentes tem gerado uma miragem de consumo em que o planejamento urbano é esvaziado em nome de um produto. O próprio conceito tem caminhado para se tornar algo desejado, mas impossível de ser definido. Essa construção conceitual serve bem aos vendedores de tecnologia, como aponta Greenfield (2013). Tem similaridades com o tecno-utopismo presente no início da internet e hoje atualizado como uma nova forma de colonização digital (COULDRY & MEJIAS, 2019). Diferentemente do modernismo, no entanto, não são mais os arquitetos e urbanistas, mas os programadores de algoritmos que propõem cidades melhores para um futuro utópico. O modernismo já mostrou não ser possível pensar cidades a partir de uma tábula rasa, sem levar em conta a matéria prima de toda civilização: a cultura e a memória. A apropriação que os brasileiros fizeram da ideia modernista completará 100 anos em 2022, e talvez possa servir para investigar o que seria, então, uma smart cityantropofágica, voltada para melhorar a democracia e criar futuros a partir de outras perspectivas. A hipótese é que cidades que não utilizem em sua concepção tecnológica princípios e design do Sul Global, com elementos de códigos abertos, ética hacker, teorias do commons,serão apenas mais uma ferramenta para ampliar o abismo social, uma face do colonialismo digital que serve aos Estados Plataforma (BRATTON, 2015). Os excluídos, para além de não-consumidores, seriam também os que sequer servem para produzir dados – invisíveis assim aos olhos do sistema, e portanto a toda forma de serviços públicos. Não-cidadãos, não-existentes. O estudo faz por fim um levantamento de alguns exemplos de usos e tecnologias que subvertem as lógicas de colonização e servem como ferramentas de cidadania, em vez de controle.

Resumo:

The idea of ​​smart cities has generated a consumption mirage in which urban planning is emptied in the name of a product. The concept itself has been moving towards becoming something desired, but impossible to define. This conceptual construction serves technology sellers well, as Greenfield (2013) points out. It has similarities with the techno-utopianism present in the beginning of the internet and today updated as a new form of digital colonization (COULDRY & MEJIAS, 2019). Unlike modernism, however, it is no longer architects and urban planners, but algorithm programmers who propose better cities for a utopian future. Modernism has already shown that it is not possible to think of cities based on a blank slate, without taking into account the raw material of all civilization: culture and memory. The appropriation that Brazilians made of the modernist idea will complete 100 years in 2022, and perhaps it can serve to investigate what would be, then, an anthropophagic smart city, aimed at improving democracy and creating futures from other perspectives. The hypothesis is that cities that do not use in their technological conception principles and design of the Global South, with elements of open codes, hacker ethics, theories of commons, will be just another tool to widen the social abyss, a face of digital colonialism that serves to the Platform States (BRATTON, 2015). The excluded, in addition to being non-consumers, would also be those who do not even serve to produce data - thus invisible to the eyes of the system, and therefore to all forms of public services. Non-citizens, non-existent. The study finally makes a survey of some examples of uses and technologies that subvert the logic of colonization and serve as tools of citizenship, instead of control.

Palavras-chave: smart cities, big data, estado plataforma, colonialismo digital, decolonialismo.,

Palavras-chave: smart cities, big data, platform state, digital colonialism, decolonialism.,

DOI: 10.5151/3spgfauusp-3SPDesign_23.pdf

Referências bibliográficas
Como citar:

Deak, Andre; Beiguelman, Giselle; "Cidades inteligentes, utopias tecnológicas: o novo design da colonização", p. 23 . In: Anais do 3º Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Design da FAUUSP. São Paulo: Blucher, 2020.
ISSN 2318-6968, DOI 10.5151/3spgfauusp-3SPDesign_23.pdf

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