Blucher Design Proceedings
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Análise comparativa entre duas metodologias de desenvolvimento de biomateriais sobre o ponto de vista do design
Análise comparativa entre duas metodologias de desenvolvimento de biomateriais sobre o ponto de vista do design
Cruz, Lara Inêz Alves; Duarte, Adriana Yumi Sato; Neves, Érica Pereira das
Artigo:
1. Introdução O design é uma área essencialmente interdisciplinar, dialogando com diferentes campos do conhecimento e ampliando o saber por meio dessas interações. Como afirmam Cipiniuk e Portinari, “o design é uma atividade interdisciplinar que emprega no desenvolvimento de um projeto conhecimentos oriundos de várias fontes do saber” (Cipiniuk e Portinari, 2006, p. 29). Essa característica é especialmente relevante no desenvolvimento de materiais alternativos, que integra saberes de engenharia, química, biologia e design, favorecendo novas combinações, processos e aplicações. Nessa perspectiva, compreender as propriedades e valores dos materiais tornou-se essencial para o designer (Lefteri, 2015). No processo de desenvolvimento de novos materiais, o método constitui o percurso que orienta a pesquisa e a experimentação. Segundo Fachin, “sem método seria incompreensível falar de ciência, porque não poderia ser colocado em evidência o conjunto de etapas operacionais ocorrido na manipulação para alcançar determinado objetivo científico”(Fachin, 2006, p. 28). Para Cipiniuk e Portinari (2006) e Pazmino (2015), o método configura-se como um conjunto estruturado de ações que conduzem o processo projetual. 2. Métodos para desenvolvimento de materiais Embora existam inúmeras metodologias aplicadas ao design, poucas são direcionadas ao desenvolvimento de materiais. Algumas abordagens, como o DIY – Do it Yourself, os biofabricados e a Practice-Led Research, valorizam a experimentação e a criatividade, mas não oferecem um método estruturado. Entre as metodologias voltadas especificamente ao desenvolvimento de materiais alternativos, destacam-se o Material Driven Design (MDD) (Karana et al, 2015) e o Método EXpiral (Monteiro, 2024), que compartilham a preocupação em organizar o processo de criação e investigação de novos materiais. O MDD é estruturado em quatro etapas (Figura 1), sendo: compreender o material por meio de sua caracterização técnica e experiencial; desenvolver uma visão de experiência do material; identificar padrões de experiência; e elaborar conceitos que integrem produto e material. O método enfatiza a interação com o usuário, a sensibilização e a percepção do público, culminando na aplicação do material em um produto final. O método EXpiral, por sua vez, apresenta uma abordagem mais detalhada, composta por sete etapas (figura 2), que incluem: pesquisa exploratória; compreensão das questões relacionadas ao material; manipulação e caracterização de materiais; análise de experiência do usuário; desenvolvimento de projeto de produto, seguidos da elaboração de fichas descritivas; e da revisão dos resultados. Ele concentra-se no processo de criação do material como eixo central, evidenciando sua complexidade e a necessidade de sistematização para resultados consistentes e significativos. Observa-se que ambos os métodos são relevantes para o campo do design de materiais, representando diferentes níveis de maturidade no entendimento do processo de desenvolvimento. Há uma relação de complementaridade entre eles, na qual o eXpiral pode ser compreendido como uma ampliação das propostas do MDD. Essa evolução conceitual demonstra que, à medida que o tema é mais investigado, novas etapas e procedimentos tornam-se perceptíveis e essenciais para a prática projetual. 3. Conclusões preliminares A análise dessas metodologias reforça a importância de compreender os diferentes modos de conduzir o desenvolvimento de materiais alternativos no campo do design, especialmente diante da crescente demanda por soluções sustentáveis. Este estudo constitui uma etapa da pesquisa, que seguirá com o mapeamento de outras metodologias e abordagens, buscando ampliar o repertório teórico voltado ao desenvolvimento de materiais e à consolidação de processos metodológicos aplicados ao design contemporâneo.
1. Introdução O design é uma área essencialmente interdisciplinar, dialogando com diferentes campos do conhecimento e ampliando o saber por meio dessas interações. Como afirmam Cipiniuk e Portinari, “o design é uma atividade interdisciplinar que emprega no desenvolvimento de um projeto conhecimentos oriundos de várias fontes do saber” (Cipiniuk e Portinari, 2006, p. 29). Essa característica é especialmente relevante no desenvolvimento de materiais alternativos, que integra saberes de engenharia, química, biologia e design, favorecendo novas combinações, processos e aplicações. Nessa perspectiva, compreender as propriedades e valores dos materiais tornou-se essencial para o designer (Lefteri, 2015). No processo de desenvolvimento de novos materiais, o método constitui o percurso que orienta a pesquisa e a experimentação. Segundo Fachin, “sem método seria incompreensível falar de ciência, porque não poderia ser colocado em evidência o conjunto de etapas operacionais ocorrido na manipulação para alcançar determinado objetivo científico”(Fachin, 2006, p. 28). Para Cipiniuk e Portinari (2006) e Pazmino (2015), o método configura-se como um conjunto estruturado de ações que conduzem o processo projetual. 2. Métodos para desenvolvimento de materiais Embora existam inúmeras metodologias aplicadas ao design, poucas são direcionadas ao desenvolvimento de materiais. Algumas abordagens, como o DIY – Do it Yourself, os biofabricados e a Practice-Led Research, valorizam a experimentação e a criatividade, mas não oferecem um método estruturado. Entre as metodologias voltadas especificamente ao desenvolvimento de materiais alternativos, destacam-se o Material Driven Design (MDD) (Karana et al, 2015) e o Método EXpiral (Monteiro, 2024), que compartilham a preocupação em organizar o processo de criação e investigação de novos materiais. O MDD é estruturado em quatro etapas (Figura 1), sendo: compreender o material por meio de sua caracterização técnica e experiencial; desenvolver uma visão de experiência do material; identificar padrões de experiência; e elaborar conceitos que integrem produto e material. O método enfatiza a interação com o usuário, a sensibilização e a percepção do público, culminando na aplicação do material em um produto final. O método EXpiral, por sua vez, apresenta uma abordagem mais detalhada, composta por sete etapas (figura 2), que incluem: pesquisa exploratória; compreensão das questões relacionadas ao material; manipulação e caracterização de materiais; análise de experiência do usuário; desenvolvimento de projeto de produto, seguidos da elaboração de fichas descritivas; e da revisão dos resultados. Ele concentra-se no processo de criação do material como eixo central, evidenciando sua complexidade e a necessidade de sistematização para resultados consistentes e significativos. Observa-se que ambos os métodos são relevantes para o campo do design de materiais, representando diferentes níveis de maturidade no entendimento do processo de desenvolvimento. Há uma relação de complementaridade entre eles, na qual o eXpiral pode ser compreendido como uma ampliação das propostas do MDD. Essa evolução conceitual demonstra que, à medida que o tema é mais investigado, novas etapas e procedimentos tornam-se perceptíveis e essenciais para a prática projetual. 3. Conclusões preliminares A análise dessas metodologias reforça a importância de compreender os diferentes modos de conduzir o desenvolvimento de materiais alternativos no campo do design, especialmente diante da crescente demanda por soluções sustentáveis. Este estudo constitui uma etapa da pesquisa, que seguirá com o mapeamento de outras metodologias e abordagens, buscando ampliar o repertório teórico voltado ao desenvolvimento de materiais e à consolidação de processos metodológicos aplicados ao design contemporâneo.
Palavras-chave: Metodologia; Biomateriais;Desenvolvimento; Design; Análise. Metodologia; Biomateriais;Desenvolvimento; Design; Análise.
DOI: 10.5151/1JPPD-0049
Referências bibliográficas
- [1] CIPINIUK, A.; PORTINARI, D. B. Sobre métodos de design. in: COELHO, Luiz Antonio L. Design Método. Rio de Janeiro: ed 1. Puc Rio; Teresópolis: Novas Idéias, 17 - 35, 2006.
- [2] FACHIN, O. Fundamentos de Metodologia. ed 5. São Paulo: Saraiva, 2006.
- [3] KARANA, E. et al. Material Driven Design (MDD): a method to design for material experiences. International Journal of Design, v. 9, n. 2, 35-54, 2015.
- [4] LEFTERI, C. Materiais em design: 112 materiais para design de produto. São Paulo: Blucher, 2015.
- [5] MONTEIRO, A. S. EXpiral - método interdisciplinar para desenvolvimento e aplicação de novos materiais para o design. Tese de doutorado. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, São Paulo, 2024.
- [6] PAZMINO, A. V. Como se cria: 40 métodos para design de produto. São Paulo: Blucher, 2015.
Como citar:
Cruz, Lara Inêz Alves; Duarte, Adriana Yumi Sato; Neves, Érica Pereira das; "Análise comparativa entre duas metodologias de desenvolvimento de biomateriais sobre o ponto de vista do design", p-129-132.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0049
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Lara Inêz Alves Cruz, Adriana Yumi Sato Duarte, Érica Pereira das Neves, Análise comparativa entre duas metodologias de desenvolvimento de biomateriais sobre o ponto de vista do design, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 129-132, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0049 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/analise-comparativa-entre-duas-metodologias-de-desenvolvimento-de-biomateriais-sobre-o-ponto-de-vista-do-design) Palavras-chave:: Metodologia; Biomateriais;Desenvolvimento; Design; Análise.;