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A preservação de acervos ligados ao design: a “obra gráfica” de Millôr Fernandes no Instituto Moreira Salles
A preservação de acervos ligados ao design: a “obra gráfica” de Millôr Fernandes no Instituto Moreira Salles
Castello Branco, Felipe; Costa, Eduardo Augusto
Artigo:
O presente resumo apresenta parte da pesquisa de mestrado de Felipe Castello Branco, que tem como objetivo questionar o lugar da obra de Millôr Fernandes junto ao campo do design. Neste caso, discute-se o papel e as contribuições de instituições culturais, especialmente o Instituto Moreira Salles (IMS), na preservação de acervos e produções associadas ao design. Objetivamente, trata-se da incorporação, em 2013, de aproximadamente seis mil peças da produção visual de Millôr Fernandes junto ao setor de iconografia do IMS. Este trabalho reconhece que a incorporação do acervo se desdobrou em grandes exposições no Rio de Janeiro (de 2014 a 2016) e em São Paulo (2018 a 2019). Ainda em 2016, foi publicado o catálogo Millôr: Obra Gráfica, contendo reproduções de grande parte do acervo e textos dos curadores, traçando um panorama da vida e da carreira de Millôr Fernandes. A aquisição da coleção por parte de uma instituição de grande porte como o IMS, sinaliza para a relevância da obra de Millôr Fernandes para a história, especialmente no que tange à cultura visual brasileira. Com sua obra conservada na área de iconografia do IMS, os desenhos do escritor dividem espaço com as produções de artistas emblemáticos, como desenhos de J. Carlos e Glauber Rocha, além de obras que marcaram o período da independência do Brasil – dos chamados viajantes – como as de Charles Landseer e Jean Baptiste Debret. Observa-se que o IMS reuniu ao longo dos anos obras de nomes relevantes que, de alguma forma, traduzam um discurso visual brasileiro ao longo da história do país. Artistas como Edoardo Martino, Franz Joseph Frühbeck e Fulvio Pennacchi são exemplos de artistas estrangeiros contemplados pelo acervo na área de iconografia; quando incluídas as outras áreas do instituto, nomes como o do músico Baden Powell, do poeta Carlos Drummond de Andrade, da escritora Rachel de Queiroz e dos fotógrafos Thomaz Farkas e Marc Ferrez estão presentes. Ao longo do tempo, o IMS construiu e adquiriu meios para formar o que se poderia entender como uma “brasiliana visual”. No material produzido pelo escritor e preservado pelo instituto, contudo, um tipo de produção encontrada recebeu destaque por seu caráter até então inédito: rascunhos dos mais variados tipos, revelando processos da produção da coluna O Pif-Paf, na revista O Cruzeiro, em diversas edições da publicação antes da sua impressão e circulação. São esboços contendo medições, delimitações de margens e colunas, anotações e comentários com instruções do escritor para a equipe responsável pela impressão do periódico. Os rascunhos expostos e publicados pelo IMS configuram importantes fontes visuais, revelando práticas cotidianas no campo gráfico e possibilitando a compreensão _x000c_ Felipe CASTELLO BRANCO, Eduardo Augusto COSTA A preservação de acervos ligados ao design: a “obra gráfica” de Millôr Fernandes no Instituto Moreira Salles dessa produção a partir de uma cultura projetiva, explicitada por Cardoso (2005): atividades projetuais ligadas à produção industrial gráfica nas décadas anteriores à 1960, tão representativas da produção no campo do design quanto as que foram desenvolvidas a partir do movimento de institucionalização. A presença do acervo de Millôr Fernandes no instituto é, portanto, uma evidência importante para se pensar políticas culturais no Brasil, questionando-se o lugar da produção de designers nestes acervos. Deste modo, espera-se problematizar a necessidade de políticas amplas de conservação de acervos ligados à área, revisitando o histórico do IMS (Soares, 2023) e das políticas culturais implementadas no país.
O presente resumo apresenta parte da pesquisa de mestrado de Felipe Castello Branco, que tem como objetivo questionar o lugar da obra de Millôr Fernandes junto ao campo do design. Neste caso, discute-se o papel e as contribuições de instituições culturais, especialmente o Instituto Moreira Salles (IMS), na preservação de acervos e produções associadas ao design. Objetivamente, trata-se da incorporação, em 2013, de aproximadamente seis mil peças da produção visual de Millôr Fernandes junto ao setor de iconografia do IMS. Este trabalho reconhece que a incorporação do acervo se desdobrou em grandes exposições no Rio de Janeiro (de 2014 a 2016) e em São Paulo (2018 a 2019). Ainda em 2016, foi publicado o catálogo Millôr: Obra Gráfica, contendo reproduções de grande parte do acervo e textos dos curadores, traçando um panorama da vida e da carreira de Millôr Fernandes. A aquisição da coleção por parte de uma instituição de grande porte como o IMS, sinaliza para a relevância da obra de Millôr Fernandes para a história, especialmente no que tange à cultura visual brasileira. Com sua obra conservada na área de iconografia do IMS, os desenhos do escritor dividem espaço com as produções de artistas emblemáticos, como desenhos de J. Carlos e Glauber Rocha, além de obras que marcaram o período da independência do Brasil – dos chamados viajantes – como as de Charles Landseer e Jean Baptiste Debret. Observa-se que o IMS reuniu ao longo dos anos obras de nomes relevantes que, de alguma forma, traduzam um discurso visual brasileiro ao longo da história do país. Artistas como Edoardo Martino, Franz Joseph Frühbeck e Fulvio Pennacchi são exemplos de artistas estrangeiros contemplados pelo acervo na área de iconografia; quando incluídas as outras áreas do instituto, nomes como o do músico Baden Powell, do poeta Carlos Drummond de Andrade, da escritora Rachel de Queiroz e dos fotógrafos Thomaz Farkas e Marc Ferrez estão presentes. Ao longo do tempo, o IMS construiu e adquiriu meios para formar o que se poderia entender como uma “brasiliana visual”. No material produzido pelo escritor e preservado pelo instituto, contudo, um tipo de produção encontrada recebeu destaque por seu caráter até então inédito: rascunhos dos mais variados tipos, revelando processos da produção da coluna O Pif-Paf, na revista O Cruzeiro, em diversas edições da publicação antes da sua impressão e circulação. São esboços contendo medições, delimitações de margens e colunas, anotações e comentários com instruções do escritor para a equipe responsável pela impressão do periódico. Os rascunhos expostos e publicados pelo IMS configuram importantes fontes visuais, revelando práticas cotidianas no campo gráfico e possibilitando a compreensão _x000c_ Felipe CASTELLO BRANCO, Eduardo Augusto COSTA A preservação de acervos ligados ao design: a “obra gráfica” de Millôr Fernandes no Instituto Moreira Salles dessa produção a partir de uma cultura projetiva, explicitada por Cardoso (2005): atividades projetuais ligadas à produção industrial gráfica nas décadas anteriores à 1960, tão representativas da produção no campo do design quanto as que foram desenvolvidas a partir do movimento de institucionalização. A presença do acervo de Millôr Fernandes no instituto é, portanto, uma evidência importante para se pensar políticas culturais no Brasil, questionando-se o lugar da produção de designers nestes acervos. Deste modo, espera-se problematizar a necessidade de políticas amplas de conservação de acervos ligados à área, revisitando o histórico do IMS (Soares, 2023) e das políticas culturais implementadas no país.
Palavras-chave: Design, história do design brasileiro, artes gráficas, preservação, acervos Design, história do design brasileiro, artes gráficas, preservação, acervos
DOI: 10.5151/1JPPD-0073
Referências bibliográficas
- [1] FARIAS, Priscila; BRAGA, Marcos (orgs.). Dez ensaios sobre memória gráfica. São Paulo: Blucher, 2018.
- [2] CARDOSO, Rafael (org.). O Design Brasileiro Antes do Design. São Paulo: Cosac & Naify, 2005.
- [3] MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. 'Fontes visuais, cultura visual, História visual. Balanço provisório, propostas cautelares.' In: Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 23, n. 45, p. 11-63, 2003.
- [4] SOARES, Ivo Paulino. Da instituição cultural à representação de uma elite nacional: o Instituto Moreira Salles e a reinvenção do mecenato privado no Brasil 1992-2022. Tese (Doutorado em Sociologia) – Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). São Paulo, 2023.
Como citar:
Castello Branco, Felipe; Costa, Eduardo Augusto; "A preservação de acervos ligados ao design: a “obra gráfica” de Millôr Fernandes no Instituto Moreira Salles", p-193-194.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0073
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TY - CONF T1 - A preservação de acervos ligados ao design: a “obra gráfica” de Millôr Fernandes no Instituto Moreira Salles JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 193 EP - 194 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0073 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/a-preservacao-de-acervos-ligados-ao-design-a-obra-grafica-de-millor-fernandes-no-instituto-moreira-salles KW - Design, história do design brasileiro, artes gráficas, preservação, acervos ER -
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Felipe Castello Branco, Eduardo Augusto Costa, A preservação de acervos ligados ao design: a “obra gráfica” de Millôr Fernandes no Instituto Moreira Salles, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 193-194, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0073 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/a-preservacao-de-acervos-ligados-ao-design-a-obra-grafica-de-millor-fernandes-no-instituto-moreira-salles) Palavras-chave:: Design, história do design brasileiro, artes gráficas, preservação, acervos;