Artigo Completo - Open Access.

Idioma principal

A política implícita no Brasil: retrospectiva e efeitos na competitividade nacional

PEREIRA, Wallace Marcelino;

Artigo Completo:

A indústria é o setor chave para a promoção do desenvolvimento econômico, e para a geração de inovação, fazendo-se necessário o uso de política industrial para fomentar os setores mais importantes. No debate sobre política industrial e de C&T&I, pouca atenção tem sido dada à política implícita, e seus efeitos sobre o desempenho industrial e inovativo. O artigo objetiva avaliar a evolução da política implícita no Brasil, visando contribuir para o debate sobre a importância da coordenação entre objetivos de política macroeconômica, e os objetivos das políticas industrial e tecnológica. Ao se analisar os dispêndios do setor público, a evolução das principais variáveis de política macroeconômica, e o desempenho industrial e inovativo brasileiro, constata-se que ao longo dos últimos vinte anos o Brasil tem sofrido com a incapacidade de promover o desenvolvimento econômico sustentado, seja em razão da ausência da presença do Estado como indutor do desenvolvimento entre 1995 e 2003, seja pela ação mais direta do Estado a partir de meados dos anos 2000. Em última instância, o estágio atual da indústria e o nível da inovação brasileira é resultado, em parte, da ausência de coordenação adequada no manejo dos intrumentos implícitos com os objetivos de C&T&I, na medida que a oferta de crédito/financiamento público se concentrou em setores de menor intensidade tecnológica, bem como a trajetória desfavorável do câmbio contribuiu para limitar os resultados da política industrial e de C&T&I desenvolvidos recentemente.

Artigo Completo:

Manufactury is the key sector for the promotion of economic development, and for the generation of innovation, making it necessary to use industrial policy to foster the most important sectors. In the debate on industrial policy and S&T&I, little attention has been given to the implicit policy, and its effects on industrial and innovative performance. The article aims to evaluate the evolution of implicit policy in Brazil, aiming to contribute to the debate on the importance of coordination between macroeconomic policy objectives, and the objectives of industrial and technological policies. When analyzing public sector expenditures, the evolution of the main variables of macroeconomic policy, and the Brazilian industrial and innovative performance, it is verified that over the last twenty years Brazil has suffered from the inability to promote sustained economic development, Either because of the absence of the State as an inducer of development between 1995 and 2003, or because of the more direct action of the State since the mid-2000s. Ultimately, the current stage of industry and the level of Brazilian innovation is a result , Partly because of the lack of adequate coordination in the management of implicit instruments with the S&T&I objectives, as the supply of public credit / financing was concentrated in sectors of lower technological intensity, as well as the unfavorable exchange rate trajectory contributed to limit the Results of industrial policy and S& T&I.

Palavras-chave: Política Implícita, Política Industrial, Política de C&T&I, Desenvolvimento Econômico, Macroeconomia,

Palavras-chave: Implicit Policy, Industrial Policy, S & T & I Policy, Economic Development, Macroeconomics,

DOI: 10.5151/enei2017-68

Referências bibliográficas
  • [1] AGHION, Philippe et al. Rethinking industrial policy. Bruegel policy brief, v. 4, n. 11, 201
  • [2] ALBUQUERQUE, Eduardo da Motta. Sistema nacional de inovação no Brasil: uma análise introdutória a partir de dados disponíveis sobre a ciência e a tecnologia. Revista de Economia Política, v. 16, n. 3, p. 56-72, 1996.
  • [3] AREND, M. A industrialização do Brasil ante a nova divisão internacional do trabalho. In: IPEA. Presente e Futuro: desafios ao desenvolvimentismo brasileiro. IPEA, 2014.
  • [4] BARBOSA FILHO, NELSON. O desafio macroeconômico de 2015-2018. Rev. Econ. Polit., São Paulo, v. 35, n. 3, p. 403-425, Sept. 2015. Disponível em: . Acesso em: 21 Out. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/010131572015v35n03a02
  • [5] BORRÁS, Susana; EDQUIST, Charles. The choice of innovation policy instruments. Technological forecasting and social change, v. 80, n. 8, p. 1513-1522, 2013.
  • [6] CANO, Wilson; SILVA, Ana Lucia G. Política industrial do governo Lula. MAGALHÃES et al. Os, 2010.
  • [7] CARNEIRO, R. Crise, ajustamento e estagnação, a economia brasileira do período de 1974-89. Economia e Sociedade, v. 2, n. 1, p. 145-169, 2016.
  • [8] CARNEIRO, R. Impasses do desenvolvimento brasileiro: a questão produtiva. Campinas: IE/UNICAMP, (Textos para Discussão n. 153), 200
  • [9] CARNEIRO, R. Desenvolvimento em crise: a economia brasileira no último quarto do século XX. Unesp, 2002.
  • [10] CARNEIRO, R. Desenvolvimento em crise: a economia brasileira no último quarto do século XX. Unesp, 2002.
  • [11] CARVALHO, F.C. Mr. Keynes and the Post keynesians. Cheltenham: Edward Elgar, 1992.
  • [12] CARVALHO, Fernando J. Expectativas, incerteza e convenções. Estratégias de desenvolvimento, política industrial e inovação: ensaios em memória de Fabio Erber. Rio de Janeiro: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, 2014.
  • [13] CASSIOLATO, José Eduardo; LASTRES, Helena Maria Martins. Inovação, globalização e as novas políticas de desenvolvimento industrial e tecnológico. CASSIOLATO, José Eduardo; LASTRES, Helena Maria Martins. Globalização e inovação localizada: experiências de sistemas locais no Mercosul. Brasília: IBICT/MCT, 1998.
  • [14] CHANG, Ha-Joon; AMSDEN, Alice H. The political economy of industrial policy. London: Macmillan, 1994.
  • [15] CORDEN, Warner Max. Relationships between Macro‐economic and Industrial Policies. The World Economy, v. 3, n. 2, p. 167-184, 1980.
  • [16] CORONEL, Daniel. Política industrial e desenvolvimento econômico: a reatualiação de um debate histórico. Revista de Economia Política, v. 34, n. 1, p. 103, 2014.
  • [17] COUTINHO, L. A especialização regressiva: um balanço do desempenho industrial pós-estabilização. Brasil: desafios de um país em transformação. Rio de Janeiro: José Olympio, p. 84-115, 1997.
  • [18] COUTINHO, Luciano G. et al. Regimes macroeconômicos e estratégias de negócios: uma política industrial alternativa para o Brasil no século XXI. Lastres HMM, Cassiolato JE, Arroio A, organizadores. Conhecimento, sistemas de inovação e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Contraponto, p. 429-48, 2005.
  • [19] DAVIDSON, P. Finance, funding, saving, and investment. Journal of Post Keynesian Economics, v. 9, n. 1, p. 101-110, 1986.
  • [20] DE ALMEIDA, Julio Gomes. Alcance e lacunas da nova política industrial. 2011.
  • [21] EDQUIST, Charles. Innovation policy: A systemic approach. Tema, Univ., 1999.
  • [22] ERBER, Fábio S.; CASSIOLATO, José Eduardo. Política industrial: teoria e prática no Brasil e na OCDE. Revista de Economia Política, v. 17, n. 2, p. 66, 1997.
  • [23] GONÇALVES, R. Competitividade internacional e integração regional: a hipótese da inserção regressiva. Revista de Economia Contemporânea, v. 5, Edição Especial. 2001.
  • [24] GUERRA, Oswaldo. Política industrial e competitividade: de Collor a FHC. Organizações & Sociedade, v. 4, n. 8, p. 39-56, 1997.
  • [25] JOHNSON, Chalmers A. The industrial policy debate. Ics Pr, 1984.
  • [26] KALDOR, N. Causes of the slow rate of economic growth of the United Kingdom. Cambridge University Press. 1966.
  • [27] KREGEL, J. A note on finance, liquidity, saving, and investment. Journal of Post Keynesian Economics, v. 9, n. 1, p. 91-100, 1986.
  • [28] KRUGMAN, P.R. (1989). Industrial organization and international trade. In: SCHMALENSEE, R.;WILLIG, R. (Eds.). Handbook of industrial organization. New York: Elsevier.
  • [29] KRUGMAN, Paul. The current case for industrial policy. Protectionism and world welfare, p. 160-179, 1993.
  • [30] KUPFER, D. Política industrial. Econômica, Rio de Janeiro, v. 5, n. 2, p.91-108, dez. 2003. Disponível em: http://www.ie.ufrj.br/gic/intranet/trabalhos/publicacoes/politica_industrial_revista_economica.pdf. Acesso em: 10 mar. 2017.
  • [31] LAPLANE, M.; SARTI, F. Prometeu Acorrentado: o Brasil na indústria mundial no início do século XXI. Política Econômica em Foco, n. 7, p. 271-291, 2006.
  • [32] MINSKY, P. H. Can 'It' Happen Again? Essays on Instability and Finance. Armonk. New York: M.E. Sharpe, 1982.
  • [33] NASSIF, André et al. National innovation system and macroeconomic policies: Brazil and India in comparative perspective. United Nations Conference on Trade and Development, 2007.
  • [34] PACHECO, Carlos Américo; ALMEIDA, JG de. A política de inovação. texto para Discussão, n. 210, 2013.
  • [35] PALMA, José Gabriel (2005). Quatro fontes de “desindustrialização” e um novo conceito de “doença holandesa”. Trabalho apresentado na Conferência de Industrialização, Desindustrialização e Desenvolvimento, organizada pela FIESP e IEDI. Centro Cultural da FIESP, 28 de Agosto de 2005.
  • [36] PESSOTI, B. C; PESSOTI, G. C. A indissociável relação entre indústria, desenvolvimento econômico e políticas indústrias no Brasil. RDE – Revista de Desenvolvimento Econômico. Ano XI _ Nº 19, Janeiro de 2009 Salvador, BA. 2009
  • [37] PRATES, D. M., A inserção externa da economia brasileira no governo Lula. Política Econômica em Foco, n. 7, seção IV, nov.2005/abr.2006. Campinas: NEIT/IE/UNICAMP. 2006.
  • [38] RAPINI, M. O financiamento aos investimentos em inovação no Brasil. 2010. 146 f. 2010. Tese de Doutorado. Tese (Doutorado em Economia)-Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.
  • [39] RAPINI, Marcia et al. Padrão de financiamento aos investimentos em inovação no Brasil. Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais, 2013.
  • [40] RATTNER, Henrique. Aspectos da política tecnológica nos países da América Latina. Revista de Administração de Empresas, v. 21, n. 3, p. 15-27, 1981.
  • [41] REINER, Christian; STARITZ, Cornelia. Private sector development and IndustrIal PolIcy: why, how and for whom?. Private Sector Development, p. 53, 2013.
  • [42] RODRIK, D. A volta da política industrial. 2010. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/461130/noticia.htm?sequence=1 Acesso: 05/mar. 2017
  • [43] RODRIK, Dani. The return of industrial policy. project Syndicate, v. 12, 2010.
  • [44] RODRIK, Dani. Unconditional convergence. National Bureau of Economic Research, 2011.
  • [45] ROWTHORN, R. e COUTTS, K. Commentary: Deindustrialisation and the balance of payments in advanced economies. Cambridge Journal of Economics. vol. 28, no. 5, 767–790. 2004.
  • [46] ROWTHORN, R.; RAMASWAMY, R. Deindustrialization: causes and implications. International Monetary Fund, Staff Studies for the Economic Outlook, pp.61-77, December, 1997.
  • [47] ROWTHORN, R.; RAMASWAMY, R. Growth, trade, and deindustrialization. IMF Staff papers, p. 18-41, 1999.
  • [48] SAGASTI, F. Ciencia y tecnología para el desarrollo: informe comparativo central del proyecto sobre Instrumentos de Política Científica y Tecnológica (STPI). Bogotá, Centro Internacional de Investigaciones para el Desarrollo (CIID), 1978.
  • [49] SARTI, F.; HIRATUKA, C. Desenvolvimento industrial no Brasil: oportunidades e desafios futuros. Campinas: IE. Unicamp, (Texto para discussão n. 187) 2011.
  • [50] SCHAPIRO, Mario G. Ativismo estatal e industrialismo defensivo: instrumentos e capacidades na política industrial brasileira. 2013.
  • [51] SOUZA, N. J. Desenvolvimento Econômico. 4. ed. São Paulo: Editora Atlas, 242p, 1999.
  • [52] SUZIGAN, W. Situação atual da indústria brasileira e implicações para a política industrial. Planejamento e Políticas Públicas, Rio de Janeiro, n. 6, 1991.
  • [53] SUZIGAN, W.; VILLELA, A. Industrial Policy in Brazil. Campinas: UNICAMP, 1997.
  • [54] SUZIGAN, Wilson et al. Política industrial e desenvolvimento. Revista de economia política, v. 26, n. 2, p. 102, 2006.
  • [55] TREGENNA, Fiona. Characterising deindustrialisation: An analysis of changes in manufacturing employment and output internationally. Cambridge Journal of Economics, v. 33, n. 3, p. 433-466, 2009.
Como citar:

PEREIRA, Wallace Marcelino; "A política implícita no Brasil: retrospectiva e efeitos na competitividade nacional", p. 1267-1287 . In: . São Paulo: Blucher, 2017.
ISSN 2357-7592, DOI 10.5151/enei2017-68

últimos 30 dias | último ano | desde a publicação


downloads


visualizações


indexações