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A essência autônoma da obra de arte na estética de Karl Moritz
A essência autônoma da obra de arte na estética de Karl Moritz
Artigo:
No ensaio Sobre a imitação formadora do belo (1788) Moritz denuncia a insuficiência do recurso ao prazer como critério distintivo para explicar a origem do belo, e propõe considerar este sentimento como o efeito secundário de algo mais originário: a estrutura autotélica da obra de arte. As reflexões de Moritz movem-se a partir de uma crítica ao conceito de útil, considerado como atributo típico de um objeto que não tem em si seu próprio fim, ao contrário do que acontece no objeto belo, cuja beleza exclui qualquer referência externa. Moritz interroga sobre a imanência do valor estético nas obras de arte, e sobre a correlação entre perfeição e finalidade interna. O objeto artístico, desligado de qualquer referência a fins externos e de cada intencionalidade externa adquire, por assim dizer, uma maior objetividade. Ao mesmo tempo, porém, a reflexão moritziana opera uma deslocação de atenção da natureza estrutural do objeto artístico pela atividade criadora do artista. O objeto belo não é apenas imitado-observado, mas imitado-criado. O sumo prazer sensual para o belo na obra de arte deriva da criação perfeita. A estética de Moritz pode ser, portanto considerada como o esforço de pensar a coexistência de duas instâncias antitéticas: por um lado, a tendência a insistir sobre uma maior "concretização objetiva" da obra de arte, além da intencionalidade subjetiva do artista que a cria; por outro lado, o relevo dado à atividade criadora, e não à mera contemplação. Considerada do ponto de vista do artista, a autonomia consiste no fato de que o artista inventa cada vez uma regra de composição daquela totalidade que é a obra de arte. A "conciliação" dessas duas instâncias antitéticas permite que a obra de arte para Moritz seja um objeto ao mesmo tempo mais determinado em si mesmo (se considerado enquanto independente da atribuição intencional de valores externos), e menos determinado por si mesmo (enquanto seu valor essencial consiste no estímulo a recriar novamente, ou seja, ele move o espectador a assumir a responsabilidade de se tornar por sua vez artista, recriando o belo).
No ensaio Sobre a imitação formadora do belo (1788) Moritz denuncia a insuficiência do recurso ao prazer como critério distintivo para explicar a origem do belo, e propõe considerar este sentimento como o efeito secundário de algo mais originário: a estrutura autotélica da obra de arte. As reflexões de Moritz movem-se a partir de uma crítica ao conceito de útil, considerado como atributo típico de um objeto que não tem em si seu próprio fim, ao contrário do que acontece no objeto belo, cuja beleza exclui qualquer referência externa. Moritz interroga sobre a imanência do valor estético nas obras de arte, e sobre a correlação entre perfeição e finalidade interna. O objeto artístico, desligado de qualquer referência a fins externos e de cada intencionalidade externa adquire, por assim dizer, uma maior objetividade. Ao mesmo tempo, porém, a reflexão moritziana opera uma deslocação de atenção da natureza estrutural do objeto artístico pela atividade criadora do artista. O objeto belo não é apenas imitado-observado, mas imitado-criado. O sumo prazer sensual para o belo na obra de arte deriva da criação perfeita. A estética de Moritz pode ser, portanto considerada como o esforço de pensar a coexistência de duas instâncias antitéticas: por um lado, a tendência a insistir sobre uma maior "concretização objetiva" da obra de arte, além da intencionalidade subjetiva do artista que a cria; por outro lado, o relevo dado à atividade criadora, e não à mera contemplação. Considerada do ponto de vista do artista, a autonomia consiste no fato de que o artista inventa cada vez uma regra de composição daquela totalidade que é a obra de arte. A "conciliação" dessas duas instâncias antitéticas permite que a obra de arte para Moritz seja um objeto ao mesmo tempo mais determinado em si mesmo (se considerado enquanto independente da atribuição intencional de valores externos), e menos determinado por si mesmo (enquanto seu valor essencial consiste no estímulo a recriar novamente, ou seja, ele move o espectador a assumir a responsabilidade de se tornar por sua vez artista, recriando o belo).
Palavras-chave:
DOI: 10.5151/phipro-sofia-030
Referências bibliográficas
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- [5] MORITZ, K. P. Ensaio para unificar todas as belas artes e belas letras sob o conceito do perfeito e acabado em si. Tradução de José Feres Sabino, in: SABINO, J. F. Ensaios de Karl Philipp Moritz: linguagem, arte, filosofia. 2009. 145p. Dissertação (Mestrado em Filosofia). FFLCH, Universidade de São Paulo, São Paulo. 2009, p. 108-114.
Como citar:
Spezzapria, Mario; "A essência autônoma da obra de arte na estética de Karl Moritz", p-237-242.
In: Anais da VIII Semana de Orientação Filosófica e Acadêmica [= Blucher Philosophy Proceedings, n.1, v.1].
São Paulo: Blucher,
2014.
ISSN 23586567,
DOI 10.5151/phipro-sofia-030
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TY - CONF T1 - A essência autônoma da obra de arte na estética de Karl Moritz JO - Blucher Philosophy Proceedings VL - 1 IS - 1 SP - 237 EP - 242 PY - 2014 T2 - VIII Semana de Orientação Filosófica e Acadêmica AU - SN - 23586567 DO - http://dx.doi.org/10.5151/phipro-sofia-030 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/a-essncia-autnoma-da-obra-de-arte-na-esttica-de-karl-moritz-9956 KW - ER -
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Mario Spezzapria, A essência autônoma da obra de arte na estética de Karl Moritz, Blucher Philosophy Proceedings, Volume 1, 2014, Pages 237-242, ISSN 23586567, http://dx.doi.org/10.5151/phipro-sofia-030 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/a-essncia-autnoma-da-obra-de-arte-na-esttica-de-karl-moritz-9956) Palavras-chave:: ;