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A cultura do desenho na Escola Profissional Feminina a partir do livro “Tecnologia: Artes e Ofícios Femininos”
A cultura do desenho na Escola Profissional Feminina a partir do livro “Tecnologia: Artes e Ofícios Femininos”
Freire, Lucas Magalhães; Braga, Marcos da Costa
Artigo:
Introdução Este resumo apresenta parte do levantamento bibliográfico da pesquisa de mestrado intitulada “Ensino em Projeto de Design na Escola Técnica Carlos de Campos (1972-1994): Contextos, Condições e Atores para sua existência”. O estudo investiga as origens do curso de Desenho de Comunicação e a possibilidade de um ensino de design desde sua concepção. A análise parte da Escola Profissional Feminina da Capital, criada em 1911 e destinada às filhas de operários. Antes de se denominar Escola Técnica Carlos de Campos, oferecia cursos como Educação Doméstica, Dietética, Confecções, Bordados, Roupas Brancas, Desenho, Pintura e Prendas Manuais. Desde os primeiros anos, o desenho consolidou-se como disciplina obrigatória em todos os cursos, sendo considerado o “centro de convergência” entre ensino e prática (Silveira, 1929). Destaca-se a influência do método “Slojd”: de origem escandinava, valorizava a progressividade dos exercícios, a autonomia discente e a integração entre desenho e execução material. A prática do desenho articula a observação, cálculo, produção e execução. 2. O livro de Maria Vitorina de Freitas A pesquisa analisa o livro Tecnologia: artes e ofícios femininos, escrito pela professora da própria escola, Maria Vitorina de Freitas, publicado em 1947 e reeditado em 1954. Com mais de oitocentas páginas, a obra sistematiza fundamentos para o ensino de indumentária — cortes, costuras, tipos de tecidos e história das roupas —, também dedicando capítulos inteiros ao desenho, configurando-se como um importante testemunho da “cultura do desenho” na instituição. Nos capítulos iniciais, a autora propõe definições de arte a partir de classificações: artes liberais (como gramática, geometria, artes plásticas e arquitetura, ligadas ao “belo”); artes científicas (mecânica, geologia e outras); e artes decorativas (pintura e escultura, voltadas à ornamentação). Defende a ideia de que a produção do belo resulta da “genialidade do artista”, um dom natural concedido por Deus (Freitas, 1954). Na tentativa de classificar uma “arte industrial”, caracteriza atividades produtivas que unem utilidade e valor artístico, abrangendo habitação, vestuário, móveis e utensílios. Ao traçar um panorama histórico das artes industriais, Freitas os associa ao conceito de técnica e tecnologia, chegando a caracterizar artefatos pré-históricos como manifestações de “artes-industriais”. Sua definição enfatiza uma divisão do trabalho entre criação artística e reprodução mecânica, diálogo que ecoa a separação histórica do ensino técnico: entre quem pensa (científico) e quem executa (técnico). Figura 1: Infográfico sobre a Evolução das Artes Industriais presente no Livro “Tecnologia”Artes e Ofícios Femininos”. Fonte: Maria Vitorino de Freitas / Reprodução do Autor. 3. A centralidade do desenho Nos capítulos específicos sobre desenho, a autora apresenta um panorama histórico de ferramentas como papel, celulose, réguas, esquadros e compassos. Classifica o desenho em _x000c_Lucas FREIRE, Marcos BRAGA A cultura do desenho na Escola Profissional Feminina a partir do livro “Tecnologia: Artes e Ofícios Femininos”. modalidades: geométrico, de sólidos, natural, estilizado, decorativo, ornamental e técnico. Para Freitas, desenho é a “arte de representar por meio de linhas, sombras e cores convenientes, o visível e o que imaginamos. Em suma, o desenho é a leitura das formas e disto se deduz que o mais importante desta arte é a educação da vista” (Freitas, 1954, p.17). O livro organiza uma progressão pedagógica: inicia-se pelo desenho geométrico, seguido do natural (observação a mão livre), do decorativo (padrões da natureza aplicados à costura), até chegar ao técnico, associado ao planejamento da produção e à economia de matéria-prima, viabilizando a reprodução mecânica dos trabalhos (Barreto, 2019). 4. Considerações finais A análise do livro de Freitas evidencia o desenho como eixo estruturante da Escola Profissional Feminina e revela aproximações com o método "slojd”. O estudo contribui para compreender a circulação de ideias de arte industrial, (que podem ser associadas a aspectos do que chamamos de design), técnica e tecnologia, bem como o papel do desenho como mediador entre práticas educativas, produção material e formação profissional.
Introdução Este resumo apresenta parte do levantamento bibliográfico da pesquisa de mestrado intitulada “Ensino em Projeto de Design na Escola Técnica Carlos de Campos (1972-1994): Contextos, Condições e Atores para sua existência”. O estudo investiga as origens do curso de Desenho de Comunicação e a possibilidade de um ensino de design desde sua concepção. A análise parte da Escola Profissional Feminina da Capital, criada em 1911 e destinada às filhas de operários. Antes de se denominar Escola Técnica Carlos de Campos, oferecia cursos como Educação Doméstica, Dietética, Confecções, Bordados, Roupas Brancas, Desenho, Pintura e Prendas Manuais. Desde os primeiros anos, o desenho consolidou-se como disciplina obrigatória em todos os cursos, sendo considerado o “centro de convergência” entre ensino e prática (Silveira, 1929). Destaca-se a influência do método “Slojd”: de origem escandinava, valorizava a progressividade dos exercícios, a autonomia discente e a integração entre desenho e execução material. A prática do desenho articula a observação, cálculo, produção e execução. 2. O livro de Maria Vitorina de Freitas A pesquisa analisa o livro Tecnologia: artes e ofícios femininos, escrito pela professora da própria escola, Maria Vitorina de Freitas, publicado em 1947 e reeditado em 1954. Com mais de oitocentas páginas, a obra sistematiza fundamentos para o ensino de indumentária — cortes, costuras, tipos de tecidos e história das roupas —, também dedicando capítulos inteiros ao desenho, configurando-se como um importante testemunho da “cultura do desenho” na instituição. Nos capítulos iniciais, a autora propõe definições de arte a partir de classificações: artes liberais (como gramática, geometria, artes plásticas e arquitetura, ligadas ao “belo”); artes científicas (mecânica, geologia e outras); e artes decorativas (pintura e escultura, voltadas à ornamentação). Defende a ideia de que a produção do belo resulta da “genialidade do artista”, um dom natural concedido por Deus (Freitas, 1954). Na tentativa de classificar uma “arte industrial”, caracteriza atividades produtivas que unem utilidade e valor artístico, abrangendo habitação, vestuário, móveis e utensílios. Ao traçar um panorama histórico das artes industriais, Freitas os associa ao conceito de técnica e tecnologia, chegando a caracterizar artefatos pré-históricos como manifestações de “artes-industriais”. Sua definição enfatiza uma divisão do trabalho entre criação artística e reprodução mecânica, diálogo que ecoa a separação histórica do ensino técnico: entre quem pensa (científico) e quem executa (técnico). Figura 1: Infográfico sobre a Evolução das Artes Industriais presente no Livro “Tecnologia”Artes e Ofícios Femininos”. Fonte: Maria Vitorino de Freitas / Reprodução do Autor. 3. A centralidade do desenho Nos capítulos específicos sobre desenho, a autora apresenta um panorama histórico de ferramentas como papel, celulose, réguas, esquadros e compassos. Classifica o desenho em _x000c_Lucas FREIRE, Marcos BRAGA A cultura do desenho na Escola Profissional Feminina a partir do livro “Tecnologia: Artes e Ofícios Femininos”. modalidades: geométrico, de sólidos, natural, estilizado, decorativo, ornamental e técnico. Para Freitas, desenho é a “arte de representar por meio de linhas, sombras e cores convenientes, o visível e o que imaginamos. Em suma, o desenho é a leitura das formas e disto se deduz que o mais importante desta arte é a educação da vista” (Freitas, 1954, p.17). O livro organiza uma progressão pedagógica: inicia-se pelo desenho geométrico, seguido do natural (observação a mão livre), do decorativo (padrões da natureza aplicados à costura), até chegar ao técnico, associado ao planejamento da produção e à economia de matéria-prima, viabilizando a reprodução mecânica dos trabalhos (Barreto, 2019). 4. Considerações finais A análise do livro de Freitas evidencia o desenho como eixo estruturante da Escola Profissional Feminina e revela aproximações com o método "slojd”. O estudo contribui para compreender a circulação de ideias de arte industrial, (que podem ser associadas a aspectos do que chamamos de design), técnica e tecnologia, bem como o papel do desenho como mediador entre práticas educativas, produção material e formação profissional.
Palavras-chave: Ensino de Design; Ensino de Arte; Educação Profissional; História da Educação; História do Design; Ensino de Design; Ensino de Arte; Educação Profissional; História da Educação; História do Design;
DOI: 10.5151/1JPPD-0087
Referências bibliográficas
- [1] BARRETO, Carolina Marielli. Ensino de arte e Profissionalização Feminina: um diálogo com a Escola Profissional Feminina de São Paulo. Dissertação de Mestrado - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Artes: 2007.
- [2] FREITAS, Maria Vitorina de. Tecnologia: artes e ofícios femininos. São Paulo, 1954.
- [3] SILVEIRA, Horácio Augusto da. Relatório da 3ª Conferência Nacional de Educação. São Paulo, 1929.
Como citar:
Freire, Lucas Magalhães; Braga, Marcos da Costa; "A cultura do desenho na Escola Profissional Feminina a partir do livro “Tecnologia: Artes e Ofícios Femininos”", p-224-226.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0087
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TY - CONF T1 - A cultura do desenho na Escola Profissional Feminina a partir do livro “Tecnologia: Artes e Ofícios Femininos” JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 224 EP - 226 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0087 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/a-cultura-do-desenho-na-escola-profissional-feminina-a-partir-do-livro-tecnologia-artes-e-oficios-femininos KW - Ensino de Design; Ensino de Arte; Educação Profissional; História da Educação; História do Design; ER -
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Lucas Magalhães Freire, Marcos da Costa Braga, A cultura do desenho na Escola Profissional Feminina a partir do livro “Tecnologia: Artes e Ofícios Femininos”, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 224-226, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0087 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/a-cultura-do-desenho-na-escola-profissional-feminina-a-partir-do-livro-tecnologia-artes-e-oficios-femininos) Palavras-chave:: Ensino de Design; Ensino de Arte; Educação Profissional; História da Educação; História do Design;;