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Tempo da Infância: cuidado e violência

Time of Infanthood: care and violence

Dunker, Christian Ingo Lenz;

Artigo:

Nesta comunicação apresento diferenças subjetivas entre a experiência do tempo no adulto e na criança. A infância não é apenas um tempo de vida que possuiria exigências e limites próprios, mas também que se constitui como uma maneira singular de colocar-se no tempo, seja no sentido da duração, seja no sentido da subjetivação de acontecimentos e significações. Disso decorre a hipótese de que o tempo deve ser pensado como um operador clínico incontornável no manejo de intervenções com a criança, particularmente em situação hospitalar ou de adoecimento. A criança em tratamento precisa conjugar sua própria modulação do tempo necessário para intuir, compreender e concluir, os aspectos implicados em sua condição articulando se assim ao tempo da urgência, da emergência ou da convalescência, que determina a lógica institucional da cura. No escopo deste confronto de temporalidades as mesmas ações, consideradas segundo a perspectiva procedimental, podem implicar efetiva experiência de cuidado ou efeitos iatrogênicos de violência. Para ilustrar e conceituar esta proposição retomaremos as práticas helenísticas do cuidado de si, comparando-as com a posição da criança nas sociedades ocidentais no momento da aparição da “infância” (século XVIII) e em nosso contexto contemporâneo de aceleração do tempo e de disseminação do estado de urgência.

Artigo:

In this communication we present some subjective differences between temporality in child and adults. Infanthood is not only a period of life witch has some inherent properties and limits but also a time that constitutes itself as a singular way of positing oneself in time, either we consider time as duration or in the sense of the subjectification of things and their meanings. We can deduced from this assumptions the hypothesis that time must be considered as a crucial clinical operator in the maneuver of interventions upon a child, particularly in hospitalization and illness. The child in treatment must assemble his or her own temporal integration witch comprehends intuition, comprehension and conclusion, the aspects embedded in his or her medical condition. Far from that he or she must accept and integrate in this process the temporality of emergency, urgency and convalescence with determines the institutional process of cure. In the space of this confrontation between temporalities, considered from a methodological perspective, the same action could be taken as proper care or as iatrogenic violence. In order to illustrate and conceptualized this phenomena we will take examples from the old Hellenistic practice of taking-care of oneself, from the occidental period when infancy emerges as a separate moment of life, and from our own contemporary era and its contexts of time acceleration and generalized urgency.

Palavras-chave: psicanálise, temporalidade, violência, cuidado, Psychoanalysis, temporality, care and violence,

Palavras-chave: ,

DOI: 10.5151/medpro-2cisep-031

Referências bibliográficas
  • [1] ARIÉS, P. (1973) História Social da Família e da Infância. Rio de Janeiro, Guanabara, 1978
  • [2] DUNKER, Christian Ingo Lenz Dunker. Estrutura e Constituição da Clínica Psicanalítica. São Paulo, Annablume, 2012 (Coleção Ato Psicanalítico).
  • [3] LACAN, J. (1945) O tempo lógico e a asserção da certeza antecipada: um novo sofisma. In Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1998, p. 197-214.
Como citar:

Dunker, Christian Ingo Lenz; "Tempo da Infância: cuidado e violência", p. 252-257 . In: Anais do 2° Congresso Internacional Sabará de Especialidades Pediátricas [=Blucher Medical Proceedings, v.1, n.4]. São Paulo: Blucher, 2014.
ISSN 2357-7282, DOI 10.5151/medpro-2cisep-031

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