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O filme de animação e uma “nova bucólica” – “Ratatui” ou A Filosofia da Natureza contada às crianças

Guedes, Rosa Vieira;

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O filme “Ratatui”, produzido pela Pixar-Disney, conta a história de um rato (Rémy) que tem duas qualidades excepcionais: um olfacto fora do comum, capaz de detectar as mais variadas nuances odoríferas em qualquer alimento, o que lhe permite saber como unir ou separar os alimentos para um máximo florescimento dessas características e também provocar em quem come, máximo prazer; e um paladar capaz de identificar separadamente os elementos constituintes de um qualquer cozinhado, bem como fruir da junção única dos diversos elementos. A história/narrativa, bem como as imagens, pertencem ao universo do cinema de animação, para um público de, prioritariamente, crianças. As personagens são ratos e seres humanos. Ratos que falam entre si, com temperamentos semelhantes aos humanos, e humanos que interagem entre si e detestam ratos, existindo excepções, pois alguns humanos tornar-se-ão amigos de alguns ratos. Será aliás Rémy, o rato-Chef, o herói da história a conquistar a simpatia (por mérito próprio) de alguns humanos. O filme de animação “Ratatui”actualiza uma longa tradição de fábulas, que veiculam um Ethos. Uma Ética para as crianças. Uma Ética que não fala só da amizade entre seres diferentes, até incompatíveis, como metáfora de um mundo utópico onde poderá existir uma harmonia total, mas que propõe aprender a comer, e como os sabores “verdadeiros” são “memórias nostálgicas da infância”. A “boa comida”, os alimentos frescos, a sopa, os vegetais, são alimentos importantes para a realização de uma vida feliz. O fast food, com a sua globalização que aparentemente fornece informação sobre outros povos e costumes, adultera os paladares e afasta-nos da “arte de cozinhar”. O “fast food” tem como objectivo o lucro fácil, através da utilização falaciosa da agitação da vida na cidade, que gera a falta de tempo para cozinhar. Mas, como escreve Gusteau no seu livro: “Qualquer um pode cozinhar”, é possível sermos felizes através de um bom cozinhado! Pretendo com este trabalho, reflectir sobre um conjunto de conhecimentos que sendo de teor filosófico e pedagógico, apelam igualmente para um conjunto de “boas” práticas em harmonia com a Natureza: Como estabelecer o elo perdido entre o Natural e o “Humano”?, Qual a razão do êxodo para as cidades? Será possível restabelecer o equilíbrio entre todos os seres vivos? Como criar um novo Ethos que nos possa encaminhar na conquista da felicidade? Eis algumas das perguntas que este filme, na minha opinião procura pôr em destaque.

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Palavras-chave: Cinema de animação, Bucólica, Filosofia da Natureza, “Ratatui”,

Palavras-chave: ,

DOI: 10.5151/edupro-aivcipe-14

Referências bibliográficas
  • [1] Alpers, P. (1996). What is Pastoral. Chicago: Chicago University Press.
  • [2] Gifford, T. (1999). Pastoral. London Andamp; New York: Routledge.
  • [3] Teócrito, et all (2011). Idílios de Teocrito, Bion y Mosco…Charleston: Nabu Press.
  • [4] Mendes, J. (2003). Construção e arte das bucólicas de Virgílio. Coimbra: Edições Almedina.
  • [5] Bird, Brad. (2011). Ratatui. (Blu-Ray). Distribuido em Portugal por Lusomundo. Disney.
Como citar:

Guedes, Rosa Vieira; "O filme de animação e uma “nova bucólica” – “Ratatui” ou A Filosofia da Natureza contada às crianças", p. 68-72 . In: Barbosa, Helena; Quental, Joana [Eds]. Proceedings of the 2nd International Conference of Art, Illustration and Visual Culture in Infant and Primary Education. São Paulo: Blucher, 2015.
ISSN 2318-695X, ISBN: 978-989-98185-0-7
DOI 10.5151/edupro-aivcipe-14

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