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Luto em Adultos que Perderam a Mãe na Infância: um Olhar Fenomenológico

Fujisaka, Ana Paula; Kovács, Maria Júlia;

Resumo:

Introdução: o processo de luto tem sofrido algumas formas de interdição, principalmente na sociedade ocidental, sendo valorizadas cada vez mais as atitudes discretas e os silenciamentos, o que tem acabado por suprimir a expressão do luto. Assim, muitas pessoas passam a apresentar um comportamento socialmente aceitável, contrariando suas necessidades psicológicas, ficando prensadas entre o peso do sofrimento e o interdito da sociedade. a morte da mãe na infância pode ser uma das experiências mais impactantes que uma criança pode vivenciar, especialmente por haver uma importante dependência física e emocional do genitor falecido por parte da criança. Dessa forma, pelos valores veiculados na sociedade ocidental e pela complexidade da experiência da perda da mãe na infância, tem-se observado dificuldades nessa situação de vivência de luto. Objetivo: compreender a vivência de luto em adultos pela perda de suas mães na infância e como pode ser ressignificada em outras fases da vida. Método: o estudo fundamenta-se no método qualitativo fenomenológico. Os participantes entrevistados voluntariamente foram 3 homens e 3 mulheres, com idades entre 32 e 61 anos, que perderam a mãe por morte quando tinham entre 5 e 12 anos de idade. e as entrevistas foram individuais abertas, que partiram da pergunta: “como foi ter vivido a perda de sua mãe?” Análise: revelou que é preciso compreender a vivência de perda da mãe no início da vida como processo dinâmico, não se podendo determinar ou prever como a criança que perdeu a mãe se desenvolverá quando adulta; além disso, mostrou-se importante lidar com a experiência da perda e com a dor para poder ressignificá-las, enxergando-as de maneiras diferentes, e assim integrá-las à vida; e, ainda, foi possível perceber que o comportamento de permanecer vinculado à mãe ajudou os participantes a lidar com a ausência dessa e a redefinir esse relacionamento, integrando-o em suas vidas. Considerações finais: diante dos 3 aspectos destacados na análise, faz-se importante apontar que: 1) é preciso cuidado para não rotular ou estigmatizar crianças e adultos que perderam as mães em idade precoce, pois a perda marca a vida dessas pessoas, porém não pode ser visto como fato determinante da maneira como irão se desenvolver; 2) faz-se necessário proporcionar escuta atenta e acolhedora que incentive, sem forçar, as pessoas a falarem e expressarem seus sentimentos relacionados à perda, dando liberdade para o fluxo de sentimentos como raiva, culpa, alívio, entre outros que podem não ser esperados. com essa ajuda, poderão então ressignificar suas vivências e integrá-las às suas vidas; 3) é importante respeitar e aceitar a nova forma de relacionamento que os filhos têm com as mães perdidas, visto que neste e em outros trabalhos a continuidade do vínculo tem sido observada como aspecto importante para o enfrentamento da perda.

Resumo:

Palavras-chave:

DOI: 10.5151/medpro-cihhs-10592

Referências bibliográficas
Como citar:

Fujisaka, Ana Paula; Kovács, Maria Júlia; "Luto em Adultos que Perderam a Mãe na Infância: um Olhar Fenomenológico", p. 228 . In: Anais do Congresso Internacional de Humanidades & Humanização em Saúde [= Blucher Medical Proceedings, vol.1, num.2]. São Paulo: Blucher, 2014.
ISSN 2357-7282, DOI 10.5151/medpro-cihhs-10592

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