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Cinismo e Estética da Existência em Foucault: A Interpelação dos Antigos À Instituição Escolar

Almeida, Jonas Rangel de;

Artigo:

Este trabalho apresenta resultados parciais de pesquisa empreendidos no campo da Filosofia da Educação. O objetivo é discutir quais os desafios que a arte de viver dos cínicos pode trazer aos educadores e à instituição escolar. O cinismo, entendido como um modo de vida, ocupa um lugar importante na última palestra de Michel Foucault no Collège de France em 1984. O filosofo francês considera esse movimento como uma filosofia de dizer a verdade - parrhésia - e, uma maneira escandalosa de viver. Segundo Foucault, essa tékhne tou bíou compreende elementos importantes de uma estética da existência na qual o sujeito realiza uma transformação de si por si mesmo. Tal modificação pressupõe uma interpelação para o outro chamando também a se transformar e viver uma vida outra. Essa provocação cínica traz algumas correspondências com nossa atualidade bem acentuadas por Foucault nos modos de vida revolucionários do século XIX. No contexto atual onde a relação educativa está sujeita a um regime de verdade que garante o acesso à verdade ao sujeito por meio da aquisição da lei, da adaptação à norma e pela internalização de um código moral - identitário - o cinismo traz uma interpelação quanto à maneira de viver a vida, de dizer a verdade ainda que esta lhe coloque em risco e uma atitude ética de resistência ao discurso que anula as diferenças. O legado cínico convida os educadores do tempo presente a educar para novos modos de vida e reaproximar a escola da vida.

Artigo:

Palavras-chave: Cinismo, estética da existência, arte de viver e instituição escolar,

Palavras-chave:

DOI: 10.5151/phipro-sofia-021

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Como citar:

Almeida, Jonas Rangel de; "Cinismo e Estética da Existência em Foucault: A Interpelação dos Antigos À Instituição Escolar", p. 161-169 . In: Anais da VIII Semana de Orientação Filosófica e Acadêmica [= Blucher Philosophy Proceedings, n.1, v.1]. São Paulo: Blucher, 2014.
ISSN 2358-6567, DOI 10.5151/phipro-sofia-021

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