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A presença das artes em A Comédia Humana: do “pictural” ao künstlerroman

Guerson, Milena;

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Referências à arte, em múltiplos aspectos e meios de expressão, constituem um fator recorrente nas narrativas de Balzac e, em geral, integram um procedimento de composição textual. Destacam-se duas possibilidades não excludentes entre si: a citação de nomes de artistas, obras e fatos que os circundam, conforme a realidade histórica; o uso de vocábulos artísticos, compondo metáforas e/ou trechos descritivos que incitam a criação de imagens mentais no leitor. As duas possibilidades auxiliam a situar os cenários e as situações das narrativas e, em muitos casos, conferem ao texto balzaquiano um caráter “pictural”. Mas, embora as alusões à arte e aos artistas estejam presentes na diversidade de narrativas de A Comédia Humana, podemos elencar quatro textos em que a arte é especificamente tomada como eixo estruturador – apesar de diferentes gradações. Em “Sarrasine” (1830) há predomínio da escultura, enquanto “A obra-prima ignorada” (1831) focaliza a pintura. “Gambara” (1837) e “Massimila Doni” (1839) trazem uma abordagem sobre música. Em todos esses “romances de artista” vigoram reflexões ímpares sobre os trâmites da criação, destacando-se, apesar das respectivas ênfases dos enredos, alusões aos paralelos entre as artes, nos moldes da “tradição horaciana” – abordagem a partir da qual os atuais “estudos intersemióticos” têm origem.

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Palavras-chave: ut pictura poesis, ekphrasis, descrição pictural, transposição de arte, romance de artista, Honoré de Balzac,

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DOI: 10.5151/phypro-intermidialidade2014-011

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Como citar:

Guerson, Milena; "A presença das artes em A Comédia Humana: do “pictural” ao künstlerroman", p. 133-146 . In: Aguiar, Daniella; Queiroz, João (Eds.). Anais do 1º Congresso Internacional de Intermidialidade 2014 [=Blucher Arts Proceedings, v.1 n.1]. São Paulo: Blucher, 2015.
ISSN 2447-3332, DOI 10.5151/phypro-intermidialidade2014-011

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