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A cosmologia de Leão Hebreu

Martins, Daniel Rodrigues de Assis;

Artigo:

O filósofo de origem judaica, Judá Abravanel, mais conhecido como Leão Hebreu, teve grande popularidade no período da Renascença com sua principal obra, Diálogos de Amor. O livro Diálogos de Amor foi traduzido para diversas línguas e, segundo o estudioso português Joaquim de Carvalho, só caiu no esquecimento porque teve sua tradução espanhola, de 1590, incluída no Index da Contrarreforma. Atualmente é considerada uma das obras filosóficas mais importantes da época. Leão foi um homem bastante influente e seu reconhecimento não se devia apenas a sua grande erudição, mas também a ser um médico muito requisitado. Nasceu em Portugal, mas viveu a maior parte de sua vida na Itália devido à forte perseguição aos judeus na Península Ibérica. A Itália recebeu grade número de judeus no início do século XVI. Além de suas habilidades em diversas profissões, os judeus levaram para o país suas tradições de interpretação filosóficas e religiosas. A cultura humanista e o repeito a diversidade eram fortes valores na Itália deste período, talvez por esse motivo a Cabala tenha tido tanta influência no renascimento italiano. É neste ambiente que Leão Hebreu escreve o livro peculiar e único que dispomos hoje de sua autoria. Diálogos de Amor tem características inusitadas tanto para a Itália renascentista quanto para a tradição judaica da qual faz parte. É o que podemos observar ao analisarmos seu modelo cosmológico. Ele parte da estrutura comum, de um universo dividido em três mundos de forma hierárquica. O mundo inferir é o mundo da matéria, onde se tem geração e corrupção. O intermediário é o mundo celeste e o mundo superior é o mundo inteligível. Mas, enquanto a maioria de seus predecessores judeus faz uma acomodação do modelo das esferas de Aristóteles à fé judaica, Leão Hebreu vai além: mesmo afirmando os postulados mais essenciais do judaísmo, nos traz um modelo cosmológico onde o universo é um ser vivo, como um animal provido de corpo. Em sua exposição, não deixa de seguir a tendência enciclopédica de seu contexto histórico e cita todos os modelos cosmológicos mais aceitos na época, fazendo ponderações sobre eles.

Artigo:

Palavras-chave:

DOI: 10.5151/phipro-sofia-011

Referências bibliográficas
Como citar:

Martins, Daniel Rodrigues de Assis; "A cosmologia de Leão Hebreu", p. 86-94 . In: Anais da VIII Semana de Orientação Filosófica e Acadêmica [= Blucher Philosophy Proceedings, n.1, v.1]. São Paulo: Blucher, 2014.
ISSN 2358-6567, DOI 10.5151/phipro-sofia-011

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